Casa Sustentável leva artesãos aos shoppings e amplia geração de renda no interior paulista
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Artesãos que antes dependiam principalmente de feiras, eventos e redes sociais para vender suas peças passaram a contar com vitrines permanentes em dois shopping centers do interior de São Paulo. A iniciativa é da Casa Sustentável, negócio criado pela empreendedora Isa Perinotto que combina comercialização coletiva, capacitação e reaproveitamento de materiais.
A experiência foi destacada pela Agência Sebrae de Notícias (ASN) em uma série sobre o movimento Compre do Pequeno. Atualmente, a Casa Sustentável possui unidades no Shopping Rio Claro, em Rio Claro, e no Pátio Limeira Shopping, em Limeira, onde oferece aos pequenos produtores estrutura de venda, atendimento, comunicação e curadoria.
O modelo busca enfrentar uma dificuldade recorrente entre artesãos: transformar a capacidade de produção em uma fonte regular de renda. Na Casa Sustentável, cada participante mantém a própria identidade e o próprio negócio, mas divide com os demais a estrutura necessária para colocar os produtos no mercado.
Os artesãos também participam diretamente do funcionamento dos pontos comerciais. Cada um dedica 12 horas semanais ao atendimento nas lojas e, durante esse período, vende tanto suas próprias peças quanto as produzidas pelos demais integrantes.
“É uma espécie de cooperativismo na prática, mesmo sem sermos uma cooperativa: cada um mantém sua identidade e seu negócio, mas ninguém precisa caminhar sozinho”, afirma Isa.
Da produção artesanal à vitrine
A presença em um ponto comercial também introduz os produtores a aspectos que vão além da fabricação das peças. Precificação, acabamento, embalagem, controle de estoque, cumprimento de prazos e atendimento ao público passam a integrar a rotina dos participantes.
Segundo Isa, a experiência já ajudou artesãos que trabalhavam praticamente de maneira isolada a alcançar novos consumidores, receber encomendas e adquirir confiança para aumentar a produção.
“Quando uma pessoa vê sua peça exposta em uma vitrine de shopping, e percebe que alguém que não a conhece escolheu pagar por aquilo que ela criou, existe um reconhecimento do próprio trabalho. Nós ajudamos a criar um caminho para que esses produtos encontrem mercado”, diz.
A Casa Sustentável surgiu a partir de outra experiência da empreendedora. Isa atua no setor desde 2005, quando iniciou o Ateliê Art’Natural. Em 2013, participou do Empretec, programa de formação empreendedora promovido pelo Sebrae, experiência que, segundo ela, contribuiu para incorporar planejamento, análise de mercado e busca por resultados à atividade artesanal.
Pouco depois, nasceu a Casa Sustentável. Desde então, Isa afirma recorrer a cursos, palestras, capacitações e orientações do Sebrae para apoiar decisões relacionadas ao negócio.
“O Sebrae me ajudou a entender que propósito e negócio podem caminhar juntos. Uma ideia pode nascer do coração, mas para crescer precisa também de visão, estratégia e coragem para empreender”, afirma.
Reaproveitamento vira produto e renda
A origem da Casa Sustentável está ligada ao reaproveitamento de materiais. Há 12 anos, Isa começou a transformar pallets, portas e janelas que seriam descartados em móveis e objetos. Posteriormente, percebeu que a estrutura criada poderia também abrir espaço para outros artesãos comercializarem seus trabalhos.
O negócio passou, assim, a combinar duas frentes: reduzir o descarte de materiais e criar canais de venda para produtos artesanais. Na avaliação da empreendedora, a sustentabilidade se completa quando o reaproveitamento também produz valor econômico.
“Quando um material é reaproveitado, evitamos que ele seja simplesmente descartado. Quando um artesão utiliza sua habilidade para transformar esse material em um novo produto, acrescentamos valor. E quando esse produto encontra um consumidor, esse valor se transforma também em renda”, explica.
A proposta insere a atividade na lógica da economia circular, em que materiais que poderiam se tornar resíduos retornam ao ciclo produtivo. Ao mesmo tempo, técnicas artesanais ganham um canal comercial capaz de aproximar produtores e consumidores.
Pequenos negócios movimentam a economia local
A Casa Sustentável integra a série especial do Sebrae sobre a campanha Compre do Pequeno, que busca estimular consumidores a adquirir produtos e serviços de pequenos negócios e destacar o impacto dessas compras sobre a economia das comunidades.
“Por trás daquela peça existe uma pessoa que criou, uma família que muitas vezes depende daquela renda, um conhecimento artesanal que está sendo mantido vivo e uma pequena economia que continua girando”, afirma Isa. “Cada venda é pequena para quem compra, mas pode ser muito grande para quem produz.”
Segundo os dados divulgados pelo Sebrae, o Brasil possui mais de 24,19 milhões de CNPJs de pequenos negócios, correspondentes a mais de 96% das empresas ativas. O segmento reúne mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais (MEIs), 8,8 milhões de microempresas e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte.
Esses empreendimentos respondem por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com os números apresentados pela instituição. Somente em 2026, mais de 4 milhões de novos pequenos negócios foram abertos no país. O Sebrae também aponta que, em média, o segmento responde por 80% dos empregos gerados.
A campanha Compre do Pequeno é realizada em torno de 5 de outubro, Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, e procura chamar a atenção para o efeito da escolha do consumidor sobre a circulação de recursos, a manutenção de postos de trabalho e a atividade econômica nas próprias comunidades.
Fonte: Brasil 247