Casa Branca descumpre ordem judicial e volta a barrar jornalistas do Politico, MS NOW e CNN

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – Repórteres dos veículos de comunicação Politico, MS NOW e CNN foram impedidos de ingressar no complexo da Casa Branca nesta quinta-feira (24), apenas algumas horas após uma decisão da Justiça Federal determinar a restauração imediata do acesso dos profissionais e considerar a proibição imposta pelo presidente Donald Trump como provavelmente inconstitucional, informa a agência Reuters.

A determinação foi proferida durante a madrugada pelo juiz distrital Tim Kelly, que bloqueou temporariamente a proibição do governo por um período de 14 dias. A sentença representou um duro golpe para a administração Trump em meio a uma de suas maiores controvérsias e embates públicos contra a imprensa.

Mesmo com o desbloqueio concedido pelo magistrado, o Politico informou que as credenciais de imprensa de seus repórteres foram confiscadas no local. De forma semelhante, uma correspondente da MS NOW confirmou ter sido barrada na entrada do prédio, enquanto a direção da CNN ratificou que parte de seus funcionários também teve o acesso negado ao complexo presidencial.

Em transmissão ao vivo realizada do lado de fora da Casa Branca, a repórter Laura Barrón-López, da MS NOW, relatou que ainda não era possível determinar se o bloqueio de sua entrada configurava um ato deliberado de desacato à ordem judicial emitida pela Justiça Federal ou se tratava de uma falha técnica no sistema de credenciamento do local. Procurados para prestar esclarecimentos sobre a situação, os representantes da Casa Branca não responderam de imediato aos pedidos de comentário.

Na fundamentação de sua decisão, o juiz Tim Kelly argumentou que a revogação sumária das credenciais dos jornalistas promovida pelo governo “provavelmente violou seus direitos constitucionais ao devido processo legal”. Além disso, o magistrado rejeitou as justificativas apresentadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que alegava razões de segurança nacional para fundamentar o banimento. Kelly destacou que o próprio presidente Donald Trump havia admitido publicamente que a medida foi adotada devido ao que ele considerava ser uma cobertura jornalística falsa ou negativa sobre sua gestão.

O advogado que representa os três veículos de imprensa no processo, Theodore Boutrous, comemorou o posicionamento do tribunal por meio de uma declaração pública. “Esta é uma decisão forte que defende a liberdade de imprensa, o devido processo legal e o Estado de Direito. Agradecemos imensamente a rápida atuação do tribunal”, declarou a defesa das empresas de comunicação.

A ação judicial movida pelos veículos também contou com o apoio formal de dezenas de organizações de notícias e grupos de defesa da liberdade de imprensa, que apresentaram um parecer jurídico conjunto em favor dos afetados.

O caso teve início após Trump anunciar a proibição do acesso dos profissionais por meio de uma publicação em suas redes sociais em 18 de setembro. Diante do ato, as três empresas de mídia acionaram a Justiça contra o presidente e outros integrantes do alto escalão de sua administração, sustentando que o bloqueio violou a Primeira Emenda da Constituição norte-americana — dispositivo que garante as liberdades de expressão e de imprensa —, além de atentar contra os direitos fundamentais ao devido processo legal.

Fonte: Brasil 247

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