Campanha de Lula vê eleição cristalizada e sem reviravoltas na reta final
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que o cenário eleitoral chegou à última semana antes do primeiro turno com pouca margem para mudanças expressivas nas intenções de voto. A percepção entre integrantes da equipe é de que o eleitorado está praticamente consolidado e de que uma eventual nova movimentação significativa em favor de Lula ou de Flávio Bolsonaro (PL) se tornou menos provável. A avaliação foi relatada pela jornalista Bela Megale, do jornal O Globo.
Integrantes da campanha afirmam que nem mesmo fatos políticos de grande repercussão, como uma eventual operação policial envolvendo Flávio Bolsonaro ou aliados do candidato do PL, seriam necessariamente capazes de provocar uma alteração relevante na disputa nesta altura da eleição.
Levantamentos internos acompanhados diariamente pela campanha, os chamados trackings, indicariam uma vantagem de aproximadamente seis pontos de Lula no primeiro turno e uma diferença de três pontos em uma eventual segunda rodada. Esses números são pesquisas internas e, portanto, não devem ser confundidos com os levantamentos públicos divulgados por institutos de pesquisa.
Na leitura dos aliados do presidente, o quadro representa uma recuperação em relação ao começo de setembro, quando sondagens internas teriam registrado momentos em que Lula aparecia numericamente atrás de Flávio Bolsonaro.
Integrantes da campanha relacionam o período de pior desempenho de Lula à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e à divulgação de informações de investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.
Pesquisas públicas divulgadas ao longo de setembro também mostraram uma disputa estreita. Na rodada da Quaest publicada em 21 de setembro, Flávio Bolsonaro aparecia com 42% e Lula com 41% em uma simulação de segundo turno. A diferença estava dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, caracterizando empate técnico. Foram entrevistados 2.004 eleitores entre 17 e 20 de setembro, com nível de confiança de 95%.
Na pesquisa anterior da mesma série, divulgada em 14 de setembro, Flávio tinha 42% e Lula, 40% no confronto direto. No início do mês, em 2 de setembro, o cenário era inverso numericamente: Lula aparecia com 42% e Flávio com 41%, também em situação de empate técnico.
Campanha aposta em mobilização
Diante da avaliação de que o eleitorado está mais resistente a mudanças na reta final, a campanha de Lula passou a atribuir peso maior à mobilização dos apoiadores e à capacidade de levar às urnas eleitores que já demonstram preferência pelo presidente.
A estratégia também envolve ampliar a presença de Lula nos estados e estimular atos de rua. Na última semana antes da votação, a campanha programou agendas em diferentes regiões e reforçou ações voltadas especialmente ao eleitorado de menor renda.
Além da mobilização, aliados do presidente esperam que medidas adotadas recentemente pelo governo tenham algum impacto eleitoral. Entre elas está a ofensiva contra as apostas digitais, tema que passou a ocupar espaço na campanha petista.
Integrantes do governo e da campanha consideram que as restrições às apostas online podem produzir efeitos perceptíveis entre famílias de menor renda, ao reduzir os recursos destinados aos jogos e ampliar a parcela disponível para despesas cotidianas, como alimentação.
O combate às bets já vinha sendo explorado politicamente pela campanha de Lula. A ofensiva contra plataformas de apostas e cassinos online havia se tornado uma das principais bandeiras do presidente na reta final da eleição.
Com a disputa presidencial apertada nas pesquisas e um contingente elevado de eleitores afirmando já ter decidido o voto, a estratégia da campanha passa, assim, menos pela expectativa de uma reviravolta e mais pela tentativa de consolidar apoios e garantir comparecimento às urnas no primeiro turno.
Fonte: Brasil 247