Campanha de Lula precisa se concentrar no comparecimento de seus eleitores às urnas

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Por Carlos Fraga — Brasil 247

O presidente do conselho científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), Antônio Lavareda, fez um alerta importante nesta semana. Com o empate entre Lula e Flávio Bolsonaro registrado em diversas pesquisas separadamente e no agregado delas, a abstenção pode ser um fator decisivo e desfavorável ao candidato do PT.

Lavareda explicou que, historicamente, os maiores índices de não comparecimento às urnas são observados entre os eleitores de baixa renda e baixo nível de escolaridade, segmentos em que Lula tem larga vantagem sobre o adversário.

A esta altura do campeonato, parece evidente que nenhum fato novo terá o poder de abalar o voto consolidado em Flávio. Nem mesmo se o candidato do PL aparecer em uma orgia, nadando em dinheiro roubado dos aposentados, será suficiente para fazer seu eleitor acreditar nesta informação, mesmo que verdadeira.

Os eleitores do bolsonarismo estão, de fato, submetidos a um bloqueio informacional difícil de ser rompido. Tudo o que, neste momento, se apresentar como fato comprovado com potencial para abalar a convicção de seus seguidores é interpretado como “armação”, “fake news”, “teoria da conspiração”. Os eleitores pêndulos mais inclinados a votar em Flávio tendem a ter, por força de atração, o mesmo comportamento.

O fenômeno não é novo, mas tende a se agravar às vésperas de eleições. Por outro lado, esses eleitores não raciocinam da mesma forma quando as notícias são contrárias a Lula. Tudo o que aparece nesse sentido é visto como verdadeiro, mesmo que carregado de sinais claros de montagem, manipulação e até de uso de inteligência artificial. Contribui muito para isso o poder da grande mídia de legitimar informações em seu jogo de manipulação a favor do candidato da extrema-direita.

Estamos em um momento crucial desta eleição, que traz um risco imensurável ao Brasil e ao seu povo, pelo caráter imprevisível do resultado e pela possibilidade real de vitória do candidato que tem relações com o crime organizado, o capital financeiro e os interesses imperialistas dos EUA.

Neste cenário, o que pode garantir a vitória de Lula já no próximo domingo ou a realização de um segundo turno — para que continuemos em um ambiente político propício à consolidação e ao aprofundamento da nossa democracia com soberania e ao desenvolvimento do país com distribuição de riqueza — é o combate à abstenção concentrada no grupo social majoritariamente lulista.

É fundamental que os comitês de campanha, grupos organizados e indivíduos espalhados pelo país façam uma força-tarefa para estimular e viabilizar, por todos os meios, o maior comparecimento possível às urnas dos eleitores de baixa renda e baixa escolaridade.

Essa é a tarefa mais importante do campo democrático e progressista nos três dias que nos separam das eleições.

Fonte: Brasil 247

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