Campanha de Lula orienta aliados a expor contradições de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu intensificar a ofensiva política contra Flávio Bolsonaro (PL) durante a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, marcada para esta quarta-feira (14), no Senado. A orientação aos parlamentares governistas é destacar as mudanças de posicionamento do candidato bolsonarista, que passou a apoiar a redução da jornada de trabalho após ter criticado a medida durante a campanha eleitoral.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a estratégia foi discutida na terça-feira (13), durante uma reunião conduzida pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, com representantes de partidos aliados. O objetivo é impedir que Flávio Bolsonaro e o PL capitalizem politicamente uma proposta defendida pelo governo Lula, considerada uma das principais apostas do presidente para conquistar votos na reta final do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A orientação é que senadores e deputados utilizem entrevistas, declarações públicas e vídeos nas redes sociais para recuperar manifestações anteriores de Flávio Bolsonaro contrárias à mudança na legislação trabalhista. A campanha petista pretende caracterizar a recente adesão do senador à proposta como resultado de “oportunismo eleitoral”, diante da proximidade da votação e da disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro criticou proposta e alertou para desemprego em massa
A mudança de posição do candidato do PL é o principal alvo da estratégia governista. Em maio, quando a proposta foi discutida na Câmara dos Deputados, Flávio Bolsonaro classificou o fim da escala 6×1 como uma iniciativa “inoportuna e eleitoreira”.
Na ocasião, o senador também afirmou que havia uma “grande carga de hipocrisia” no debate e advertiu para o risco de “desemprego em massa” caso a redução da jornada fosse implementada.
Meses depois, no final de agosto, Flávio passou a defender um modelo baseado na flexibilização das jornadas e na possibilidade de negociação individual entre trabalhadores e empregadores, em vez de manifestar apoio direto à redução da carga horária máxima.
“Nós vamos fazer muito melhor para os trabalhadores brasileiros. Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga de horário, como é que vai trabalhar”, declarou o senador naquela ocasião.
Na terça-feira, entretanto, o candidato anunciou que votaria favoravelmente à PEC que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
A mudança ocorreu às vésperas da deliberação no Senado e a menos de duas semanas do segundo turno presidencial. Para integrantes da campanha de Lula, a sequência de declarações permite evidenciar as contradições do adversário e questionar a consistência de seu compromisso com a proposta.
PT quer impedir que PL assuma protagonismo na votação
A preocupação da campanha governista também está relacionada à atuação do PL durante a tramitação da proposta na Câmara dos Deputados.
Em maio, quando ficou evidente que o fim da escala 6×1 seria aprovado pelos deputados, o partido de Flávio Bolsonaro apresentou uma alternativa que previa a adoção da escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.
A iniciativa foi interpretada por integrantes do governo como uma tentativa de disputar o protagonismo político de uma pauta que vinha sendo defendida pelo Executivo e por seus aliados.
Agora, diante da votação no Senado, a avaliação do comando da campanha petista é que o bolsonarismo poderá adotar estratégia semelhante, buscando associar sua imagem à aprovação da medida.
Por isso, Edinho Silva pediu atenção especial aos parlamentares aliados para que a atuação da oposição não altere a percepção pública sobre a origem do apoio político à proposta.
Além de confrontar as declarações de Flávio, a campanha pretende enfatizar os efeitos da redução da jornada sobre a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros. A mensagem central será associar o avanço da PEC à atuação do presidente Lula e ao compromisso de seu governo com a mudança nas relações de trabalho.
Fim da escala 6×1 é aposta de Lula para virar eleição
A votação da PEC ocorre em um momento decisivo da disputa presidencial. Lula busca reverter o cenário eleitoral e derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno, enquanto a redução da jornada de trabalho ganhou destaque entre as propostas defendidas por sua campanha.
A iniciativa prevê a diminuição da carga horária semanal máxima de 44 para 40 horas e representa uma mudança importante na organização do trabalho no país.
Para os estrategistas governistas, a aprovação da medida oferece a oportunidade de apresentar uma conquista concreta aos eleitores, especialmente aos trabalhadores submetidos a jornadas de seis dias consecutivos de serviço para apenas um de descanso.
Nesse contexto, a campanha pretende transformar a votação no Senado em um momento de mobilização política, associando a proposta à melhoria das condições de trabalho e contrapondo o histórico de posicionamentos dos dois candidatos.
A ausência física de Flávio Bolsonaro no plenário também é considerada favorável por aliados de Lula. O senador tem compromissos de campanha em Porto Alegre nesta quarta-feira e, caso participe da votação, deverá fazê-lo remotamente.
Integrantes da campanha governista avaliam que a presença dos senadores aliados no plenário poderá ampliar a visibilidade da defesa da proposta. Há também a expectativa de que Lula faça gestos públicos direcionados ao Senado, embora uma eventual participação presencial do presidente na sessão seja considerada difícil.
Reunião reuniu partidos aliados e representantes do Centrão
O encontro que definiu a estratégia eleitoral contou com dirigentes do PSB, PCdoB e PSOL, além de políticos de legendas do Centrão que participaram do governo Lula.
Entre os presentes estavam o senador eleito André Fufuca (PP-MA) e os deputados reeleitos Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) e Juscelino Filho (PSDB-MA).
O MDB também esteve representado por integrantes de sua ala alinhada ao presidente, incluindo os senadores Renan Filho (AL), Veneziano do Rêgo (PB), Jader Barbalho (PA) e Marcelo Castro (PI).
Fonte: Brasil 247