Campanha de Flávio Bolsonaro pressiona rivais da direita a desistir antes do 1º turno
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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Articulação envolve governadores, dirigentes partidários e militantes bolsonaristas. Zema bambeia e Caiado resiste à saída da disputa
A cinco dias do primeiro turno , a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) intensificou a pressão para que candidatos da direita desistam da disputa presidencial e apoiem sua candidatura. A articulação envolve interlocutores do PL, aliados, dirigentes partidários e militantes bolsonaristas nas redes sociais, que têm cobrado a concentração de votos no senador para tentar derrotar o presidente Lula (PT) já na primeira etapa da eleição, em 4 de outubro.
O movimento tem como alvos principalmente Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), cujas candidaturas disputam espaço no eleitorado da direita. Integrantes da campanha de Flávio já procuraram interlocutores ligados aos três para discutir uma possível composição antes da votação. Até agora, porém, nenhum deles abandonou a corrida. Renan Santos (Missão), outro candidato de direita, não foi procurado – ele já declarou que não apoiará nem Lula nem Flávio em um eventual segundo turno e tem feito ataques ao senador, a quem chama constantemente de “bandido”.
A ofensiva ganhou força nos últimos dias e passou a envolver também movimentos regionais e manifestações públicas de aliados. A desistência do deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) da disputa pelo Senado, anunciada na segunda-feira 28, foi usada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como exemplo da “necessidade” de união da direita. A saída de Salles, que declarou apoio à chapa de Flávio, também ampliou a pressão sobre Zema, correligionário do deputado.
Ao defender a união da direita, Tarcísio afirmou que a desistência de Salles deveria servir de exemplo para os demais candidatos. O governador disse respeitar as candidaturas de Zema e Caiado, mas defendeu a concentração de votos em Flávio Bolsonaro.
“É uma eleição que pode ser definida no detalhe. Obviamente, a gente está dando um exemplo. Exemplo de que as diferenças podem ser deixadas de lado. Existe um projeto maior, existe uma responsabilidade nossa maior com o País, com o futuro do Brasil”, afirmou Tarcísio na segunda-feira. “ Seria muito bom que a gente pudesse unir toda a direita nessa reta final . A nossa parte estamos fazendo. Obviamente, temos muito respeito pelas candidaturas que aí estão.”
Em outro momento, o governador disse que, diante da possibilidade de “afastar o PT já no primeiro turno”, seria desejável que os demais candidatos fizessem esse “gesto”.
Os candidatos à Presidência da República Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD). Foto: governo do Estado de Minas Gerais
Embora diga que não pretenda abandonar a disputa, Zema autorizou candidatos do Novo a declarar apoio a Flávio ainda no primeiro turno . A decisão abriu espaço para que integrantes da legenda defendam o voto útil no senador, mesmo com o ex-governador mineiro mantendo sua candidatura ao Planalto.
A movimentação ocorre em meio à pressão de aliados do PL e de integrantes do próprio Novo. Marina Helena , candidata a deputada federal por São Paulo, anunciou apoio a Flávio na semana passada. No Paraná, o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol , e, no Rio Grande do Sul, o deputado Marcel van Hattem também estão no centro das articulações em torno do apoio a Flávio. A mobilização nas redes sociais, por sua vez, tem ampliado a cobrança sobre candidatos da direita para que abandonem a disputa ou antecipem o apoio ao senador.
Uma das articulações em discussão previa que Zema e Caiado desistissem das candidaturas antes do debate presidencial da TV Globo , marcado para quinta-feira 1º. A proposta teria partido da campanha do ex-governador mineiro, mas foi negada pelo candidato do PSD.
Caiado rejeitou categoricamente a possibilidade de um acordo para que os dois abandonassem a disputa e apoiassem Flávio. “Posso responder por mim. Não existe qualquer hipótese de desistência. Tá entendido?”, afirmou em mensagem encaminhada por WhatsApp .
Zema também negou que deixará a corrida presidencial. Em declaração divulgada por sua assessoria, o candidato do Novo afirmou que seguirá em campanha até o fim.
“Estou aqui começando a minha segunda-feira. Vou ficar todo o tempo em campo. Levo a minha proposta até o final. Derrotei já o PT duas vezes em Minas Gerais. E sou um candidato ficha limpa, sem rabo preso e que mais combate a corrupção, que é o grande câncer do Brasil”, declarou.
A pressão sobre os candidatos ocorre em paralelo à tentativa de Flávio de se apresentar como o único adversário de Lula. Em agenda em Goiânia, no domingo 27, o senador afirmou que não considera os demais presidenciáveis seus concorrentes diretos. A declaração repercutiu negativamente nas campanhas dos outros candidatos da direita.
“Eu não tenho adversários concorrendo comigo na Presidência, a não ser o Lula. É ele que eu vou tirar da Presidência, é ele que o povo não quer mais”, disse.
A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira indica que Flávio Bolsonaro receberia a maior parcela dos votos de candidatos da direita em um eventual segundo turno contra Lula . Na simulação direta, os dois aparecem empatados com 42% das intenções de voto.
Entre os eleitores de Caiado, 42% afirmaram que votariam em Flávio, enquanto 30% escolheriam Lula. Outros 28% disseram que votariam em branco ou nulo ou não compareceriam às urnas.
No caso de Cury, 34% migrariam para Flávio e 27% para Lula. A maior parcela, 38%, afirmou que votaria em branco ou nulo ou não iria votar.
A transferência seria mais expressiva entre os eleitores de Zema : 81% disseram que votariam em Flávio, contra 9% em Lula. Entre os apoiadores de Renan Santos, 48% escolheriam o senador do PL e 23% o presidente. Os dados mostram que, embora Flávio concentre a maior parte dos votos desses candidatos, uma parcela dos eleitores ainda optaria por não apoiar nenhum dos dois no segundo turno.
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Fonte: Carta Capital