‘Campanha de Flávio Bolsonaro ligou o modo desespero’, diz Lindbergh

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta quinta-feira (15) que a campanha do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) “ligou o modo desespero” e tenta impedir manifestações de seus adversários na Justiça. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o petista cobrou explicação sobre a prisão de Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) e aliado do presidenciável da extrema direita. “A companhia do Flávio Bolsonaro está assustada e apavorada”, declarou Lindbergh.

O parlamentar do PT relacionou as disputas judiciais à operação que atingiu Canella e mencionou outros dois nomes, Alessandro Carracena Pitombeira e Gutenberg Fonseca, aos quais atribuiu proximidade política com Flávio Bolsonaro.

“Esses dois, o Alessandro Carracena e o Gutenberg Fonseca, olha, são unha e carne, vou usar o termo, do Flávio Bolsonaro, faz parte do mesmo grupo político”, continuou Lindbergh.

“Agora, a Justiça Eleitoral tem censurado, mandando a gente tirar essas informações, aí aparece a verdade, uma operação como essa da Polícia Federal.” Ao encerrar a gravação, Lindbergh dirigiu uma pergunta ao candidato do PL: “E aí, Flávio, o que você tem a dizer?”.

O deputado divulgou o seu posicionamento depois que a PF prendeu preventivamente Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito no Rio de Janeiro, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. Investigadores apuram a existência de uma organização criminosa que teria utilizado uma rede de postos de combustíveis para lavar recursos de origem ilícita.

A PF identificou movimentações financeiras superiores a R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. A investigação examina transações relacionadas a postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e suspeitas de participação de agentes públicos no funcionamento do esquema.

Relação entre Canella e Flávio Bolsonaro

A relação política entre Márcio Canella e Flávio Bolsonaro ganhou destaque durante as articulações para as eleições de 2026. O ex-prefeito de Belford Roxo chegou a anunciar uma pré-candidatura ao Senado com apoio do PL. Em fevereiro, Rogéria Bolsonaro, mãe do candidato presidencial, integrou a composição anunciada como primeira suplente.

Os planos mudaram em julho, quando a PF realizou a sexta fase da Operação Unha e Carne e encontrou um fuzil de uso restrito em um veículo utilizado por Canella. Os agentes prenderam o político em flagrante. Ele negou ser o proprietário da arma.

Após o episódio, Canella desistiu da candidatura ao Senado e disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O ex-prefeito recebeu 197.178 votos e terminou como o segundo candidato mais votado para deputado estadual no Rio.

A mudança de candidatura também encerrou a composição eleitoral anunciada com Rogéria Bolsonaro, que posteriormente concorreu à Câmara dos Deputados, mas não conseguiu se eleger.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou as prisões. A operação também alcançou Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, e quatro inspetores da corporação.

Os investigadores atribuem a Canella um possível papel de articulação institucional e política no esquema. As apurações procuram determinar como empresários, policiais e integrantes da administração pública teriam contribuído para a movimentação de recursos. A investigação também aponta suspeitas de vínculos do ex-prefeito com integrantes do Comando Vermelho e grupos milicianos que atuam na Baixada Fluminense.

Supostos acordos com o Comando Vermelho

Uma das linhas de investigação da PF envolve suspeitas de negociações entre Canella e integrantes do Comando Vermelho para permitir a retirada de barricadas em comunidades controladas pela facção.

Segundo os investigadores, o suposto entendimento previa a interrupção temporária de obstáculos para a realização de obras públicas. Em contrapartida, as forças de segurança reduziriam suas operações nas áreas, e os criminosos retomariam o controle territorial após a conclusão dos serviços.

A PF também apura possíveis relações entre o político e integrantes de milícias da Baixada Fluminense.

Entre os elementos examinados estão nomeações para cargos públicos, indicações políticas e relações com pessoas apontadas como integrantes ou aliadas dessas organizações. As suspeitas ainda dependem da conclusão das investigações e da avaliação do Poder Judiciário.

A campanha do Flávio Bolsonaro ligou o modo desespero e está acionando a Justiça para tentar calar a @uneoficial, movimentos sociais. Também quer censurar eu e o Janones por denunciarmos o massacre que ele vai fazer contra trabalhadores e aposentados. Eles estão sentindo a nossa… pic.twitter.com/BOvDHQcse8

— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) October 15, 2026

Fonte: Brasil 247

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