Caça às bruxas: os fundos de previdência caros e pouco rentáveis que nós não recomendamos
Por Pedro Claudino — Seu Dinheiro

Em outubro as bruxas voltam a aparecer por todos os lados. Nas vitrines, nas fantasias, nos filmes de terror. São personagens tão familiares que às vezes esquecemos que a expressão “caça às bruxas” nasceu de uma história muito menos divertida.
Durante séculos, pessoas foram perseguidas e responsabilizadas por acontecimentos que não conseguiam explicar. Bastava encontrar um culpado, mesmo que ele não tivesse qualquer relação com o problema.
Curiosamente, o mundo dos investimentos também tem suas próprias caças às bruxas. E talvez uma das vítimas mais conhecidas seja a previdência privada.
Basta mencionar o assunto em uma conversa para ouvir alguém dizer que previdência não rende, que é um investimento ruim ou que só serve para o banco ganhar dinheiro.
E, para ser justo, não é difícil entender de onde veio essa fama.
Imagine alguém que passou décadas reservando parte do salário para construir sua aposentadoria.
Seguiu a recomendação do gerente do banco, fez seus aportes regularmente e deixou o dinheiro investido, acreditando que estava cuidando do próprio futuro.
Anos depois, ao finalmente conferir os resultados, descobriu que seu fundo havia passado boa parte do tempo rendendo menos que o CDI, uma das referências mais básicas da renda fixa brasileira.
Pior: pagava taxas de administração elevadas por uma estratégia que, muitas vezes, não tinha praticamente nenhuma sofisticação.
O dinheiro até cresceu. Mas poderia ter crescido muito mais.
Infelizmente, essa história está longe de ser apenas uma hipótese.
Há anos, nossos levantamentos encontram fundos de previdência com bilhões de reais sob gestão, taxas excessivas e resultados decepcionantes.
Muitos desses produtos foram distribuídos em agências bancárias, em um modelo no qual os incentivos de quem recomendava o investimento nem sempre estavam alinhados aos interesses de quem investia.
O resultado foi uma geração de investidores que passou a associar a previdência a um produto caro e pouco rentável.
QUER INVESTIR MELHOR?
Comece o dia descobrindo o que move o mercado financeiro e os seus investimentos, de forma 100% gratuita!
Telefone
VEJA AQUI
Mas será que estávamos perseguindo a bruxa certa?
Ao longo dos últimos meses, conversamos aqui sobre diversas vantagens da previdência privada. Benefícios tributários, planejamento sucessório e flexibilidade para mudar de estratégia sem antecipar o pagamento de impostos.
Nada disso deixa de existir porque um fundo é ruim.
A questão é que uma estrutura eficiente não faz milagres. Por melhores que sejam suas vantagens, elas não compensam automaticamente um investimento caro e mal administrado.
E o tamanho desse problema impressiona.
Em nosso levantamento, identificamos cerca de R$ 815 bilhões investidos em fundos de previdência que combinam custos elevados e resultados decepcionantes.
Por isso, aproveitamos este Halloween para compartilhar nossa tradicional lista dos fundos de previdência que não recomendamos. São mais de 200 fundos que, por seus custos e histórico de desempenho, merecem um sinal de alerta.
Se você já investe em previdência, vale dedicar alguns minutos para verificar se seu fundo está entre eles. E, caso encontre alguma dessas assombrações na sua carteira, a boa notícia é que existe uma saída. Confira-os a seguir:
Os fundos de previdência que não recomendamos
Fundos-de-previdencia-nao-recomendadosDownload
A portabilidade permite trocar de fundo sem precisar resgatar os recursos e antecipar o pagamento de Imposto de Renda, preservando as vantagens da estrutura previdenciária.
No fim, talvez a maior ironia dessa história seja que muita gente acabou desistindo de uma ferramenta valiosa de planejamento financeiro por causa de problemas que estavam nos investimentos escolhidos dentro dela.
A caça às bruxas pode até oferecer uma explicação simples e confortável. Mas também pode nos fazer perder de vista o que realmente importa.
The post Caça às bruxas: os fundos de previdência caros e pouco rentáveis que nós não recomendamos appeared first on Seu Dinheiro.
Fonte: Seu Dinheiro