Brasil será exportador de vacinas e medicamentos, diz Alckmin

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – O Brasil poderá se consolidar como um polo internacional de produção e exportação de vacinas, medicamentos, insumos farmacêuticos e equipamentos médicos, especialmente para países da América Latina. A perspectiva foi apresentada pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante evento realizado nesta sexta-feira (16), em São Paulo, em comemoração ao Dia do Médico.

Segundo informações do portal Saúde Insider, Alckmin afirmou que a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, associada à política de reindustrialização do governo federal, deverá ampliar a capacidade produtiva brasileira, reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e abrir novos mercados para a indústria nacional.

“O Brasil vai assumir um papel exportador, principalmente para a América Latina, a partir do complexo industrial da saúde”, declarou o vice-presidente, durante o encontro que contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A iniciativa integra o porgrama Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial que estabelece como uma de suas prioridades ampliar a participação da produção nacional no abastecimento de medicamentos, vacinas, equipamentos e materiais utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A meta do governo é elevar essa participação dos 42% registrados em 2024 para 50% em 2026 e alcançar 70% até 2033. Além de fortalecer o mercado interno, o avanço da capacidade industrial poderá permitir que o país amplie suas exportações de produtos estratégicos para a saúde.

Dependência externa e déficit comercial pressionam setor

O fortalecimento da indústria brasileira de saúde ocorre em um contexto de elevada dependência de importações. Dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram que o déficit comercial do setor atingiu US$ 21 bilhões em 2023, valor 40% superior aos US$ 15 bilhões registrados em 2010.

A vulnerabilidade é particularmente significativa na produção de insumos farmacêuticos ativos (IFAs), matérias-primas essenciais à fabricação de medicamentos. Em 2024, o governo federal informou que mais de 90% desses componentes utilizados no Brasil eram importados.

A dependência de fornecedores internacionais representa um desafio para a segurança do abastecimento nacional e para a capacidade de resposta do sistema público de saúde, especialmente em situações de emergência sanitária.

O complexo econômico-industrial da saúde movimenta aproximadamente R$ 1,2 trilhão por ano, montante equivalente a cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O setor reúne atividades industriais, serviços, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e diferentes segmentos vinculados à assistência à população.

A estratégia defendida pelo governo procura combinar a expansão da produção nacional com investimentos em inovação, modernização industrial e desenvolvimento de tecnologias capazes de atender às necessidades do SUS.

BNDES e política industrial impulsionam investimentos

Durante o evento, Alckmin destacou a atuação do BNDES no financiamento de empresas e projetos relacionados à ampliação da capacidade produtiva brasileira.

“O BNDES tem tido um papel excepcional e a gente está promovendo uma indústria inovadora, sustentável e competitiva”, afirmou.

O banco público participa do financiamento de iniciativas voltadas à fabricação de medicamentos, vacinas, insumos e equipamentos médicos, com o objetivo de fortalecer as cadeias produtivas nacionais.

A saúde constitui uma das seis missões estratégicas da Nova Indústria Brasil. As demais abrangem o agronegócio, a infraestrutura, a transformação digital, a transição ecológica e a defesa.

Na avaliação do vice-presidente, a reforma tributária também deverá contribuir para melhorar as condições de competitividade das empresas brasileiras e favorecer a inserção dos produtos nacionais no mercado internacional.

Ao abordar a importância do agronegócio para a economia, Alckmin afirmou que o Brasil poderá ampliar sua liderança nas vendas externas de alimentos.

“O Brasil deve passar os Estados Unidos em exportação de alimentos neste ano”, declarou.

Pesquisas clínicas e inovação ganham espaço

Outra frente destacada no processo de fortalecimento da indústria nacional é o desenvolvimento de pesquisas clínicas, considerado estratégico para ampliar a capacidade brasileira de inovação em medicamentos e tratamentos.

A Lei de Pesquisas Clínicas integra o conjunto de medidas recentes voltadas à melhoria das condições para a realização de estudos científicos no país.

Segundo levantamento da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), em parceria com a IQVIA, o Brasil avançou da 18ª para a 12ª posição mundial no ranking de estudos clínicos iniciados, em um intervalo de dois anos.

A expansão das pesquisas representa uma oportunidade para fortalecer a participação brasileira no desenvolvimento de novas terapias, além de aproximar instituições científicas, empresas farmacêuticas e centros de inovação.

Envelhecimento da população exige ampliação da assistência

Alckmin também chamou a atenção para os desafios associados ao envelhecimento da população brasileira, especialmente o crescimento da demanda por serviços médicos e o aumento da incidência de doenças crônicas e outras comorbidades.

O vice-presidente ressaltou a necessidade de ampliar a capacidade de atendimento do sistema de saúde, com prioridade para ações preventivas, diagnóstico precoce e acompanhamento dos pacientes.

“Precisamos crescer a possibilidade de atendimento: atenção primária, vacina, diagnóstico rápido, tratamento adequado e reabilitação”, afirmou.

A expansão da produção nacional de medicamentos, vacinas e equipamentos está diretamente relacionada à capacidade do SUS de atender a essa demanda crescente.

Fonte: Brasil 247

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