Brasil esgota cota de carne bovina e China passa a aplicar sobretaxa de 55% a partir de outubro

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O Brasil atingiu a cota limite de carne bovina estabelecida pela China em salvaguarda divulgada no final do ano passado, o que fará com que os carregamentos da mercadoria brasileira que desembarcarem nos portos chineses passem a ser cobrados com uma sobretaxa de 55% pelo restante do ano, informa a Folha de São Paulo.

A cobrança da nova taxa passa a valer a partir de quinta-feira (1º), após as remessas do produto brasileiro atingirem o limite estipulado na terça-feira (29), segundo dados divulgados pelo Ministério do Comércio chinês. Além da sobretaxa de 55%, incide ainda sobre os produtos brasileiros uma tarifa regular de importação correspondente a 12%.

Diante do esgotamento do volume permitido, o governo brasileiro atua no cenário internacional para tentar utilizar cotas que restaram de outros países, pleito que já chegou a ser negado por Pequim no passado. No último dia 21, o presidente Lula (PT) afirmou que o Uruguai concordou em ceder seu volume restante para o país.

“Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China”, declarou o presidente Lula em publicação realizada na rede social X. Por sua vez, a chancelaria do país vizinho explicou que aceitou apresentar formalmente a Pequim o pedido para o uso do volume remanescente, ressaltando que a decisão final cabe integralmente às autoridades chinesas, que ainda não se pronunciaram sobre o caso.

Tanto o governo brasileiro quanto o setor produtivo já previam que o teto da cota seria atingido antes do término do ano. O limite anual estabelecido pelo governo chinês para o produto brasileiro equivale a apenas 65% do volume total exportado pelo Brasil para aquele mercado em 2025. O governo chinês determinou que a taxação extra seria acionada assim que o Brasil alcançasse a marca de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Para efeito de comparação, a China representou 48% de todo o volume de carne bovina exportado pelo Brasil em 2025, totalizando 1,68 milhão de toneladas e movimentando US$ 8,9 bilhões.

Para mitigar os prejuízos financeiros decorrentes do gargalo nas exportações, frigoríficos instalados no país reduziram o ritmo de produção, concedendo férias coletivas aos trabalhadores e promovendo paralisações temporárias em suas plantas industriais. O governo brasileiro chegou a realizar rodadas de negociação com as autoridades de Pequim para buscar alternativas que amenizassem os impactos sobre a pecuária nacional, mas as tratativas não surtiram efeito.

A salvaguarda foi implementada pelo governo chinês com o objetivo de conter danos às indústrias locais, que estariam sendo prejudicadas pela expansão da entrada de carne importada no mercado doméstico. A norma afeta diversos países exportadores e isenta apenas nações em desenvolvimento com participação de até 3% no total importado pela China, desde que a soma de todo esse grupo não supere 9%.

A imposição das barreiras alinha-se a uma estratégia mais ampla do governo chinês para reduzir a dependência em relação a poucos fornecedores externos. Atualmente, o Brasil é o principal fornecedor de itens essenciais para o mercado chinês, como a carne bovina e a soja. A China tem reiterado que a diversificação de parceiros comerciais é fundamental para assegurar sua segurança alimentar, situação que mantém em alerta o governo brasileiro e o setor do agronegócio.

Como a salvaguarda chinesa permanecerá em vigor até 2028, o governo e os exportadores brasileiros buscam de forma acelerada mercados alternativos para absorver a produção. Entre os potenciais compradores destacam-se os Estados Unidos, que enfrentam redução em seu rebanho bovino e demanda interna aquecida. Negociações também estão em andamento com a Coreia do Sul. Como parte desses esforços de ampliação comercial, o Ministério da Agricultura anunciou a habilitação de 21 novos frigoríficos de carne bovina para exportação à Indonésia, elevando para 73 o número de plantas brasileiras autorizadas a atender ao mercado indonésio.

Fonte: Brasil 247

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