Brasil e EUA terão primeiro encontro presencial sobre tarifaço
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – Representantes dos governos Lula e Donald Trump realizarão entre 30 de setembro e 1º de outubro o primeiro encontro presencial desde a retomada das negociações sobre o tarifaço. A reunião acontecerá nos Estados Unidos, de acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. O titular da pasta informou que o chanceler Mauro Vieira e Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, também participarão das conversas.
“As equipes técnicas do governo brasileiro e do USTR vêm conversando normalmente e trocando documentos”, afirmou Márcio Elias Rosa ao G1. A sigla mencionada pelo ministro é uma referência a United States Trade Representative, ou Representante Comercial dos EUA, em português.
No período marcado para a reunião também haverá encontros preparatórios do G20, nos EUA. “Há uma reunião do G20 programada para o dia 30 de setembro e 1º de outubro lá nos Estados Unidos e a expectativa tanto nossa quanto do USTR é que nós façamos uma reunião presencial lá”, disse Elias Rosa.
“O ministro Mauro Vieira e eu iremos para Milwaukee e lá nós teremos um encontro muito provavelmente com o embaixador Greer, do USTR”, acrescentou o titular do MDIC.
A reunião prevista para o final de setembro será a primeira presencial entre representantes dos dois países desde que Brasília e Washington retomaram as tratativas sobre o tarifaço.
Márcio Elias Rosa e Greer já haviam discutido o assunto por videoconferência em agosto. Desde então, segundo o ministro, técnicos brasileiros mantêm contato com a equipe do USTR. As conversas continuaram nas semanas seguintes ao encontro virtual e envolveram o intercâmbio de documentos entre os dois governos.
Guerra comercial dos EUA
Em 2026, os EUA anunciaram duas rodadas de tarifas contra o Brasil, uma de 25% e outra de 12,5%. A escalada comercial ocorreu em meio à condenação de Jair Bolsonaro (PL) por ministros do Supremo Tribunal Federal. O ex-mandatário recebeu pena de 27 anos de prisão no processo sobre a trama golpista. Outras 28 pessoas também foram condenadas.
As decisões do governo Trump também fazem parte de uma reação à orientação da política externa brasileira, marcada por maior aproximação com a China, os BRICS e o Sul Global. Essas três frentes representam desafios à hegemonia dos Estados Unidos na economia internacional.
Diante das medidas adotadas pelos EUA em sua política unilateralista, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta na atuação diplomática do chanceler Mauro Vieira e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade.
A legislação, sancionada em 11 de abril de 2025, também surgiu em meio a medidas adotadas por Trump. Naquele período, o presidente estadunidense ampliou a ofensiva comercial contra vários países, entre eles o Brasil, e anunciou novas sobretaxas sobre importações.
A Lei nº 15.122 criou mecanismos para que o Brasil suspenda concessões comerciais diante de medidas unilaterais tomadas por outros países que prejudiquem a competitividade da economia brasileira.
Na prática, quando um parceiro comercial adota ações que causam danos ao Brasil, o governo pode responder com diferentes tipos de contramedidas. Entre elas estão a criação de tributos ou taxas, o fim de isenções, a retirada de reduções tarifárias sobre importações e a imposição de restrições à entrada de bens ou serviços. A lei determina ainda que, sempre que possível, a resposta brasileira seja proporcional ao impacto econômico provocado pela medida adotada por outro país ou bloco econômico.
Fonte: Brasil 247