Boulos rebate Milei após ataque ao Brasil: ‘Ninguém quer comer carne de burro por aqui’
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, respondeu nesta quarta-feira (23) ao presidente da Argentina, Javier Milei, depois de o argentino voltar a atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmar que espera uma mudança de orientação política no Brasil.
Boulos classificou Milei como uma “vergonha” e recorreu a uma referência à venda de carne de burro registrada neste ano na Argentina para responder às declarações do presidente do país vizinho. “Não, obrigado @JMilei. Ninguém quer comer carne de burro por aqui. Você é uma vergonha para a América Latina e para o bravo povo argentino!”, escreveu Boulos no X.
A reação ocorreu depois de Milei afirmar, em Nova York, onde participou da Assembleia Geral das Nações Unidas, esperar que o Brasil deixe o que chamou de “curso socialista decadente”. O argentino declarou ainda que gostaria de ver o país adotar novamente o que definiu como “ideias da liberdade”.
Milei manifesta apoio a mudança política no Brasil
Questionado por jornalistas sobre a eleição presidencial brasileira e uma possível aproximação do país com o chamado Escudo das Américas, Milei afirmou torcer por uma mudança na orientação do governo brasileiro.
O presidente argentino disse esperar que o Brasil “possa abraçar novamente as ideias da liberdade e fazer parte do grupo de países livres”.
Milei tem manifestado apoio público à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Em julho, participou no Brasil do lançamento da candidatura e declarou que Flávio seria capaz de derrotar Lula. O Escudo das Américas reúne governos alinhados à iniciativa de segurança regional promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Brasil não integra o grupo.
Resposta de Boulos remete a episódio na Patagônia
A referência de Boulos à carne de burro remete a um episódio que ganhou repercussão na Argentina em abril. Uma iniciativa experimental em Trelew, na província de Chubut, colocou o produto à venda por 7.500 pesos argentinos o quilo, valor inferior ao cobrado pela carne bovina na região.
O primeiro lote foi rapidamente vendido. Segundo o jornal argentino La Nación, quatro animais, equivalentes a oito meias-carcaças, foram comercializados em poucos dias. O projeto foi apresentado como uma tentativa de encontrar alternativas produtivas para propriedades afetadas pela seca, pela perda de rentabilidade da criação de ovinos e pelas dificuldades da pecuária tradicional na Patagônia.
Embora a experiência tenha despertado grande interesse e virado assunto no debate político argentino, especialistas ressaltaram que o consumo de carne de burro continuava sendo pontual. Em Trelew, porém, seu preço era significativamente inferior ao da carne bovina, que chegava a custar 18 mil ou 19 mil pesos o quilo em determinados estabelecimentos.
Milei acumula atritos com Lula
O novo episódio se soma a uma sequência de embates retóricos entre Milei e o governo brasileiro. O presidente argentino vem fazendo críticas públicas a Lula e à esquerda brasileira enquanto se aproxima de setores da direita que disputam as eleições de 2026.
Durante sua participação no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei voltou a defender uma mudança política no Brasil e associou governos de esquerda ao socialismo e ao autoritarismo.
A troca de declarações ocorre em meio a divergências entre os dois governos também sobre temas regionais. Enquanto a Argentina aderiu ao Escudo das Américas, o governo brasileiro tem defendido uma estratégia própria para o enfrentamento ao crime organizado e ressaltado o princípio da soberania nacional nas relações com os Estados Unidos e os demais países do continente.
Fonte: Brasil 247