Bolsonaros, nunca mais
Por Gustavo Tapioca — Brasil 247
Da rebeldia da juventude que tomou as praças após o primeiro turno à indignação ensurdecedora das janelas, o Brasil trabalhador entra em vigília antifascista para barrar o projeto do atraso da extrema-direita aliada a ultradireita de Trump e Rubio.
Há datas que marcam o compasso da história não apenas pelos votos depositados nas urnas, mas pelo som cru, vibrante e coletivo das ruas e das casas. Os dias seguintes ao dia 4 e a noite de ontem, 16 de outubro, entraram para o calendário das grandes reações populares do Brasil.
Exatamente no momento em que a televisão exibia a face e o discurso do candidato Bolsonaro Filho à Presidência, as janelas de dezenas de cidades se abriram num estrondo.
O que irrompeu dali — unindo o ronco persistente de quem ocupa as ruas e praças, desde 5 de outubro, à fúria metálica das panelas da noite do dia 16 — não foi apenas ruído. Foi a voz inegociável de uma população que se recusa a flertar novamente com o abismo do fascismo, do negacionismo e da barbárie.
Das metrópoles aos bairros populares, de São Paulo ao Rio de Janeiro, de Recife a Salvador, o metal bateu ritmado contra o metal, transformando sacadas em trincheiras urbanas contra a tentativa desesperada de normalizar um projeto político que destruiu lares e zombou da vida. De milhares de vidas.
A centelha que veio do primeiro turno
Esse eco que ressoou nas janelas encontra sua raiz mais viva na energia que tomou o país logo após o resultado do primeiro turno, em 4 de outubro.
Secundaristas, universitários e a nova geração do primeiro voto decidiram que não ficariam em silêncio.
Com cartazes, bandeiras e a força de quem tem o futuro inteiro pela frente, esses jovens voltaram às ruas e puxaram os mais velhos para o centro da praça.
A juventude brasileira mostrou que “ainda está aqui” e que recusa o projeto de desmonte da pátria, num movimento que não se via desde as Diretas Já, em 1983 e 1984. Uma campanha que ganhou as ruas e mobilizou milhões de brasileiros.
Um marco da luta pela redemocratização do país, transbordando das praças para as sacadas e unindo gerações no mesmo grito de resistência.
A crueldade criminosa
Não podemos esquecer, e jamais esqueceremos, a crônica de uma tragédia anunciada.
Mais de 700 mil vidas brasileiras foram tragadas pela Covid-19, sendo que cerca de 400 mil dessas mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse ciência, empatia e vacina no tempo certo.
E não a sabotagem sistemática, o deboche e a necropolítica praticadas por Jair Bolsonaro, o pai e padrinho político que agora tenta retornar ao poder com o nome do filho, Flávio.
Os órfãos da pandemia, as famílias enlutadas e o povo brasileiro carregam essa ferida aberta que explode nas ruas, nas calçadas e nas redes, em memória das vítimas da irresponsabilidade criminosa dos Bolsonaro.
O bolsonarismo tem as mãos marcadas pelo sangue e pela desolação de centenas de milhares de lares destruídos. Os órfãos da tragédia voltam às urnas munidos da certeza de que estão aqui para dizer
“não podemos e não vamos esquecer o que vocês fizeram no governo de Jair Bolsonaro.”
A herança do caos
O candidato Flávio, filho mais velho de Jair, repete com orgulho que tem “Bolsonaro no sangue” e que vai “honrar o legado do meu pai”, e arremata:
“ele vai subir a rampa comigo em janeiro de 2027″.
Mas qual é, de fato, esse legado que Bolsonaro Filho afirma que vai honrar sobre todas as coisas?
A tragédia do governo de Jair, que Flávio Bolsonaro jura Deus que vai continuar, é responsável por medidas e desastres profundos contra a população que marcaram o período de 2019 a 2022.
A herança maldita
Os pontos nevrálgicos dessa herança catastrófica revelam-se em dez fatos inegáveis:
- A gestão criminosa da pandemia da Covid-19, que resultou em centenas de milhares de mortes evitáveis, zombando da ciência e sabotando vacinas.
- O desmonte histórico das políticas de proteção ambiental e o incentivo institucional à devastação da Amazônia e dos territórios originários.
- O retorno vergonhoso do Brasil ao Mapa da Fome, impulsionado pela disparada da inflação dos alimentos e pelo arrocho da renda.
- O desmantelamento de direitos sociais e trabalhistas, precarizando ainda mais a vida da classe trabalhadora e da juventude.
- O aprofundamento do isolamento internacional do país, submetendo a política externa a alinhamentos subalternos e vexatórios.
- A proliferação sistemática de escândalos de corrupção e a imposição de sigilos de 100 anos para blindar aliados e familiares.
- Os ataques diários e coordenados às instituições democráticas, à imprensa livre e ao sistema eleitoral brasileiro.
- A herança de um país endividado, desorganizado administrativamente e socialmente fraturado pelo discurso de ódio.
- A recusa frontal em aceitar o resultado das urnas quando perdeu as eleições de 2022 para Lula.
- A articulação criminosa de uma tentativa de golpe de Estado contra a Democracia, que previa o assassinato do presidente Lula e do vice-presidente Alckmin.
As ruas contra o projeto do caos e da morte
Enquanto nos estúdios da mídia hegemônica a tentam conferir verniz de normalidade institucional a um herdeiro político do caos, o mundo real, a outra metade da população, já deu o seu veredito nas pesquisas.
O ronco das ruas e o barulho das panelas invadiu a sala de estar de milhões de brasileiros para lembrar que o fascismo não passará incólume pela nossa história.
Estamos a oito dias exatos do momento em que o Brasil vai às urnas. Em disputa está um candidato da extrema-direita, aliado de primeira hora aos Estados Unidos de Trump e Rubio, aos quais Bolsonaro Filho jurou entregar as riquezas brasileiras.
Biografia
Não podemos esquecer e não vamos esquecer a biografia manchada de crimes e mortes do filho de Jair, de prenome Flávio — o herdeiro que jurou “honrar o legado de meu pai” para repetir o desastroso e trágico governo Bolsonaro.
Faltam apenas oito dias para o segundo turno. Dia 25 de outubro. Pegue sua arma chamada título de eleitor. Procure seu lugar na fila da seção eleitoral. E vote em quem merece seu voto.
Escolham o melhor. Votem consciente com duas perguntas na cabeça:
quem é o candidato que está mais próximo do meu modelo de presidente da República?
Qual dos dois tem biografia mais próximo da que eu considero o melhor?
É chegada a hora de o ronco ensurdecedor das ruas e o barulho metálico das panelas se transformarem em voto para o grito definito:
Bolsonaros, nunca mais!
Fonte: Brasil 247