Bolívia: organizações protestam contra o “dieselazo” de Rodrigo Paz
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – A Coordenadoria das Seis Federações do Trópico de Cochabamba declarou estado de emergência no domingo (20) e anunciou protestos a partir desta segunda-feira (21) contra o governo do presidente boliviano, Rodrigo Paz, após a eliminação do subsídio ao diesel, oficializada por meio do Decreto Supremo 5716. As informações são da teleSUR.
Os produtores de coca do Chapare fizeram um chamado à unidade das organizações sociais para exigir a revogação da medida. “Este governo tem que anular o decreto, se não anular, a partir de segunda-feira, o povo boliviano será obrigado a se mobilizar”, afirmou um dos dirigentes da Coordenadoria, após denunciar que o aumento do combustível afeta os pequenos produtores, os transportadores e toda a população.
As Seis Federações são a principal estrutura sindical de apoio ao ex-presidente boliviano Evo Morales, que permanece sob a proteção de suas bases no Trópico de Cochabamba para evitar o cumprimento de duas ordens de prisão contra ele.
LEIA TAMBÉM:
Bolívia: COB convoca conselho de emergência por “dieselazo” de Paz
Uma das representantes da organização criticou o Parlamento por aprovar a prorrogação do estado de exceção, o que abriu caminho para o fim do subsídio e para a repressão de eventuais protestos.
“O diesel já não tem um preço fixo e isso afeta a todos. Depois virá o combustível, o ‘garrafazo’”, alertou.
Governo admite que haverá inflação após eliminar subsídio ao diesel
Diante da rejeição popular, José Luis Gálvez, porta-voz oficial da Presidência do Estado, defendeu a medida como uma ação indispensável para reativar a economia e deixar para trás um sistema insustentável de comprar caro para vender barato. No entanto, reconheceu que a eliminação do subsídio provocará um efeito inflacionário sobre os preços no mercado interno.
O reajuste elevou o preço do diesel de 9,80 bolivianos para 17,95 bolivianos — equivalentes a US$ 1,83 — por litro, indexando seu valor diretamente ao mercado internacional a partir deste sábado, 19 de setembro.
A Central Operária Boliviana (COB) divulgou no sábado (19) um pronunciamento contundente para condenar o que setores populares chamaram de “dieselazo”, afirmando que a medida compromete a estabilidade das famílias trabalhadoras e provocará uma inflação descontrolada sobre a cesta básica.
A principal entidade sindical dos trabalhadores denunciou que o Executivo desrespeitou os acordos firmados anteriormente e optou pela imposição.
“O combustível não pode ser alterado sem consulta ao povo!”, enfatizou o Comitê Executivo Nacional da COB, em La Paz, que convocou um conselho ampliado para esta segunda-feira, com a presença de todas as Confederações, Federações Nacionais, Centrais Operárias Departamentais (COD) e Regionais (COR), a fim de avaliar a conjuntura, ouvir a posição dos setores filiados e definir as medidas de luta correspondentes.
¿Cómo están respondiendo los líderes populares bolivianos al “dieselazo” implementado por el presidente Paz? Entra al enlace y conoce más
https://t.co/kW41nHXaey #teleSUR #Bolivia #19Sep pic.twitter.com/ZICj0LNJ0E
— teleSUR TV (@teleSURtv) September 19, 2026
Fonte: Brasil 247