BNDES aprova R$ 329 milhões para o Rio de Janeiro criar primeira PPP de ônibus elétricos do país

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 329 milhões para a prefeitura do Rio de Janeiro implementar um projeto de eletrificação de sua frota de transporte coletivo por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP).

Os recursos são oriundos do Fundo Clima, instrumento coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e operado pelo BNDES com o objetivo de viabilizar iniciativas de transição para uma economia de baixo carbono.

A estruturação da PPP ocorre na modalidade de concessão administrativa, com vigência prevista para 16 anos. Apresentado nesta sexta-feira (25), o plano contempla a aquisição e a operação de 175 ônibus elétricos, a implantação de toda a infraestrutura necessária para a recarga das baterias e a construção de uma garagem pública destinada aos veículos. Os recursos liberados pelo banco estatal serão utilizados pelo município para apoiar a compra dos coletivos dentro do contrato da PPP, iniciativa que prevê a criação de 535 empregos diretos, incluindo motoristas, fiscais e despachantes.

A diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, destacou o pioneirismo da capital fluminense no uso dessa modelagem de crédito. “O que está acontecendo é uma revolução na mobilidade urbana, a partir da eletrificação da frota. O BNDES é hoje o principal financiador de ônibus elétrico da América Latina. E cada cidade está buscando o seu caminho. O Rio optou por um modelo muito criativo. É a primeira que buscou o modelo de PPP”, afirmou a diretora.

Luciana Costa também enfatizou o impacto ambiental, social e econômico do projeto, reforçando que o financiamento do banco exige contrapartida em desenvolvimento nacional. “Com a eletrificação, o Rio vai contribuir para que o Brasil cumpra sua meta do Acordo de Paris e para que a gente tenha menos catástrofes climáticas. Também significa que as pessoas vão se locomover com menos barulho no ônibus, com ar-condicionado, com carregamento USB. A gente está falando aqui também de geração de emprego. O BNDES não financia o ônibus importado. Exigimos que os ônibus sejam fabricados no país e os empregos gerados aqui”, acrescentou.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, explicou que a parceria integra o plano municipal de descarbonização, que prevê a substituição gradativa dos veículos a diesel por modelos elétricos e movidos a biocombustível. “É menos ruído e é menos emissão de gases que prejudicam a respiração e aumentam a incidência de algumas doenças na cidade”, salientou o prefeito.

Segundo o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, o lote inicial de 175 veículos elétricos mobilizará um investimento total de R$ 509 milhões, montante formado pela junção dos R$ 329 milhões do BNDES, da parcela de investimento da concessionária privada e da contrapartida do município. Arraes adiantou que a frota será composta por ônibus de piso baixo, equipados com recursos de acessibilidade, emissão zero de carbono, além de sensores e câmeras para monitoramento de desempenho em tempo real. “Com o andamento da PPP, o município terá obrigação de pagar as contraprestações para a concessionária. Estamos falando de um projeto que dá início à eletrificação da frota da cidade”, ressaltou o secretário.

As linhas de transporte que receberão os primeiros ônibus elétricos serão detalhadas após uma consulta pública programada para a próxima semana. Já a publicação do edital de licitação da PPP deve ocorrer durante o mês de novembro.

O projeto piloto estima evitar a emissão de 13,3 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂) por ano, totalizando aproximadamente 199,4 mil toneladas de CO₂ poupadas ao longo dos 16 anos de concessão. A medida integra a meta da prefeitura carioca de alcançar 20% da frota operando com veículos de emissão zero até 2030, o que equivale a aproximadamente mil ônibus elétricos rodando na capital.

Fonte: Brasil 247

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