Bate-bocas, troca de bilhete e abraço entre ministros marcam 1ª parte do julgamento no STF; confira os bastidores
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – A primeira parte do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o relatório da Polícia Federal (PF) a respeito da suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi marcada nesta terça-feira (15) por discussões no plenário e gestos de aproximação nos bastidores. As informações são do g1.
A sessão estava prevista para começar às 10h, mas teve início às 10h22, sob a presidência do ministro Edson Fachin. Na abertura, Fachin cumprimentou os demais integrantes da Corte. Moraes, que é alvo do relatório analisado, passou boa parte do início dos trabalhos digitando no celular.
Flávio Dino foi o último ministro a entrar no plenário, acompanhado do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ao chegar, cumprimentou pessoas nos assentos destinados aos advogados e chegou a brincar com um dos presentes.
Durante a leitura do relatório por Fachin, André Mendonça, responsável por ter solicitado à PF o documento que está em análise, fez anotações. Ao mesmo tempo, Moraes permaneceu utilizando o celular. Gilmar Mendes e Dias Toffoli conversaram durante boa parte da apresentação e chegaram a discutir um documento.
Divergências no plenário
Em outro ponto da sessão, Moraes e Dino interagiram sem incluir Mendonça na conversa, apesar de os dois se sentarem ao lado dele. Na outra extremidade do plenário, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Kássio Nunes Marques não trocaram palavras. Até a suspensão dos trabalhos, Zanin e Cármen Lúcia não haviam se manifestado.
O clima ficou mais tenso durante a explicação de Toffoli sobre os motivos pelos quais decidiu não participar da votação. Dino e Fachin divergiram sobre a interpretação do regimento do tribunal, enquanto Gilmar Mendes e Toffoli se inclinaram para acompanhar melhor os argumentos apresentados.
Após Toffoli concluir sua explicação, ele recebeu, por meio de seu assistente pessoal, um bilhete enviado por Mendonça. O ministro leu a mensagem e a guardou.
Os momentos de tensão também foram acompanhados por reações entre os integrantes da Corte. Durante um bate-boca entre Moraes e Mendonça, por exemplo, os dois trocaram olhares. Quando Mendonça mencionou a existência de uma “PF paralela”, Moraes olhou para o colega.
Em outro momento, Gilmar Mendes fez críticas a Mendonça, que reagiu balançando a cabeça em sinal de discordância. A sessão acabou sendo suspensa no começo da tarde.
Abraço entre Dino e Fachin
Com a interrupção dos trabalhos, o ambiente no plenário mudou. Gilmar Mendes e Moraes deixaram o local juntos, conversando, enquanto Dino permaneceu falando com Mendonça.
Antes de sair, Dino se levantou, dirigiu-se até Fachin e o abraçou. Os dois deixaram o plenário juntos e conversando, acompanhados por Cármen Lúcia, Fux e Zanin.
A sessão, que teve discussões entre ministros e declarações de integrantes da Corte de que não participariam da votação, foi interrompida no início da tarde.
Fonte: Brasil 247