Ataques a tiros deixam 27 mortos em Joanesburgo e Cidade do Cabo
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Dois ataques a tiros perpetrados entre a noite de sábado (26) e a madrugada de domingo (27) deixaram pelo menos 27 mortos e outros 26 feridos em áreas metropolitanas da África do Sul, conforme informações confirmadas pelo Serviço de Polícia da África do Sul (SAPS). As ações violentas ocorreram em estabelecimentos comerciais nas regiões de Joanesburgo e da Cidade do Cabo, evidenciando a gravidade da crise de segurança pública que assola o país africano e desafia as autoridades locais a conterem o avanço do crime organizado e da proliferação de armas ilegais em meio a disputas territoriais.
De acordo com os relatos oficiais compilados pelas agências de notícias e coberturas jornalísticas, o primeiro episódio violento aconteceu por volta das 21h30 de sábado em um bar localizado no município de Wedela, situado a oeste de Joanesburgo, na província de Gauteng. Na ocasião, um grupo de oito criminosos armados com fuzis AK-47 e pistolas abordou clientes nas imediações do estabelecimento antes de invadir o recinto comercial e abrir fogo de forma indiscriminada contra os frequentadores presentes.
Criminosos executam massacre em bar e incendeiam veículos na província de Gauteng
A investida criminosa na província de Gauteng resultou na morte imediata de 17 pessoas, sendo 13 homens e quatro mulheres, além de deixar outros 15 indivíduos feridos que precisaram ser socorridos para unidades de saúde da região. Antes de empreenderem fuga do local, os suspeitos ainda incendiaram dois veículos, marcando a ação com extrema violência e destruição material.
Autoridades policiais locais destacaram a complexidade da ocorrência e mobilizaram equipes especializadas para rastrear os responsáveis, cujas identidades e registros visuais já estariam sob análise preliminar das forças de segurança, sem que houvesse, contudo, prisões efetuadas até o momento da publicação desta reportagem, ressaltando que a acusação e as investigações ainda estão sob apuração e não representam condenação definitiva.
Segundo atentado deixa dezenas de vítimas em restaurante na região da Cidade do Cabo
Cerca de quatro horas após a tragédia em Joanesburgo, um segundo massacre foi registrado por volta das 1h45 de domingo em um estabelecimento de entretenimento e venda de carnes grelhadas na localidade de Lwandle, próxima à Cidade do Cabo, na província do Cabo Ocidental. Homens armados invadiram o local e dispararam contra o público, matando cinco pessoas no local e outras cinco que faleceram após dar entrada em hospitais.
O comissário provincial do Cabo Ocidental, tenente-general Sizakhele Dyantyi, estabeleceu uma equipe multidisciplinar liderada por detetives de crimes violentos graves para apurar as circunstâncias do crime. Além dos dez óbitos confirmados nesta ocorrência, outras 11 pessoas ficaram feridas e permanecem sob cuidados médicos, compondo um cenário de terror que repete o padrão de violência vivenciado poucos dias antes em Durban, onde outra chacina vitimou 11 pessoas.
Crise de segurança estrutural desafia o governo sul-africano diante do avanço de facções
Os episódios recentes somam-se a uma estatística alarmante de violência armada que registra cerca de 60 homicídios diários na África do Sul, país de 62 milhões de habitantes que enfrenta um dos maiores índices de criminalidade letal do planeta. A proliferação de armamentos pesados ilegais e as disputas territoriais ligadas ao tráfico de drogas e à mineração ilegal continuam a pressionar as estruturas estatais.
Diante desse contexto, o governo liderado pelo presidente Cyril Ramaphosa tem classificado o crime organizado como uma ameaça direta à estabilidade democrática e ao desenvolvimento socioeconômico da nação, culminando inclusive na mobilização conjunta de forças militares e policiais em zonas críticas para tentar conter a escalada de massacres que abalam profundamente a sociedade sul-africana.
Fonte: Brasil 247