Petróleo e gás: ES larga na frente na nova fronteira do descomissionamento
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Artigo de Opinião
Publicado em 27 de Setembro de 2026 às 14:00
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O Brasil está diante de uma oportunidade concreta para atrair investimentos, fortalecer cadeias produtivas e gerar empregos qualificados: o descomissionamento de estruturas offshore (no mar). A economia azul, de forma cada vez mais concreta, desponta como uma relevante oportunidade e pode posicionar o Espírito Santo como um indutor desse movimento, trazendo novamente ao Estado a chance de ser o primeiro no país a estruturar, de forma sistemática, a cadeia de descomissionamento.
O Espírito Santo é um estado litorâneo por natureza e por vocação. São mais de 400 quilômetros de costa que se projetam como novas oportunidades em um mercado de bilhões de reais que se desenha para os próximos anos. Também reúne, hoje, todas as condições para dar esse novo salto em sua trajetória industrial, tendo o mar como eixo estratégico de desenvolvimento e as parcerias internacionais como ferramentais de atração de investimentos.
No ano passado, o Espírito Santo reassumiu a posição de segundo maior produtor de petróleo do Brasil e, para este ano, tem perspectivas de incremento em sua produção de petróleo e gás.
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Ao mesmo tempo em que a extração de óleo cresce, o Estado conta com 26 projetos de descomissionamento aprovados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que juntos representam quase R$ 5 bilhões em investimentos previstos para os próximos anos. Esse volume impulsionará um movimento consistente, capaz de atrair empresas especializadas e posicionar o Estado como referência nacional.
O Espírito Santo dispõe, ainda, de infraestrutura compatível com essa nova fronteira de oportunidades, com portos e estaleiros aptos a operar atividades de desmantelamento, reciclagem e logística avançada. Soma-se a isso uma base industrial diversificada, com competências consolidadas nas áreas metalmecânica, logística e ambiental, que há décadas atende o setor de petróleo e gás. O descomissionamento mobiliza exatamente essas cadeias e representa uma oportunidade concreta para a qual o Espírito Santo está preparado.
Mas transformar potencial em realidade exige posicionamento estratégico. É preciso que a sociedade capixaba se apresente de forma clara e coordenada nos principais fóruns de decisão e debate, nacionais e internacionais, indicando o Espírito Santo como um território competitivo e confiável para receber esses investimentos.
Hoje, quase duas décadas depois da extração do primeiro óleo do pré-sal no Brasil – em setembro de 2028, no campo de Jubarte, na Bacia de Campos, no Espírito Santo –, o Estado tem novamente a chance de ser pioneiro, de se tornar o primeiro a estruturar, de forma sistemática, a cadeia de descomissionamento offshore.
Nesse sentido, demos passos concretos ao longo do último ano. Há dois anos, iniciamos a prospecção de parceiros estratégicos e realizamos, no ano passado, missões técnicas com indústrias capixabas à Europa, onde conhecemos empresas que atuam no Mar do Norte, uma das regiões mais avançadas e exigentes do mundo em descomissionamento.
Esse movimento resultou na assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) com a Decom Mission, organização do Reino Unido dedicada às operações de fim de vida no setor de energia. E, em março, recebemos uma comitiva europeia para, além de conhecer o Estado, discutir o tema em território capixaba durante o Fórum Internacional de Descomissionamento.
Sabemos que a cooperação amplia o acesso a conhecimento, tecnologia e oportunidades de negócios para empresas capixabas, fortalecendo a inserção internacional da nossa indústria. Agora, avançamos para uma nova etapa: transformar articulação, conhecimento e intenção em projetos estruturados, capazes de gerar escala, atrair investimentos e consolidar o Espírito Santo como hub nacional do descomissionamento. Isso passa por planejamento, governança, segurança jurídica e integração entre setor público, iniciativa privada e instituições de apoio à indústria.
Por isso, na última semana, a Findes esteve na ROG.e 2026, maior festival de energia do planeta, com parceiros como Sebrae, Aderes e Nova ES. Levamos para a feira palestras e lançamentos internacionais voltados ao tema do descomissionamento, além de lançarmos um curso inédito do IEL-ES voltado ao tema com foco em Offshore Decommissioning: Brasil e Mar do Norte. Essa foi uma demanda que veio do próprio mercado que está de olho nas oportunidades que surgirão nos próximos anos.
É evidente que há desafios. A agenda exige avanços regulatórios, certificações específicas, formação de mão de obra qualificada e investimentos elevados. No Brasil, ainda não existe uma atuação plenamente estruturada nessa área, o que reforça a necessidade de coordenação e visão de longo prazo.
Ainda assim, a indústria capixaba quer, e precisa, ocupar esse espaço, assumindo protagonismo em uma agenda que será cada vez mais relevante para o país.
Mais do que o descomissionamento, estamos falando de uma estratégia mais ampla: a consolidação da economia do mar, a expansão das operações portuárias, a transição energética, a digitalização dos processos produtivos e o avanço da economia verde. Queremos que o Espírito Santo seja referência nacional nessas agendas, estimulando projetos inovadores, atraindo empresas pioneiras e gerando empregos de qualidade e renda para a população.
O próximo salto industrial do Espírito Santo nasce no mar, ganha força na indústria e se concretiza nas pessoas. Ao estruturarmos a economia do mar, estamos nos antecipando ao futuro da indústria brasileira.
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