Ata do Copom e diplomacia entre EUA e China comandam as atenções do mercado na semana — mas não é só isso

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Por Carolina GamaSeu Dinheiro

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O Ibovespa começa a semana à sombra de uma perda acumulada de 1,06%, em parte, patrocinada por temores de juros elevados no mundo. Por isso, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) será crucial para os investidores — na última quarta-feira (16), o Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual (pp) e não deu sinais dos próximos passos da taxa básica.  

O documento deve ser divulgado às 8h da manhã da terça-feira (22) e a expectativa é de que a autoridade monetária dê alguma pista sobre o que deve acontecer com os juros para frente.  

A política monetária ainda vai aparecer no final da semana. Na quinta-feira (24), o Banco Central publica o Relatório de Política Monetária, documento trimestral que detalha o cenário econômico e apresenta projeções de inflação estendidas até o fim de 2028.  

Para fechar o calendário, na sexta-feira (25), o mercado conhecerá o IPCA-15 de setembro, prévia da inflação que servirá como teste de fogo imediato para os cenários traçados pelo BC. 

Não esqueça o trade eleitoral 

Junto com a preocupação com os juros aqui e lá fora, a disputa acirrada para presidente da República na eleição deste ano vem ditando os rumos do mercado — e qualquer assunto que possa mexer com a corrida ao Palácio do Planalto tem feito preço no mercado.

Nos últimos cinco pregões estiveram no radar o reajuste de 15% no Bolsa Família e o custo fiscal da medida a partir do ano que vem, e a crise envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.  

Esses temas devem continuar na agenda dos investidores, que também monitoram uma série de levantamentos de intenção de voto. 

As pesquisas BTG Pactual/Nexus e Quaest devem abrir a semana, com divulgação prevista para segunda-feira (21). Na quarta (23) é a vez da AtlasIntel/Bloomberg. Na quinta (24), Real Big Data deve ser anunciada. Entre quinta (24) e sexta (25) saem as pesquisas Datafolha e PoderData/Aya.  

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Juros no radar aqui, Trump na mira lá fora 

No cenário internacional, o grande destaque gira em torno da geopolítica e do comércio global.  

O mercado acompanha com enorme expectativa o potencial encontro entre Donald Trump e Xi Jinping nos Estados Unidos.  

Embora a reunião ainda não tenha sido confirmada oficialmente, qualquer avanço nas conversas entre os líderes das duas maiores economias do mundo traz o potencial de desescalar as tensões da guerra comercial, injetando otimismo nos ativos globais. 

Além da diplomacia, a agenda externa contará com a divulgação dos índices de gerentes de compras, os PMIs, dos Estados Unidos e da Zona do Euro na quarta-feira (23), balizando o ritmo de crescimento europeu no encerramento do trimestre.  

Nos Estados Unidos, o foco também recairá sobre os discursos de integrantes do Federal Reserve (Fed) ao longo da semana.  

No mesmo dia que o BC brasileiro cortou a Selic a 13,75% ao ano, o banco central norte-americano subiu os juros em 0,25 pp pela primeira vez em três anos.  

Como Kevin Warsh, presidente do Fed, não costuma mais fornecer forward guidance (orientações futuras) ao mercado, os investidores devem prestar ainda mais atenção nas declarações dos dirigentes sobre como o comitê interpreta o atual momento econômico e desenha o futuro dos juros após a decisão recente. 

Juros na América Latina  

A política monetária também dita o ritmo do calendário da América Latina, além dos indicadores.  

Na quarta-feira (23), as atenções no Chile se voltam para os dados de exportações de cobre, essenciais para medir a recuperação da produção em setembro.  

Na quinta-feira (24), o Banco Central do Chile divulga a pesquisa com operadores do mercado financeiro. Já no México, a expectativa é de que o Banxico mantenha a taxa básica de juros inalterada em 6,5% ao ano, encerrando um ciclo semanal intenso para as finanças globais e locais. 

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Fonte: Seu Dinheiro

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