Lula embarca para ONU e avisa: “Brasil respeita todo mundo e exige respeito”

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste domingo (20) para Nova York afirmando que levará à Assembleia Geral das Nações Unidas uma mensagem de defesa da soberania brasileira, da paz e do diálogo entre os países. O presidente fará na terça-feira (22) o primeiro discurso de um chefe de Estado no Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral.

Em publicação feita neste domingo (20) em seu perfil oficial no X, Lula afirmou que representará um país que respeita outras nações, mas também reivindica tratamento equivalente no cenário internacional.

“A caminho de Nova York. Lá, mais uma vez, terei a honra e a responsabilidade de representar o Brasil e o povo brasileiro na Assembleia Geral da ONU. Somos um país soberano, de economia forte e que cuida da sua população e das suas riquezas. Que respeita todo mundo e exige respeito. E que defende a paz e o diálogo entre as nações. É este o Brasil que estará presente, terça-feira, na abertura na ONU”, escreveu.

O presidente também desejou “um bom trabalho” ao vice-presidente Geraldo Alckmin, que assume interinamente a Presidência da República durante sua ausência.

O Debate Geral da 81ª Assembleia Geral ocorrerá entre terça-feira (22) e 28 de setembro, na sede das Nações Unidas, em Nova York. A ONU confirma que o Brasil mantém desde 1955 a tradição de abrir os discursos do encontro, antes dos Estados Unidos, país anfitrião.

Soberania entra no centro da agenda

A declaração feita por Lula antes do embarque antecipa um dos eixos que deverão marcar sua passagem por Nova York. Além das tradicionais pautas brasileiras de multilateralismo e reforma das instituições internacionais, o princípio da soberania ganhou relevância adicional diante das recentes divergências entre Brasília e Washington e da proximidade das eleições presidenciais brasileiras.

Lula tem sustentado que decisões relacionadas ao processo político e eleitoral do Brasil devem ser tomadas pelos próprios brasileiros. O tema passou a ocupar espaço maior nas relações com os Estados Unidos durante o segundo mandato de Donald Trump.

Nos últimos dias, a discussão também ganhou repercussão depois de Eduardo Bolsonaro afirmar, em Washington, considerar-se um “dissidente político”. O ex-deputado manifestou apoio à inclusão de referências a “dissidentes políticos” em exigências apresentadas pelos Estados Unidos ao Brasil nas negociações comerciais realizadas em 2025, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

A questão ocorre em meio às articulações de Eduardo e do comentarista Paulo Figueiredo junto ao governo norte-americano. Os dois se reuniram na quarta-feira (16) com integrantes do Departamento de Estado e defenderam a aplicação ou retomada de sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.

Pressões em Washington

A movimentação também alcançou o Congresso dos Estados Unidos. O deputado republicano Chris Smith enviou na terça-feira (15) uma carta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA), na qual pediu maior atenção à situação brasileira e ao processo eleitoral.

Smith fez referências ao STF, a Alexandre de Moraes e a desdobramentos relacionados ao caso Banco Master. A carta pediu medidas voltadas, na avaliação do parlamentar, à proteção da liberdade de expressão e à realização de eleições livres no Brasil.

A iniciativa do congressista não altera o calendário nem as regras do processo eleitoral brasileiro. A própria OEA já havia firmado em 13 de agosto um acordo com o governo brasileiro para o envio de uma Missão de Observação Eleitoral às eleições gerais marcadas para 4 de outubro. Um eventual segundo turno está previsto para 25 de outubro.

Nesse ambiente, a formulação utilizada por Lula antes de deixar o país, de que o Brasil “respeita todo mundo e exige respeito”, acrescenta uma dimensão diplomática à defesa da autonomia brasileira que deverá aparecer em Nova York.

Paz, diálogo e multilateralismo

O presidente também colocou paz e diálogo entre as prioridades que pretende levar às Nações Unidas. A agenda está em sintonia com temas recorrentes da diplomacia brasileira, como a solução negociada de conflitos, o respeito ao direito internacional e o fortalecimento de organismos multilaterais.

A Assembleia Geral deste ano ocorre num cenário marcado por conflitos armados, tensões geopolíticas e dificuldades das instituições internacionais em produzir respostas consensuais. A própria ONU definiu como tema da 81ª sessão “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

A Semana de Alto Nível reúne representantes dos 193 Estados-membros. Além do Debate Geral, a programação inclui encontros sobre ação climática, transição justa, preparação para pandemias, elevação do nível do mar, direito ao desenvolvimento e combate ao racismo.

Brasil cobra reforma da ONU

Outro ponto recorrente da política externa do governo Lula é a reforma das estruturas de governança internacional, especialmente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Brasil defende há anos a ampliação da representação de países em desenvolvimento e de regiões como América Latina e África no principal órgão responsável por decisões relacionadas à paz e à segurança internacionais.

Lula também tem questionado a atual distribuição de poder no Conselho de Segurança e defendido mudanças em sua composição, nos métodos de funcionamento e no sistema de veto dos membros permanentes.

A posição parte do diagnóstico brasileiro de que uma estrutura definida no cenário posterior à Segunda Guerra Mundial não representa adequadamente o equilíbrio econômico, demográfico e político do século XXI.

Brasil abre os discursos na terça-feira

O momento central da participação presidencial ocorrerá na terça-feira (22), quando Lula subirá à tribuna da Assembleia Geral.

Segundo a ONU, o Brasil abre o Debate Geral desde 1955. Na sequência, tradicionalmente fala o representante dos Estados Unidos. Neste ano, portanto, os discursos de Lula e Donald Trump ocorrerão no primeiro dia de pronunciamentos dos líderes mundiais.

A Assembleia Geral começou formalmente em 8 de setembro, mas o Debate Geral com chefes de Estado, chefes de governo e outros representantes de alto nível terá início somente na terça-feira (22) e seguirá até 28 de setembro.

Ao antecipar sua mensagem ainda no Brasil, Lula procurou condensar os princípios que pretende apresentar na ONU: soberania, respeito recíproco entre os países, proteção das riquezas nacionais, defesa da população e solução negociada das divergências.

“Que respeita todo mundo e exige respeito. E que defende a paz e o diálogo entre as nações”, afirmou o presidente antes de seguir para Nova York.

Fonte: Brasil 247

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