Apoio a Flávio Bolsonaro fortalece Ricardo Nunes para suceder Tarcísio em SP

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), ampliou sua influência entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e passou a ser considerado um dos principais nomes para disputar a sucessão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2030. O movimento ocorre após o envolvimento direto do emedebista na campanha presidencial do senador, com participação na articulação política, na mobilização de apoios e na organização de compromissos eleitorais.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, aliados de Nunes e Flávio afirmam, sob reserva, que o presidenciável já teria sinalizado disposição para apoiar o prefeito na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O senador também teria indicado que deixaria a Nunes a condução das negociações para definir seu sucessor na Prefeitura de São Paulo. O prefeito, entretanto, negou que essas conversas tenham ocorrido.

“Nunca tive essa conversa sobre sucessão ou eleição ao governo com o Flávio”, afirmou Nunes ao Estadão. Procurado pelo jornal, o senador não se manifestou.

Participação na campanha amplia prestígio de Nunes

A atuação do prefeito na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro envolveu diferentes iniciativas. Nunes colocou integrantes de sua equipe à disposição do candidato, entre eles o secretário especial de Comunicação, Fábio Portela, que passou a colaborar com a área de imprensa da campanha.

O emedebista também participou da organização de agendas na capital paulista, incluindo visitas à periferia e encontros com representantes do setor empresarial. Além disso, ajudou a mobilizar vereadores e prefeitos e contribuiu para a elaboração do programa de governo do candidato do PL.

No segundo turno, Nunes assumiu papel de destaque na articulação que resultou na declaração de apoio de 17 diretórios estaduais do MDB à candidatura de Flávio.

O envolvimento do prefeito foi elogiado por Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Jair Bolsonaro, que comparou a atuação dos principais aliados do senador a posições de um time de futebol.

“O prefeito Ricardo Nunes é o camisa 9 da campanha do Flávio, centroavante que marcou vários gols ao longo da disputa”, declarou Wajngarten, classificando Tarcísio como o “camisa 10”.

“Nunes, sem dúvida nenhuma, ocupa uma posição de protagonismo na linha sucessória do Tarcísio”, acrescentou.

Flávio Bolsonaro elogia prefeito e destaca lealdade política

O reconhecimento público de Flávio Bolsonaro ao prefeito também reforçou sua posição entre os aliados do senador. Durante o evento que oficializou o apoio dos diretórios estaduais do MDB à candidatura presidencial, Flávio recordou as resistências enfrentadas por Nunes dentro do bolsonarismo na eleição municipal de 2024.

Na ocasião, parte dos apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) questionava a decisão de apoiar o emedebista na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Flávio Bolsonaro afirmou que Nunes acabou superando essas críticas e “calou a boca de todo mundo com trabalho”.

O senador também destacou o perfil político do prefeito e sua capacidade de articulação.

“Você é um cara que, além de uma pessoa muito inteligente e preparada, é um agregador”, afirmou Flávio Bolsonaro.

Em seguida, ressaltou a participação de Nunes nos momentos mais difíceis da campanha presidencial.

“E eu virei seu fã, de coração. Até nos momentos mais difíceis dessa campanha e pré-campanha, o Ricardo [Nunes] estava do meu lado, o Tarcísio também, e eu sei valorizar isso. Eu vou ser um presidente que vou ter consideração, eu sei reconhecer o trabalho e a dedicação de cada um na construção de um País”, declarou.

A aproximação representa uma mudança na relação política entre Nunes e o bolsonarismo. Em 2024, o prefeito dependia do apoio do grupo para conquistar a reeleição. Jair Bolsonaro formalizou sua adesão à candidatura, mas também fez gestos ao então adversário Pablo Marçal durante a disputa municipal.

Agora, é Nunes quem oferece apoio político e estrutura de articulação à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Apesar dos elogios, a participação do prefeito na campanha não é vista de maneira unânime por seus aliados. Uma parcela considera que a associação intensa ao bolsonarismo pode representar um risco eleitoral, especialmente diante da rejeição ao grupo político na capital paulista.

No entorno de Flávio Bolsonaro, por outro lado, a dedicação de Nunes é descrita como uma “grata surpresa”. Alguns aliados avaliam que seu envolvimento foi mais expressivo do que o de Tarcísio durante o primeiro turno.

Proximidade com Tarcísio favorece projeto para 2030

Além do espaço conquistado junto à família Bolsonaro, Ricardo Nunes conta com a relação política construída com Tarcísio de Freitas como um de seus principais ativos para uma eventual candidatura ao governo paulista.

Os dois estreitaram a parceria durante a eleição municipal de 2024, quando o governador teve participação importante na campanha de reeleição do prefeito. Desde então, passaram a demonstrar publicamente proximidade, tratando-se como “irmãos”.

Na eleição estadual deste ano, Nunes retribuiu o apoio ao contribuir para o desempenho de Tarcísio na capital e na Grande São Paulo, regiões onde o governador conseguiu superar Fernando Haddad (PT).

Felício Ramuth pode disputar espaço com Nunes

Um dos principais obstáculos a uma eventual candidatura de Ricardo Nunes é o vice-governador Felício Ramuth (MDB), também considerado próximo de Tarcísio.

De acordo com a reportagem, integrantes do MDB trabalham com a possibilidade de uma disputa interna entre Nunes e Ramuth pela indicação ao governo paulista em 2030.

Nesse cenário, Tarcísio poderia deixar o cargo no início daquele ano para concorrer à Presidência da República ou a outra função eletiva. A eventual renúncia permitiria que Ramuth assumisse o governo e chegasse ao período eleitoral no comando da administração estadual.

A posição institucional do vice-governador seria, portanto, um fator relevante nas negociações partidárias.

Segundo emedebistas ouvidos pelo jornal, Tarcísio também teve participação na filiação de Ramuth ao MDB, movimento que fortaleceu a presença do vice-governador na legenda.

Apesar das projeções, dirigentes partidários consideram prematuro antecipar a disputa de 2030. Entre os argumentos está o episódio envolvendo Gilberto Kassab (PSD), que buscou espaço na composição da chapa de Tarcísio nesta eleição, mas acabou preterido em favor de Ramuth.

A avaliação é que movimentações antecipadas podem prejudicar as pretensões dos interessados.

Sucessão na Prefeitura será primeiro desafio político

Antes de definir uma eventual candidatura ao governo estadual, Ricardo Nunes terá de conduzir a escolha do nome que representará seu grupo político na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2028.

O prefeito já estabeleceu uma restrição à composição de sua sucessão municipal. Em entrevista ao jornal O Globo, afirmou que em “hipótese alguma” apoiará o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo).

A preferência de Nunes é trabalhar pela candidatura de um integrante de sua própria equipe administrativa.

Entre os nomes considerados estão Sidney Cruz (MDB), ex-secretário municipal de Habitação e recém-eleito deputado federal, e Fabricio Cobra, responsável pela Secretaria Municipal das Subprefeituras.

Fonte: Brasil 247

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