Anúncio de pronunciamento de Moraes surpreendeu ministros, em meio à crise no STF

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Por Maiara MarinhoCarta Capital

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O discurso, porém, foi cancelado minutos depois, sem indicação de nova data

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes anunciou na manhã desta quinta-feira 10 que faria um pronunciamento, acrescentando que não haveria transmissão ao vivo pela TV Justiça e que as imagens chegariam posteriormente à imprensa. Poucos depois, porém, o magistrado cancelou o discurso e informou que falaria em “momento oportuno”.

A manifestação ocorreria um dia após o presidente da Corte, Edson Fachin, agendar para a próxima terça-feira 15 uma sessão voltada a analisar um pedido de investigação contra Moraes apresentado por André Mendonça, no contexto de mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Segundo apurou CartaCapital, Moraes não informou aos colegas que faria um pronunciamento. Eles receberam a notícia com surpresa, uma vez que esse tipo de manifestação é incomum. O plenário deve realizar a sessão agendada para as 14h desta quinta, o que abre espaço para discursos — inclusive de Moraes.

Interlocutores da Corte ouvidos sob reserva avaliam que o ministro se prepara para iniciar sua defesa diante das acusações no Caso Master e pode fazer uma espécie de prestação de contas sobre seu trabalho como relator do Inquérito das Fake News, após Fachin assumir o controle do processo. Alguns magistrados também projetam que Moraes pode tentar “arrastar” outros colegas citados na investigação do Master, como Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.

A nova crise no STF, que escalou nesta semana, ganhou tração após a Polícia Federal contestar à Advocacia-Geral da União a postura “intervencionista” de Mendonça na relatoria dos casos Master e INSS. A AGU, por sua vez, negou levar o pedido adiante.

Segundo a PF, Mendonça exigia informações sobre o trabalho dos agentes no curso das apurações, extrapolando a sua função de juiz e interferindo na autonomia da corporação.

Neste contexto, o ministro solicitou à PF que identificasse o destinatário de mensagens enviadas por Vorcaro. Um relatório da corporação apontou Moraes, que, em resposta, solicitou a investigação do colega por abuso de autoridade.

Em meio ao caos na Corte, Edson Fachin assumiu a chefia do Inquérito das Fake News, suspendeu o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça, e marcou a sessão que decidirá se Moraes será ou não investigado. As medidas foram bem recebidas por colegas, que as consideram “institucionais”.


Maiara Marinho

Repórter de CartaCapital baseada em Brasília, cobrindo o Poder Judiciário. Possui menção honrosa pela Agência LivreJor e mestrado em Comunicação e Cultura na UFRJ. Publicações em Le Monde Diplomatique Brasil, UOL e Repórter Brasil.

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Fonte: Carta Capital

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