ANJL contesta pesquisa Atlas/Bloomberg sobre bets e defende debate focado em regulação e combate ao mercado ilegal

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) declarou que os dados da pesquisa Atlas/Bloomberg, que aponta que 75% dos brasileiros apoiam a proibição das apostas de quota fixa (as chamadas bets), devem ser analisados com cautela, informa a entidade. Para a associação, o questionamento central levado à sociedade não deveria ser simplesmente “proibir ou não proibir as bets”, mas sim colocar em pauta o aumento da regulação, o fortalecimento da fiscalização e o aprimoramento dos mecanismos de proteção aos apostadores.

A entidade enfatiza que o levantamento não apresentou ao entrevistado uma informação fundamental para a tomada de decisão: a dimensão e os riscos inerentes ao mercado ilegal. Segundo a ANJL, é inviável avaliar uma eventual proibição sem discutir expressamente para onde migrará a demanda atualmente atendida pelo mercado regulado e quais serão as consequências dessa transferência de público para a clandestinidade.

Essa ausência de debate torna-se ainda mais relevante ao se considerar que o mercado ilegal já representa uma parcela expressiva das apostas no Brasil. O próprio Tribunal de Contas da União (TCU) estima que entre 41% e 51% do volume de apostas esteja concentrado no mercado clandestino, o que pode representar uma movimentação de até R$ 40 bilhões por ano.

Ao consultar a população sobre a proibição do setor sem evidenciar os riscos associados à expansão da clandestinidade — que inclui a ocorrência de crimes como lavagem de dinheiro, evasão fiscal e o fortalecimento de estruturas criminosas —, a pesquisa oferece apenas uma parte da equação. A associação argumenta que proibir não significa necessariamente eliminar a demanda do consumidor, mas sim transferi-la para operadores que não estão sujeitos a qualquer tipo de fiscalização por parte do Estado.

Outro ponto destacado pela ANJL diz respeito à postura adotada pelo Governo Federal, que estaria contribuindo para a construção de uma percepção pública predominantemente negativa sobre o setor. De acordo com a entidade, isso ocorre ao se enfatizar os problemas do segmento sem conceder o mesmo espaço aos resultados da regulação, aos mecanismos de controle já implementados e à clara distinção entre operadores autorizados e ilegais. Na avaliação da associação, se a comunicação pública expõe apenas os riscos das apostas legais enquanto praticamente omite os perigos da ilegalidade, é natural que a percepção negativa seja reforçada.

Por fim, a ANJL defende que um debate responsável com a sociedade deve apresentar todas as alternativas e todos os seus custos: a opção pela proibição ou o aperfeiçoamento da regulação combinado com o combate intensificado ao mercado clandestino. Para a entidade, é essa discussão completa que deveria orientar qualquer decisão de política pública no país.

Fonte: Brasil 247

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