André Mendonça, do STF, prorroga suspensão de multas por saúde mental nas empresas por mais 90 dias; o que muda?
Por Felipe Rabioglio — ICL Notícias
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Por Cristiane Gercina
(Folhapress) – O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), prorrogou por mais 90 dias a aplicação de multas a empresas por descumprimento às regras de saúde mental previstas na NR-1 (Norma Regulamentadora 1).
O prazo da primeira suspensão dada por ele em pedido liminar feito pela Confenen (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino) havia expirado na quarta-feira (23). Na noite desta quinta (24), ele prorrogou a suspensão.
Pela decisão provisória, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) está proibido de aplicar punições pela falta de mapeamento dos riscos psicossociais no trabalho.
Em nota, o ministério afirma que a decisão de Mendonça “permite a continuidade das tratativas de conciliação” e diz ainda que “A medida não suspende toda a NR-1, mas apenas a aplicação de penalidades relacionadas aos itens abrangidos pela decisão”.
Na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 1.316, a confederação questiona alterações da norma, que passaram a exigir identificação, avaliação e gerenciamento de fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, sob pena de multa.
O MTE não divulgou os valores das multas, que já havia suspendido suspensões em 26 de maio, quando a medida passou a valer. Na ocasião, cartilha do ministério determinava aos auditores-fiscais do trabalho visitas técnicas e orientativas às empresas. A validade da decisão de Mendonça acaba em dezembro.
Segundo a confederação, há falhas nas regras, porque elas não definiriam parâmetros claros para orientar empregadores e fiscalizadores sobre a forma de avaliação desses fatores nem os requisitos necessários para a aplicação de penalidades.
Em junho, quando suspendeu a possibilidade de multas, Mendonça encaminhou o caso ao Nusol (Núcleo de Solução Consensual de Conflitos) do Supremo, em decisão confirmada pelo plenário. Após a primeira reunião de conciliação, em 14 de setembro, duas outras confederações -de Saúde e de Bens, Serviços e Turismo- pediram a prorrogação, pois querem mais tempo para negociar com o governo.
A AGU (Advocacia-Geral da União) quer levar o caso a outro órgão do STF, a Sejan (Câmara de Promoção de Segurança Jurídica no Ambiente de Negócios. Há prazo de cinco dias para apresentar os argumentos em favor de debater as mudanças da NR-1 nesta instância.
À reportagem, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, havia dito em agosto que esperava a ação do Supremo no sentido de uma conciliação. Ele lembrou que a NR-1 foi modificada em 2024, que o MTE deu prazo de mais de dois anos para as empresas se adaptarem e que a preocupação é com a saúde mental dos trabalhadores, já que afastamentos por burnout e outras síndromes relacionadas ao trabalho vêm crescendo.
Levantamento realizado pela Heach Recursos Humanos com 1.730 empresas brasileiras aponta que 7 em cada 10 organizações afirmam não entender o que muda com a atualização da NR-1, enquanto 62% dizem que ainda não têm indicadores formais para identificar e monitorar riscos psicossociais.
Enquanto isso, os casos de burnout saltaram seis vezes e pressionam a Previdência Social e, segundo relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 15% dos adultos em idade profissional apresentam algum tipo de transtorno mental em algum momento da carreira.
Pesquisa da Anamt com dados do INSS mostra ainda que as licenças médicas por problemas mentais com mais de 15 dias saltaram de 219.850, em 2023, para 393.670 até novembro de 2025. O crescimento de 79% custou mais de R$ 954 milhões aos cofres públicos no último ano.
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Fonte: ICL Notícias




