Ana Elisa denuncia novas ameaças após ataques de Nikolas em meio a ação coordenada de rede extremista

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Por Leonardo Sobreira — Brasil 247

247 – A deputada federal eleita Ana Elisa, do PT de Minas Gerais, denunciou na noite de quinta-feira (8) ameaças de morte e estupro após uma série de ataques nas redes sociais que, segundo ela, se intensificaram depois de publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A parlamentar eleita afirmou que teve sua segurança comprometida e responsabilizou Nikolas e outros dois políticos mineiros pela disseminação de conteúdos contra ela. Diante das ameaças, sua equipe decidiu desativar seu perfil na rede social X, antigo Twitter.

A controvérsia começou após publicações do usuário Felipe Leme, identificado na plataforma como @Leme12, que recuperou postagens antigas de Ana Elisa sobre o fechamento de igrejas. O conteúdo passou a circular entre perfis bolsonaristas e foi repercutido por Nikolas Ferreira, que também publicou montagens atacando a deputada eleita. Ana Elisa afirma que os ataques foram coordenados e se transformaram em ameaças à sua integridade física.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Ana Elisa relatou o agravamento da situação e afirmou que as ameaças passaram a chegar com frequência após as manifestações de Nikolas. Ela também mencionou Gleidson Azevedo e Eduardo Azevedo, irmãos do governador eleito de Minas Gerais, o senador Cleitinho (Republicanos).

“Pessoal, hoje mais cedo eu denunciei sobre as ameaças que eu estava sofrendo. Ataques coordenados bolsonaristas, o que não mudou agora na parte da noite. Acontece que agora, com as postagens do deputado federal Nikolas Ferreira, estou sofrendo mais ameaças de morte. Acredito que ninguém mereça sofrer ameaça de morte por estar politicamente engajado e tentando defender o que acha melhor para o país. O debate político para mim nunca foi sobre isso. A minha equipe desativou minha conta no Twitter porque estávamos recebendo ameaças de morte a cada dois minutos, ameaça de morte e ameaça de estupro. Estou totalmente vulnerável. Por enquanto, não tenho uma força-tarefa de segurança, e se qualquer coisa acontecer comigo, espero que vocês atribuam à conta de Nikolas Ferreira, Gleidson e Eduardo Azevedo, que foram as três pessoas que ajudaram a disseminar fake news contra mim aqui nas redes sociais. Fico por aqui”, disse Ana Elisa em postagem nas redes sociais.

Gleidson e Eduardo Azevedo foram eleitos no último domingo. Gleidson conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Eduardo foi reeleito para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Em outra publicação, Ana Elisa afirmou que passou a ser alvo de montagens e conteúdos destinados a ridicularizá-la depois de decidir participar da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A deputada eleita também destacou sua condição de mulher negra ao manifestar preocupação com as consequências dos ataques.

“Fiquei 45 dias fazendo campanha para mim. Agora vim ajudar na campanha do presidente Lula, e agora estou sendo alvo disso aí do gabinete do ódio. Montagens, prints, fotos minhas me ridicularizando. Não sabia que o debate político seria pautado dessa maneira. Achei que discutiríamos ideias, políticas. Portanto, fica aqui meu apelo. Sabemos o que eles fazem com uma mulher preta na política. Por isso, já estou falando para vocês, a quem associar caso aconteça qualquer coisa comigo nas próximas horas. Esse é o debate que estamos levando”, disse Ana Elisa.

Entre os conteúdos divulgados por Nikolas Ferreira está uma montagem que associa Ana Elisa ao influenciador conhecido como “Charles Henriquepédia”. Na publicação, feita na noite de quinta-feira, o deputado escreveu: “gostava mais quando era humorista”.

Em outra postagem, Nikolas compartilhou uma montagem em vídeo que associa a parlamentar eleita à primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. O conteúdo foi publicado em resposta a uma manifestação do usuário Felipe Leme, que mantém interações frequentes com o deputado federal nas redes sociais.

Essas interações também chamaram a atenção de Ana Elisa pelo emprego da palavra “resenha”, utilizada por Nikolas em uma troca de mensagens com Leme.

O deputado também publicou uma montagem em que aparece lendo um jornal fictício com a manchete “Resenha Confirmada”. Na legenda, escreveu: “Janjinha não aguentou a resenha aqui, imagina no congresso. Foi um prazer, rapazes”.

A deputada eleita relaciona o uso do termo “resenha” a uma comunidade virtual identificada como “bolha da resenha”, associada a perfis de extrema direita e a conteúdos de caráter neonazista.

A expressão aparece no documento oficial “Glossário Analítico das Subculturas Violentas e Linguagens Digitais”, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Segundo o órgão, a chamada “bolha da resenha” é definida da seguinte maneira:

Expressão popular usada em ambientes digitais brasileiros para descrever grupos de jovens, principalmente do público masculino, que se reúnem em torno de conteúdos de humor, memes e linguagem coloquial voltados à “zoeira” (trollagem) e à autoafirmação. Embora nem sempre apresentem caráter extremista, algumas dessas comunidades (conhecidas como “bolhas” nas redes sociais) podem servir de porta de entrada para discursos de misoginia, intolerância e banalização da violência. O termo também é utilizado para caracterizar um espaço virtual onde comportamentos machistas são normalizados sob a justificativa de “brincadeira” ou “resenha”.

A definição apresentada pelo MPRS ressalta que essas comunidades nem sempre possuem caráter extremista, mas podem funcionar como ambientes de disseminação de discursos de ódio e de normalização da violência. A utilização do termo “resenha”, isoladamente, não comprova o envolvimento de uma pessoa com organizações extremistas.

Felipe Leme, responsável por coordenar os ataques contra ela, também utiliza a expressão em suas publicações. Em 4 de outubro, escreveu “que resenha” ao comemorar nas redes sociais o fato de Nikolas Ferreira ter recebido mais votos do que Renan Santos, ex-candidato à Presidência pelo partido Missão.

A mobilização contra Ana Elisa teve início quando Felipe Leme recuperou postagens antigas da deputada eleita relacionadas ao “fechamento de igrejas”. A partir desse conteúdo, ele passou a divulgar na rede X o lema “LULA NÃO FECHE MINHA IGREJA”, posteriormente reproduzido por Nikolas Ferreira.

A repercussão das publicações foi acompanhada por uma sequência de ataques dirigidos à parlamentar eleita. Diante da situação, a equipe de Ana Elisa desativou seu perfil na plataforma.

Fonte: Brasil 247

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