Ana Elisa afirma que esquerda ainda pode dominar as redes sociais
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT), de 21 anos, afirmou nesta quinta-feira (8) que a esquerda ainda tem tempo para ampliar sua presença nas redes sociais durante o segundo turno das eleições. A declaração foi dada em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews.
Mulher mais votada para deputada federal em Minas Gerais, Ana Elisa avaliou que o resultado das urnas apontou um desgaste das formas tradicionais de fazer política e defendeu uma mudança na comunicação da esquerda.
“Na minha avaliação, ficou provado para todos aqueles que achavam que rede social não elegia, que rede social elege, e o recado do cansaço, não das pessoas mais velhas, mas do jeito velho de fazer política”, disse.
Segundo a deputada eleita, as plataformas digitais passaram a ocupar um espaço central na comunicação política, enquanto a direita teria ampliado sua atuação nesse ambiente desde as eleições de 2018.
Após o primeiro turno, Ana Elisa foi a Brasília (DF) para apresentar sua experiência nas redes sociais à equipe de comunicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na terça-feira (6), ela e sua equipe participaram de uma reunião com integrantes da comunicação da campanha de Lula, que terminou às 22h. Antes disso, Ana Elisa também se encontrou com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
“Nós conversamos com a equipe de comunicação do presidente Lula, que levou adiante tudo o que eu e minha equipe passamos”, afirmou. A parlamentar defendeu uma atenção maior às redes sociais durante a campanha. “Obviamente que rede social não é tudo, mas rede social é muita coisa e eu costumo dizer que o único lugar que nós perdemos foi as redes”, disse.
Diálogo com eleitores de direita
Ana Elisa também defendeu que a esquerda procure dialogar com eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo. Para ela, o crescimento do movimento ligado ao ex-mandatário Jair Bolsonaro reduziu o espaço de outras correntes políticas de direita. “A direita foi engolida pelo bolsonarismo”, afirmou.
A deputada citou eleitores de Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, e do deputado federal Kim Kataguiri como grupos com os quais o PT poderia buscar diálogo durante o segundo turno.
Ana Elisa afirmou considerar possível que parte desses eleitores vote em Lula sem declarar publicamente apoio ao presidente. Ela ponderou, porém, que essa é uma avaliação pessoal e que não discutiu a estratégia com a coordenação da campanha.
A deputada também defendeu uma distinção entre direita e bolsonarismo. “Mesmo que o meu aspecto político-ideológico seja de esquerda, é democrático que exista em sociedade direita, mas o bolsonarismo não”, afirmou.
Segundo Ana Elisa, a aproximação com eleitores que pensam de forma diferente deve ocorrer por meio do diálogo, sem ataques motivados por divergências políticas.
Participação dos jovens
Aos 21 anos, Ana Elisa também defendeu uma participação maior dos jovens na política. Ela afirmou que sua geração é frequentemente vista pelas gerações mais velhas como desinteressada dos assuntos políticos.
“Quando eu comecei a atuar só nas redes sociais, eu percebi que a juventude gosta muito de aprender. Mas talvez gerações que não são as nossas tenham preguiça de ensinar, porque entende-se que política não é coisa pra gente da nossa idade, e é coisa pra gente da nossa idade”, disse.
A deputada contou que seu envolvimento político começou na infância, influenciado pela mãe, que é sindicalista e a levava para manifestações e atividades de sindicatos.
Ela também defendeu que o PT abra mais espaço para novas lideranças. Segundo Ana Elisa, Lula havia defendido no início do ano o rejuvenescimento do partido, mas a orientação pode não ter sido incorporada da mesma maneira por todos os integrantes da legenda.
Ao falar sobre os desafios que pretende enfrentar no Congresso, a deputada mencionou ameaças e episódios de violência política de gênero e raça.
“Eu vivo um dia de cada vez, porque eu sei que eu sou o sonho mais sonhado da minha ancestralidade”, afirmou.
Ana Elisa disse que pretende usar o mandato para incentivar a entrada de mais mulheres negras e jovens na política.
“Eu quero que daqui a quatro anos eu tenha conseguido formar um exército de mulheres pretas eleitas aos 21 anos na Câmara dos Deputados Federais”, afirmou.
Fonte: Brasil 247