“Alto nível de confiança política”, diz a China sobre a relação com o Brasil
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – O governo da China afirmou nesta quinta-feira (17) que a relação com o Brasil alcançou um “alto nível de confiança política” e reiterou o princípio de não interferência em assuntos internos ao comentar as eleições presidenciais brasileiras de 2026, marcadas para 4 de outubro, com possível segundo turno previsto para o dia 25 do próximo mês.
De acordo com a teleSUR, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, abordou o tema após uma pergunta sobre a carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Xi Jinping, e sobre as pressões dos Estados Unidos contra o Brasil.
O governo chinês alertou para a não interferência em assuntos que são referentes à soberania de cada país como um dos maiores princípios para a relação diplomática entre os dois governos. “A China mantém o princípio da não ingerência nos assuntos internos de outros países.”
Reunião com Amorim
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou durante a reunião com Amorim que China e Brasil ocupam posições relevantes entre os países do Sul Global e defendeu maior coordenação nos fóruns multilaterais.
O chanceler chinês também destacou a cooperação em inteligência artificial e afirmou que Pequim pretende trabalhar com Brasília para ampliar os benefícios econômicos e sociais da tecnologia.
Assessor do governo Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim cumpre agenda em Pequim (16/09 e 17/09). Em visita ao país asiático, o diplomata mencionou o Novo Banco de Desenvolvimento, instituição criada pelos países do BRICS, como uma das frentes em que Brasil e China podem ampliar a articulação financeira internacional. Em visita ao país asiático, ele ressaltou na entrevista a convergência entre os dois países em torno do multilateralismo.
O BRICS é uma das principais frentes de resistência à hegemonia dos EUA na política internacional. O grupo reúne 11 países: Brasil, China, Egito, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul e Emirados Árabes Unidos. Em nível global, o grupo representa cerca de 49,5% da população, 40% do Produto Interno Bruto e 26% do comércio. Outros dez países entraram no BRICS como parceiros em 2025 – Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
Parceria comercial
A China liderou os destinos das exportações brasileiras em 2025, seguida por Estados Unidos e Argentina, conforme dados que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou em 6 de janeiro de 2026. O mercado chinês comprou US$ 100.091,44 bilhões em produtos do Brasil ao longo do ano e concentrou 28,69% das vendas externas brasileiras.
Os EUA ocuparam a segunda posição, com US$ 37 bilhões e participação de 10,81%, enquanto a Argentina apareceu em terceiro lugar, com US$ 18 bilhões e fatia de 5,19% das exportações nacionais.
Agressões dos EUA
Em 2026, os EUA aplicaram dois tarifaços contra o Brasil (um de 25% e outro de 12,5%). Outra determinação do governo Donald Trump foi classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
As duas medidas (tarifas e classificação das facções) têm como objetivo estimular sanções contra o Brasil. Os EUA alegaram práticas desleais na área do comércio e falta de ações para combater o narcotráfico, mas, conforme denunciam lideranças progressistas no país governado pelo presidente Lula, os EUA tentam criar falsos pretexto para interferir na soberania da América Latina e estimular a formação de governos que facilitem a entrada de empresas estadunidenses.
Um motivo para a guerra comercial dos EUA foi a condenação de Jair Bolsonaro no inquérito da trama golpista. Em setembro do ano passado, ministros do Supremo Tribunal Federal condenaram o político da extrema direita a 27 anos de prisão.
Outra causa, mais ampla, para as agressões dos EUA é a relação cada vez mais estreita entre o Brasil e três regiões que desafiam a hegemonia estadunidense na política internacional – China, BRICS e Sul Global.
Resposta do Brasil
O governo brasileiro manteve a aposta na via diplomática, sob a condução do chanceler Mauro Vieira, mas sinalizou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade como instrumento de resposta aos EUA.
O Congresso Nacional aprovou a legislação em meio ao aumento das tensões comerciais. Sancionada em 11 de abril de 2025, a Lei nº 15.122 entrou em vigor durante a ampliação da política de sobretaxas promovida por Trump contra importações de diversos países, entre eles o Brasil.
A norma criou mecanismos para que o governo brasileiro suspenda concessões comerciais quando outro país ou bloco econômico adotar medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade de produtos e serviços nacionais.
Representantes dos governos Lula e Donald Trump realizarão entre 30 de setembro e 1º de outubro o primeiro encontro presencial desde a retomada das negociações sobre o tarifaço. Os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) devem se reunir com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA.
Fonte: Brasil 247