Aliado de Flávio Bolsonaro montou plano para entregar terras raras do Brasil aos EUA
Por Abayomi Abebe — Esquerda Diário

Em reportagem na última sexta-feira (12), foi revelado um documento elaborado por André Marinho, filho do suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, onde há um planejamento da entrega dos bens naturais comuns, especialmente terras raras, para os Estados Unidos em contraposição à China.
O documento já teve sua autoria confirmada pelo próprio André Marinho, que negou qualquer vinculação com a campanha de Flávio, apesar de a identidade visual da campanha estar em todo o documento. Ele também nega que o documento tenha sido apresentado a autoridades estadunidenses, mas poucos dias após sua confecção houveram reuniões tanto entre o Bolsonaro e o Trump, quanto entre o próprio André Marinho e os imperialistas yankees. Vale destacar que o secretário de saúde do governo Trump é pai do cunhado de André Marinho, já tendo atuado como articulador entre ele e o alto escalão do governo.
No plano, os bolsonaristas prometem um “alinhamento ocidental claro”, leia-se entregar recursos estratégicos aos EUA e dificultar a entrega ao governo chinês. É declarado que o Brasil é a solução para a falta de minérios do dito ocidente, e que Flávio Bolsonaro seria responsável por abrir as portas do país para que o trumpismo possa instalar suas indústrias e levar embora os minerais críticos e terras raras. Essa é mais uma demonstração do viralatismo do bolsonarismo, que mostrou novamente no último sete de setembro que está mais que disposto a hastear a bandeira estadunidense e bater continência. Buscam entregar o Brasil ao imperialismo de mão beijada e deixar o trabalhador brasileiro sangrando em escalas ainda piores do que a 6×1, com serviços públicos cada vez mais precarizados pelas medidas de austeridade para facilitar sua privatização a seus amigos.
Enquanto a extrema direita arquiteta seus planos para tornar o Brasil um vassalo dos EUA, a frente ampla encabeçada por Lula, por outro lado, não apresenta nenhuma saída. Apesar de seu discurso cada vez menos inflamado de soberania nacional, o que esteve presente em seu governo e estará presente em um possível quarto governo é a manutenção da dupla dependência brasileira frente à China e aos EUA, junto com a manutenção de todo o plano econômico do golpe institucional que colocou Temer no poder e abriu portas para Bolsonaro emergir. De 2023 para cá, a Petrobrás seguiu privatizada, as reformas trabalhista, da previdência e do novo ensino médio seguem de pé, os planos safra são cada vez maiores e a escala 6×1 segue viva graças à paralisia das centrais sindicais governistas em prol das negociatas do governo com a direita no Senado. Foi isso que permitiu que Davi Alcolumbre sentasse em cima da proposta e, posteriormente, que Flávio articulasse com aliados para barrar sua tramitação.
A conciliação de classes se mostra cada vez mais um beco escuro e sem saída. É em prol da conciliação que se mantém cada reforma que estrangula o trabalhador e persegue as populações oprimidas, e a manutenção dessas reformas é o que permite a permanência da força da extrema direita na política, uma vez que governos de conciliação são eleitos e a população vê a precarização da sua vida se mantendo no dia a dia. O próprio Lula admitiu que o que permite a extrema direita se apresentar como antissistema é que a centro-esquerda atua como gestora dos projeto neoliberal, que ele mesmo diz ser o responsável por entregar fome, desigualdade e insegurança à população. Não é à toa que parecemos viver um eterno mito de Sísifo, onde a cada eleição surge um grande mal que deve ser combatido com resignação e ponderação votando no mal menor, de forma que o mal maior sempre aparece mais degradado e o mal menor é cada vez mais adaptado ao maior.
Isso também se expressa no tema das terras raras, onde, longe de adotar qualquer medida de soberania sobre os minerais críticos e elementos terras raras, o governo Lula deixou que a Serra Verde fosse vendida a uma empresa imperialista ligada ao departamento de guerra dos EUA. Não houve nacionalização dos recursos ou sequer a criação de alguma empresa estatal para a extração, como foi ventilado como possibilidade por alguns setores no auge da discussão. Ao contrário, o governo Lula logo disse que os elementos extraídos no Brasil seriam vendidos a todo mundo, defendendo associações com países imperialistas como os próprios EUA. Vender nossos bens comuns naturais para todas as potências ao invés de uma não é soberania, mantém o Brasil numa posição internacional de subserviência ao imperialismo, funcionando como um armazém de riquezas naturais para o capital internacional.
A verdade é que entre uma extrema direita que atua como cachorrinha do imperialismo estadunidense e uma frente ampla que tenta cobrar um pouco mais caro, nenhuma apresenta alguma alternativa para superar a dependência do Brasil. Uma saída desse tipo não virá de nenhuma perspectiva política que não rompa com a burguesia nacional, que já mostrou diversas vezes o quanto é capacha do imperialismo e está disposta a entregar todo o país se isso significar um pouco mais de migalhas vindo das potências para seus bolsos. Nesse exato momento, vemos como as instituições burguesas, como o congresso e o judiciário, não estão e nunca estarão do nosso lado, pelo contrário, atuam apenas pelos interesses da burguesia, com políticos e juízes se associando rotineiramente das formas mais espúrias possíveis com pessoas desde Vorcaro até o alto escalão da política estadunidense.
Frente a isso, a classe trabalhadora deve se colocar em movimento para mostrar que é a única classe capaz de reformular a sociedade desde a raíz, superando a conciliação de classes e retirando toda a base de sustentação que a extrema direita vem se sustentando há quase uma década. Para derrubar essa república de banqueiros e seus milhares de políticos de extrema direita capachos do imperialismo yankee, é necessário que a classe trabalhadora entre em cena e imponha uma assembleia constituinte livre e soberana a partir de sua luta, sem qualquer tutela dos poderes atualmente constituídos ou mesmo dos militares, para que seja questionada toda a estruturação atual da sociedade e se possa construir uma nova, onde os nossos bens naturais comuns sejam verdadeiramente nossos e o comércio exterior seja controlado por nós, para os nossos interesses, e não de um punhado de capitalistas sanguessugas.
Fonte: Esquerda Diário