Alckmin reúne filha de FHC e neto de Mário Covas em apoio a Lula no segundo turno
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), articulou uma mobilização de integrantes de famílias históricas do PSDB para reforçar o apoio à candidatura petista no segundo turno das eleições presidenciais. A iniciativa busca atrair eleitores de centro e da centro-direita, especialmente aqueles identificados com a tradição social-democrata brasileira.
Segundo informações da jornalista Daniela Lima, do UOL, publicadas nesta sexta-feira (16), Alckmin gravou um vídeo ao lado de Bia Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Maria Stella Gregori, filha do ex-ministro José Gregori, e Mário Covas Neto, conhecido como Zuzinha, neto do ex-governador paulista Mário Covas. O material, ainda inédito no momento da publicação da reportagem, reúne declarações explícitas de apoio à reeleição de Lula.
“Aqui há a representação de uma grande corrente de pensamento do centro, da social-democracia brasileira”, afirma Alckmin na gravação. O vice-presidente, que permaneceu por mais de quatro décadas no PSDB antes de ingressar no PSB, procura aproximar a candidatura de Lula de setores historicamente vinculados ao partido tucano.
A participação dos descendentes de Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas tem peso simbólico na estratégia eleitoral. Ambos foram personagens centrais na formação e na trajetória do PSDB, legenda que protagonizou disputas presidenciais contra o PT durante décadas.
Defesa da democracia marca declarações de apoio
No vídeo, Bia Cardoso associa sua escolha eleitoral à defesa das instituições democráticas e ao futuro das próximas gerações.
“Pela democracia do Brasil e pelo futuro dos nossos filhos e netos eu voto no presidente Lula”, declara a filha de Fernando Henrique Cardoso.
Mário Covas Neto também direciona sua mensagem aos eleitores identificados com as origens do PSDB, defendendo o voto em Lula como uma posição coerente com os valores democráticos.
“Para vocês, tucanos de raiz, aqui está o exemplo: temos que ser a favor da democracia. Por isso, domingo, é Lula”, afirma Zuzinha.
Maria Stella Gregori, filha de José Gregori, completa a sequência de manifestações favoráveis à chapa governista. Seu pai, que foi ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, também teve atuação na defesa de presos políticos durante a ditadura militar.
“Domingo eu voto Lula e Geraldo Alckmin vice-presidente”, declara Maria Stella.
Alckmin busca ampliar apoio entre antigos tucanos
A articulação não se limita aos familiares de dirigentes históricos do PSDB. Alckmin também esteve com José Aníbal, ex-dirigente nacional da legenda e uma das figuras tradicionais do partido em São Paulo.
Aníbal já vinha utilizando suas redes sociais para defender uma virada eleitoral de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente na disputa marcada para 25 de outubro.
A aproximação com antigos integrantes do PSDB faz parte de uma estratégia mais ampla da campanha governista para conquistar votos fora da base tradicional do PT. O objetivo é apresentar a chapa Lula-Alckmin como uma alternativa capaz de reunir diferentes correntes políticas em torno da defesa da democracia.
Nesse movimento, Alckmin desempenha papel central por sua trajetória na política paulista e por sua longa vinculação ao PSDB. Ex-governador de São Paulo, ele disputou a Presidência da República contra Lula em 2006, quando ainda integrava a legenda tucana, antes de se tornar seu aliado e companheiro de chapa em 2022.
A campanha petista procura dialogar especialmente com o segmento que identifica como “direita democrática”, formado por eleitores e lideranças de centro-direita que não necessariamente compartilham o programa político do PT, mas podem apoiar Lula na disputa contra Flávio Bolsonaro.
A participação de descendentes de Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e José Gregori reforça essa tentativa de construir pontes com o eleitorado tucano. As declarações representam manifestações individuais de apoio e não significam, necessariamente, um posicionamento institucional do PSDB ou dos demais integrantes dessas famílias.
Com a proximidade do segundo turno, a mobilização organizada por Alckmin busca transformar essas manifestações em apoio eleitoral, particularmente em São Paulo, estado de grande peso na disputa presidencial e onde o vice-presidente construiu sua trajetória política.
Fonte: Brasil 247