Abiec prevê volta da carne bovina brasileira à UE no primeiro semestre de 2027
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, estima que as exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia (UE) possam ser retomadas no primeiro semestre de 2027. Segundo o Broadcast, o setor busca primeiro a reinclusão do Brasil na lista de fornecedores habilitados e pretende, depois, negociar um período de transição para as novas exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos.
Perosa afirmou, durante encontro na sede da Abiec, em São Paulo, que não espera uma solução para a suspensão ainda em 2026. “Eu, pessoalmente, acho que ainda vai demorar. Nós não vamos conseguir resolver isso até o final do ano”, disse. “Ao mesmo tempo que estou pessimista com relação a esse ano, acho que é um assunto para se resolver no 1º semestre do ano que vem”, acrescentou.
As restrições entraram em vigor em 3 de setembro, quando a UE passou a aplicar novas regras às importações de animais e produtos de origem animal relacionadas ao uso de antimicrobianos, previstas no Regulamento de Execução (UE) 2026/1189. Os países fornecedores precisam apresentar garantias de que cumprem as exigências para continuar autorizados a vender ao bloco.
O Brasil foi o único país citado nominalmente no regulamento por não ter apresentado, dentro do prazo, informações que garantissem sua adequação às novas normas. Outros 92 países ou regiões foram habilitados a partir das comprovações entregues às autoridades europeias.
Para a carne bovina, a exigência europeia envolve garantias sobre o uso de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal. Uma missão da UE realizada recentemente no Brasil analisou as cadeias de aves e mel, mas não a bovinocultura.
O governo brasileiro apresentou em junho uma proposta de transição que previa comprovar a ausência dos produtos proibidos apenas nos nove meses finais de vida do bovino. O plano estabelecia ainda a implantação gradual da certificação plena do rebanho até 2029, mas não foi aceito pelas autoridades europeias.
Indústrias, pecuaristas e certificadoras desenvolveram posteriormente um novo protocolo para atender às exigências, segundo Perosa. O sistema foi apresentado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e as indústrias envolvidas já aderiram. A Abiec e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) trabalham agora para ampliar a adesão no campo. “Ainda temos poucos pecuaristas que fizeram a adesão a esse protocolo”, afirmou.
A entidade também sugeriu ao Mapa a realização de visitas a propriedades brasileiras para verificar os procedimentos adotados. Segundo Perosa, ainda não houve uma missão europeia conclusiva destinada especificamente a avaliar o sistema usado na bovinocultura.
A estratégia defendida pela indústria divide as negociações em duas etapas. A primeira consiste em recolocar o Brasil na relação de países habilitados pela União Europeia. Na sequência, a Abiec pretende que o governo negocie um regime de transição que possibilite a retomada das vendas antes da conclusão de um ciclo completo de produção dos bovinos.
“O que a gente quer é que, a partir do momento que a autoridade europeia diga ‘ok, estamos de acordo, confiamos na verificação do Ministério da Agricultura’, a gente tenha um período de transição e possa voltar a ter o fluxo comercial”, afirmou Perosa. Segundo ele, uma adequação integral às regras atualmente consideradas pela UE poderia levar cerca de dois anos devido ao ciclo de produção bovina.
A Abiec já discute internamente uma nova proposta para esse período de transição, mas o presidente da entidade não informou se os termos repetem ou modificam a alternativa rejeitada em junho. A sugestão ainda está em discussão com o Mapa e não foi apresentada formalmente à União Europeia. “Nós temos uma sugestão, mas não quero antecipar, porque senão atrapalha a negociação”, disse Perosa.
Fonte: Brasil 247