A eleição pode estar sendo roubada
Por Adilson Roberto Gonçalves — Brasil 247
A questão é o que podemos fazer para impedir o roubo da democracia em curso. Panelaço na sexta, camisa amarela fazendo o L no sábado, e total engajamento no Exército de Lula criado e comandado por Janones. É pouco, mas já está surtindo efeito.
Não existe almoço grátis, alertou-nos economicamente Milton Friedman, mas qual foi o preço da refeição dada a Flávio Bolsonaro pela Rede Globo no dia em que foi entrevistado pela emissora? A empresa ficou na mão de Daniel Vorcaro e a empresa apenas demite o executivo que foi o interlocutor com o ex-banqueiro criminoso dizendo que está tudo bem.
Por seu turno, a covardia de Flávio Bolsonaro é múltipla. Estava fugindo dos debates, voltando atrás somente depois que Lula confirmou presença, dizia apoiar o fim da escala 6×1 com o medo de perder votos, mas acena a apoiadores que trabalhará para reverter essa decisão depois de eleito, e aceita passivamente apoio de ex-candidatos que o chamaram explicita e corretamente de corrupto, em função das rachadinhas e envolvimento com o Banco Master. Cadê o candidato que se dizia viril e jovial como alternativa à velha guarda? Mais Fernando Collor de Mello que isso somente se empunhar os braços com o grito de “minha gente”. Aquilo deu no que deu. Isso que foi construído agora poderá dar em algo muito pior.
O Estadão chamou de “falta de prudência à Justiça Eleitoral” o que foi explicitamente benefício a um dos lados que disputam o segundo turno das eleições presidenciais (editorial de 14/10). Não houve correspondente ação desajustada que tenha beneficiado a chapa do presidente Lula. Assim, não podemos tomar como normal o TSE ser, no momento, conduzido pelos dois ministros indicados por Jair Bolsonaro que nunca negou que o preenchimento das supremas cortes se dava com os de seu time, escancarando a quebra da independência entre os poderes. Os dois ministros bolsonaristas estão cumprindo fielmente tais desígnios de seus mandantes, pelo que se depreende da forma como estão interferindo nas eleições em curso.
Vimos que desta vez não houve apito de cachorro para a extrema direita atacar as urnas eletrônicas, mas ficou comprovado que um perigo real e imediato sempre existiu: o da manipulação da internet pelas big techs. Uma ferramenta cria imagem com Flávio Bolsonaro, mas não a de Lula. A Meta reconhece que houve “falha técnica” no impulsionamento de mensagens de apenas um dos candidatos – Lula. Às big techs associam-se os que são contra a proibição das bets – muitos veículos de imprensa aí incluídos –, financiadoras de “influenciadores” que causaram uma distorção enorme no perfil dos eleitos. Contra isso tudo, a candidatura de Lula se mantém em empate técnico a dez dias do segundo turno.
Fonte: Brasil 247