“A casa tá caindo para o clã Bolsonaro”, diz Lindbergh sobre operação da PF no caso Dark Horse  (vídeo)

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta quinta-feira (10) que “a casa tá caindo para o clã Bolsonaro” ao comentar a operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos envolvendo entidades e empresas relacionadas à produção de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL).

A manifestação ocorre após a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagrarem a Operação Make Up, com o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment. A investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Não foram expedidos mandados de prisão.

“A CASA TÁ CAINDO PARA O CLÃ BOLSONARO! A Polícia Federal faz operação contra o esquema milionário envolvendo o filme Dark Horse, financiado com dinheiro de Vorcaro para Flávio e Eduardo Bolsonaro. São 49 mandados de busca e apreensão. Agora é chegar em todos os envolvidos! PF NELES!”, escreveu Lindbergh no X, antigo Twitter.

Operação investiga suspeita de desvio de emendas

A ofensiva desta quinta-feira tem como foco suspeitas de irregularidades envolvendo recursos provenientes de emendas parlamentares. Segundo a investigação, agentes públicos e privados teriam direcionado dinheiro repassado a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.

Auditoria da CGU identificou suspeitas relacionadas a uma emenda de R$ 2 milhões destinada pelo deputado Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. Os investigadores apuram se parte dos recursos públicos acabou desviada no contexto das atividades ligadas à produtora responsável por Dark Horse.

A PF informou que foram identificadas movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao esquema investigado. As suspeitas abrangem crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos relacionados a licitações.

A operação desta quinta-feira, porém, não se confunde com outra frente investigativa relacionada ao financiamento de Dark Horse e aos repasses realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Vorcaro e os milhões enviados para o exterior

O senador Flávio Bolsonaro, o ex- deputado cassado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias já passaram a ser investigados pela PF por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas à estrutura financeira utilizada para financiar a produção cinematográfica.

Um dos principais pontos da apuração envolve o fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. O fundo recebeu recursos enviados por empresas ligadas a Daniel Vorcaro e é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.

Novos elementos surgiram com a colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Segundo reportagem publicada pelo Brasil 247, o delator afirmou que sete transferências realizadas a mando de Vorcaro para o Havengate somaram US$ 12,333 milhões entre janeiro e setembro de 2025.

Pela cotação de setembro daquele ano, o montante correspondia a aproximadamente R$ 62,8 milhões.

O relato também colocou sob questionamento uma versão apresentada por Flávio Bolsonaro. O senador havia afirmado que os pagamentos de Vorcaro destinados ao projeto tinham sido interrompidos em maio de 2025. Documentos e a delação, entretanto, apontam uma transferência de US$ 1,666 milhão em setembro daquele ano. A operação ocorreu poucos dias depois de Flávio Bolsonaro cobrar do banqueiro parcelas que estariam atrasadas.

Lindbergh já cobrava abertura da “caixa preta”

A reação desta quinta-feira dá continuidade à ofensiva que Lindbergh vinha fazendo sobre o caso. Na quarta-feira (9), o deputado defendeu publicamente a quebra do sigilo das investigações envolvendo o Banco Master e a abertura do que chamou de “caixa preta” de Dark Horse.

“Que se derrube o sigilo de todo o caso Master e abra a caixa preta do filme Dark Horse e do envolvimento do Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Não dá pra ter parcialidade! Tudo precisa ser investigado, doa a quem doer. Não dá pra usar a Justiça para proteger os amigos e tentar interferir nas eleições. Estamos contigo, presidente!”, declarou Lindbergh.

Dias antes, o parlamentar também havia cobrado o avanço das investigações envolvendo Antonio Carlos Freixo Júnior e os recursos remetidos para o fundo nos Estados Unidos.

“Ministro André Mendonça, você tem um dever com o Brasil de fazer essas investigações andarem”, afirmou Lindbergh no último sábado (5).

Duas frentes envolvendo Dark Horse

As investigações sobre Dark Horse avançam atualmente em frentes distintas no STF.

A apuração sob responsabilidade de Flávio Dino, que deu origem à operação desta quinta-feira, concentra-se no possível uso irregular de emendas parlamentares e recursos públicos destinados a entidades relacionadas à produtora do longa.

Outra investigação, sob relatoria de André Mendonça, examina a origem e o percurso dos recursos enviados por Vorcaro ao exterior e sua relação com o financiamento do filme.

Nesse segundo eixo, investigadores buscam esclarecer se todo o dinheiro remetido ao Havengate foi efetivamente utilizado na produção de Dark Horse ou se houve outras destinações para parte dos valores.

A CASA TÁ CAINDO PARA O CLÃ BOLSONARO!

A Polícia Federal faz operação contra o esquema milionário envolvendo o filme Dark Horse, financiado com dinheiro de Vorcaro para Flávio e Eduardo Bolsonaro. São 49 mandados de busca e apreensão. Agora é chegar em todos os envolvidos! PF… pic.twitter.com/GCK5eF56ZE

— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) September 10, 2026

Fonte: Brasil 247

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