A 50 anos do martírio do Padre João Bosco Burnier e o brado de D. Fernando, Arcebispo de Goiânia
Por Egydio Schwade — Brasil 247
Por Egydio Schwade – Uma lembrança indelével. Na noite do dia 11 de outubro de 1976, recebo, em Brasília, o telefonema de D. Pedro Casaldáliga, comunicando-me que o Pe. João Bosco Burnier, meu companheiro jesuíta e nosso coordenador do Cimi-Mato Grosso –(na época, eu era o Secretário Nacional do Conselho Indigenista Missionário-Cimi)– acabara de ser baleado por policiais em Ribeirão Cascalheira/MT.
No dia seguinte, dia da Aparecida, cedo me dirigi a Goiânia, pois Pedro me disse que no amanhecer levaria o Padre João Bosco em táxi aéreo para Goiânia.
Em Goiânia, Pe. Burnier foi levado ao hospital, mas, a sua situação era fatal, pois a bala que o atingiu foi do tipo dum-dum expansiva, proibida por convenções internacionais.
Após o meio dia, nos reunimos: D. Pedro, D. Tomás Balduino, Pe. Ivo Poletto e eu, na casa paroquial dos Padres Claretianos, em Goiânia, onde elaboramos uma nota de repúdio à violência contra o povo pobre, contra os indígenas e os lavradores e seus defensores. A situação se tornou insuportável, especialmente em Mato Grosso.
Naqueles dias eu vivia ainda sob forte emoção, pois fazia apenas dois meses eu havia ido levar a solidariedade do Cimi aos indígenas Bororo e Xavante, percorrendo durante 3 dias com Pe. Rodolfo as suas aldeias, onde pude constatar in loco as criminosas invasões dos fazendeiros às terras desses povos. E às 7 horas da manhã, do dia 15 de julho, me despedi no pátio da aldeia Bororo de Meruri, de Simão e do jovem Pe. Rodolfo Lunkenbein no local onde 3 horas depois ambos caíram, mortos pelos fazendeiros, invasores da terra indígena.
Agora, na casa paroquial dos Claretianos, em Goiânia, quando colocamos o ponto final na nota à Imprensa, o telefone tocou comunicando-nos a morte do Pe. João Bosco Burnier.
A noite, na missa de corpo presente do companheiro João Bosco, inesquecível, ecoa até hoje no meu ouvido e para a história, o brado com que D. Fernando, arcebispo de Goiânia, abriu o sermão fúnebre na Catedral: “Já estamos cansados com esta Ditadura da Mentira!!!”.
Infelizmente, a Ditadura da Mentira continua ameaçando indígenas, lavradores e seus aliados e está sempre unida à criminosa UDR (União Democrática Ruralista). Mas, hoje, também se multiplicaram os bispos e os pastores que bradam contra esta Ditadura da Violência que, pela Mentira, ameaça se impor sobre os povos.
Contra a falácia, brade e digite: Lula 13!
Fonte: Brasil 247