Secretário e marido da prefeita de Bauru é preso em operação do Gaeco sobre fraude em licitação

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O marido da prefeita de Bauru (SP) e atual secretário municipal de Governo, Renato Purini, foi preso na manhã desta sexta-feira (16) durante uma operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, em conjunto com a Polícia Militar, informa o G1.

Na mesma manhã, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência da prefeita Suéllen Rosim (PSD) e também nas dependências do prédio da Prefeitura de Bauru. A ação ostensiva é um desdobramento direto da “Operação Cavalo de Troia”, investigação que já havia resultado na prisão de ex-secretários ligados à administração municipal.

Em nota oficial emitida sobre o caso, a Prefeitura de Bauru confirmou a realização da operação do Gaeco nas dependências do Executivo, mas informou que ainda não teve acesso aos detalhes do inquérito. “Até o momento, o Município não foi oficialmente informado sobre o objeto da ação. A Prefeitura permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com o que for necessário e prestar os esclarecimentos eventualmente solicitados”, diz o comunicado do governo municipal.

As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público começaram em março a partir de denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam). Segundo as apurações, Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido da então presidente da Ascam, tinha ligação com uma facção criminosa e usava a influência para intimidar os trabalhadores da associação, que mantinha contratos de mais de R$ 5 milhões com a Prefeitura de Bauru com dispensa de licitação.

A partir do monitoramento das ligações telefônicas de Valdomiro e de sua esposa, Gisele Moretti, presidente da associação, o Ministério Público descobriu que o casal também articulava esquemas para pedir propinas e interferir diretamente na licitação da gestão do lixo no município. A interceptação das conversas revelou a participação de secretários municipais e executivos de empresas, o que levou à deflagração de duas operações paralelas promovidas pelo Gaeco com o apoio da Polícia Militar.

A ação anterior cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou na prisão temporária de sete pessoas ligadas ao esquema: Cilene Chabuh Bordezan (ex-secretária municipal de Meio Ambiente); Vitor João de Freitas Costa (ex-secretário municipal de Negócios Jurídicos); Sara Moura de Jesus (ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente); Hamilton Libório Agle (proprietário e diretor-executivo da empresa Estre Ambiental); Talita de Andrade Soares Chieregatti (funcionária da Estre Ambiental); Gisele Moretti (então presidente da Ascam); e Valdomiro Pereira da Silva Filho (empresário e marido de Gisele Moretti).

A Operação Cavalo de Troia investiga um esquema montado para fraudar a licitação da concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos de Bauru. Projetada para durar 30 anos e avaliada em R$ 5,2 bilhões, a concessão representa o maior contrato da história do município. A apuração aponta que o grupo atuava para direcionar as regras do edital a favor da empresa Estre Ambiental por meio de pessoas infiltradas na administração municipal. Segundo o Ministério Público, a então secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, mantinha um relacionamento amoroso com o diretor-executivo da empresa, Hamilton Libório Agle, o que permitia que a concessionária elaborasse documentos e pareceres oficiais de dentro do próprio governo municipal.

Entre os envolvidos, a funcionária da Estre Ambiental, Talita Andrade, acusada de integrar a organização criminosa para fraudar a concessão do lixo, deixou a penitenciária e cumpre prisão domiciliar. A mudança de regime foi comunicada pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), informando que a acusada deixou a penitenciária feminina Sant’Ana no dia 7 de outubro, após decisão da Justiça, depois de ter tido a prisão convertida em preventiva no final de setembro. A defesa de Talita pedia a conversão por razões de saúde da acusada e pelo cuidado de sua filha. A emissora TV TEM questionou a SAP sobre a situação dos outros quatro detidos em unidades prisionais, enquanto o ex-consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Mário Luiz, permanecia foragido.

Fonte: Brasil 247

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