Fotojornalista do Washington Post é brutalmente agredida por colonos israelenses na Cisjordânia

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – Uma fotojornalista do jornal norte-americano The Washington Post foi hospitalizada após ser brutalmente atacada por colonos israelenses na Cisjordânia ocupada, enquanto acompanhava a tradicional colheita anual de azeitonas ao lado de um grupo de palestinos, segundo reportagem da CNN.

Heidi Levine, fotógrafa veterana que estava a serviço do veículo de imprensa norte-americano, relatou que o grupo de trabalhadores e comunicadores começou a recuar no momento em que dezenas de colonos passaram a correr na direção deles. Em um registro em vídeo, a profissional detalhou a violência que sofreu ao ser derrubada e agredida fisicamente.

“Eu estava com minha bolsa de equipamento fotográfico e uma pochete com meu passaporte. Meu telefone estava preso a um cordão no pescoço, e eles arrancaram tudo isso de mim. Quebraram minhas câmeras, destruíram minha bolsa e continuaram me chutando”, relatou Levine, estimando que o ataque violento durou cerca de dez minutos. “Foi uma loucura absoluta, e não vi ninguém tentando impedir”.

A violência também atingiu os moradores locais. A Sociedade do Crescente Vermelho Palestino confirmou que prestou atendimento de emergência a duas pessoas espancadas pelos colonos durante a mesma ação: uma mulher de 63 anos e um homem de 40 anos. O episódio integra uma escalada de ataques registrados por moradores da região no início da temporada de colheita. No ano anterior, o período agrícola também ficou marcado pelo avanço dos episódios de violência na Cisjordânia, com colonos atacando a população palestina e bloqueando o acesso das famílias às suas próprias terras.

Após as agressões, Levine foi transferida para o Hospital Governamental de Ramallah e apresenta condição de saúde estável, de acordo com informações prestadas pela Associação da Imprensa Estrangeira. Registros fotográficos divulgados mostram a jornalista em repouso no leito hospitalar com curativos e ataduras na mão e na perna.

Vídeos gravados no local do conflito mostram um homem com o rosto ensanguentado após a investida dos colonos e chamas consumindo um veículo com placas palestinas. Em outra gravação, soldados israelenses aparecem bloqueando uma via pública; enquanto um dos militares filma a movimentação com um aparelho celular, outro lança o que aparenta ser uma granada de fumaça, ignorando os apelos de um homem que pede: “por favor, não faça isso!”.

A reportagem da CNN procurou formalmente o Washington Post e as Forças de Defesa de Israel para obter posicionamentos oficiais sobre o caso.

O líder da Iniciativa Nacional Palestina, Mustafa Barghouti, denunciou a ação por meio da rede social X, afirmando que “gangues de colonos terroristas israelenses” invadiram o vilarejo de Abu Falah no momento em que os palestinos se organizavam para o trabalho no campo.

“À vista das câmeras, os colonos incendiaram oliveiras, atacaram agricultores palestinos com pedras e dispararam munição real, recorrendo a todas as formas possíveis de terror e intimidação para impedir que os palestinos colhessem suas próprias azeitonas”, declarou Barghouti.

Fonte: Brasil 247

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