Esquerda acorda para segundo turno, e campanha de Flávio Bolsonaro acende alerta
Por Marianna Holanda — JOTA
O segundo turno das eleições presidenciais começou com um baque para os petistas, surpreendidos pela liderança de Flávio Bolsonaro (PL) e em busca de culpados pelo resultado. Mas, nos últimos dias, transformaram o atordoamento em campanha, o que acendeu o alerta no entorno do presidenciável do PL.
Ainda favorito nas pesquisas, o filho do ex-presidente viu sua vantagem diminuir ao longo da semana. Os apoios políticos, com a maior parte do Centrão em seu palanque, não se converteram numa margem folgada de votos e, para piorar, a campanha do PT recuperou fôlego em três importantes atos.
O primeiro foi o contra-ataque nas redes sociais. O principal argumento petista, seja nas propagandas oficiais ou entre a militância, é o medo de cortes em programas sociais. Circulam em grupos de WhatsApp e nas redes lembranças de como o governo Jair Bolsonaro (PL) fez cortes em programas como o Farmácia Popular, numa tentativa de projetar o mesmo cenário para um eventual governo do filho. A campanha de Flávio chama as acusações de “fake news”, mas elas levaram ao primeiro emparedamento: o senador teve de dizer que concederia reajustes às aposentadorias acima da inflação, causando arrepios aos fiscalistas.
O segundo foram os atos de rua, em especial o da Avenida Paulista no último domingo (11/10). Conseguir levar gente para as ruas vinha sendo uma especialidade do bolsonarismo, mas a esquerda não apenas promoveu a manifestação como levou gente nova, especialmente estudantes, para discursar, ganhar protagonismo e falar em nome de Lula. Jovens petistas, como a recém-eleita deputada federal Ana Elisa (MG), ganharam palco e assumiram a dianteira do confronto nas redes. Lula, que sequer tem um telefone, começou a fazer vídeos selfies e até segurou uma JBL no ombro. O PT corre atrás do prejuízo para virar pop entre os jovens.
E o terceiro foi a enxurrada de “notícias positivas” que só quem tem a caneta na mão é capaz de produzir. O Palácio do Planalto anunciou um pacote de cinco medidas de olho nos microempreendedores (eleitorado normalmente mais próximo do bolsonarismo), que vão desde um Desenrola para MEIs endividados até o Pix MEI, com transferências diretas para microempreendedores a partir do ano que vem.
Ainda nessa seara, o Legislativo teve um alinhamento com o Executivo sem precedentes nos últimos meses. O Senado votou a PEC do fim da escala 6×1, criando uma onda que obrigou Flávio a mudar de posicionamento e votar a favor da proposta, uma das principais bandeiras de Lula nesta campanha. Outra proposta, a PEC da Segurança Pública, também deve ser aprovada nesta quinta-feira (15/10), com votos da oposição.
Os efeitos de todas essas medidas ainda ninguém arrisca dizer, nem no PT, nem no PL. Um aliado de Flávio brincou que os últimos atos de rua só ampliaram de 98% para 100% os votos do presidente na USP. Mas aliados mais pragmáticos admitem que o pacote de bondades pode custar caro numa eleição que parece se acirrar nesta reta final. Eles dizem ainda que o principal cabo eleitoral do primeiro turno desapareceu até aqui: o Supremo Tribunal Federal.
Sem conseguir fatos novos para antagonizar com ministros, restam a Flávio duas opções para evitar uma nova reviravolta nesta eleição: ir ao debate e apostar nos chamados “bloquinhos” de rua com aliados, como o previsto para o próximo domingo (18/10), na Avenida Paulista. Nenhum dos lados tem bala de prata, e a saída é disputar voto a voto.
Fonte: JOTA