Imprensa internacional destaca vitória de Lula com aprovação do fim da escala 6×1
Por Redação — Brasil de Fato
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A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 e fixa a jornada máxima de 40 horas semanais no Brasil está repercutindo amplamente nos principais veículos da imprensa internacional nesta quinta-feira (15).
Jornais e agências de notícias da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina classificam a decisão do Senado como uma vitória política e legislativa expressiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Correspondentes e analistas internacionais destacaram a reviravolta política de Flávio Bolsonaro, que vinha se opondo publicamente à proposta há meses, mas recuou às vésperas da votação para apoiar o texto diante da aprovação popular superior a 70%.
A rede britânica BBC News e o jornal francês Le Monde ressaltaram que o parlamentar do PL mudou de voto após admitir que a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja o fim da escala 6×1, provocando reação de Lula, que classificou a manobra da oposição como “oportunismo eleitoral”. As publicações pontuaram ainda que o texto foi aprovado por 75 votos a um, restando isolado apenas o general Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente de Jair Bolsonaro.
O britânico The Guardian enfatizou que a medida atende a uma bandeira que começou nas redes sociais com o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), fundado pelo atendente de farmácia Rick Azevedo, e frisou que a mudança atinge diretamente profissionais de baixa remuneração no comércio, bares e hotelaria. A reportagem sobre o tema entrou nas mais lidas do veículo durante a manhã.
A reportagem ouviu a pesquisadora Marilane Oliveira Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Cesit-Unicamp), que apontou os prejuízos da escala 6×1 à saúde, ao convívio social e à sobrecarga feminina no trabalho doméstico não remunerado.
O jornal também trouxe o relato da vendedora baiana Lilian Cristo dos Santos, que relatou a impossibilidade de descansar, estudar ou cuidar da saúde tendo apenas um dia de folga por semana.
Da mesma forma, a BBC News recolheu o depoimento da operadora de caixa Luciana de Almeida, mãe solo no Rio de Janeiro, que relatou exaustão física e mental ao tentar conciliar o único dia de repouso com as tarefas domésticas e o cuidado das três filhas.
A emissora pública britânica assinalou que, enquanto críticos alertam que o aumento de custos de produção pode ser repassado aos preços finais ao consumidor, defensores da proposta sustentam que o descanso adequado amplia a produtividade dos trabalhadores nas horas efetivamente trabalhadas.
O jornal financeiro britânico Financial Times (FT) e a agência internacional Reuters destacaram que a redução representa a maior reformulação dos direitos trabalhistas no Brasil desde a Constituição de 1988.
O FT avaliou que o fim da semana de seis dias alinha a maior economia da América Latina a países de renda mais elevada, onde a diminuição da jornada ocorreu associada a ganhos de produtividade e eficiência. No entanto, o periódico britânico e a agência ressaltaram as advertências de associações empresariais sobre o aumento de custos para as companhias, citando a avaliação do economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, que classificou a reforma como positiva para os trabalhadores, mas demandante de tempo para adaptação operacional.
Ambos os veículos lembraram que os trabalhadores informais e motoristas de aplicativo da chamada gig economy (economia dos “bicos”) permanecem fora do alcance da nova emenda constitucional. A Reuters acrescentou que o novo padrão será implementado ao longo de um período de 14 meses, alcançando mais de 37 milhões de trabalhadores do setor formal.
A emissora alemã Deutsche Welle (DW) apontou que a promessa de reduzir a semana de trabalho tornou-se uma das principais apostas eleitorais de Lula na reta final da disputa, somando-se a medidas como desonerações tributárias sobre combustíveis e renegociação de dívidas de microempreendedores.
A emissora destacou que a PEC contrasta com a linha defendida anteriormente por Flávio Bolsonaro, que propunha a negociação individual de pagamentos por hora trabalhada diretamente entre empregados e empregadores.
Na Argentina, o jornal Clarín tratou a aprovação da PEC como uma “jogada política” decisiva de Lula a 11 dias da votação definitiva. O diário de Buenos Aires repercutiu a resistência de setores patronais, como a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), que estimou alta de 22% no custo da hora trabalhada e alertou para riscos a postos de trabalho.
O Clarín registrou ainda a fala da senadora Teresa Leitão (PT-PE), que defendeu vigilância para impedir retrocessos futuros, e a manifestação do senador oposicionista Esperidião Amin (PP-SC), que conclamou unidade com o setor empresarial para amortecer os impactos orçamentários das novas regras.
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Fonte: Brasil de Fato