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CASO MASTER

Congresso em Foco

15/10/2026 | Atualizado às 13:42

O Grupo Globo anunciou nesta quinta-feira o desligamento de seu diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, após tomar conhecimento de conversas privadas que revelaram, segundo a própria empresa, uma relação inadequada com Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo do Banco Master. A decisão merece reconhecimento. Uma potência de comunicação como a Globo não poderia ficar à mercê de episódios que destoam da grandeza de sua história e da responsabilidade que exerce perante a sociedade brasileira. Mais que uma empresa, é uma instituição que atravessa gerações, participa da formação da opinião pública e acompanha os acontecimentos mais relevantes da vida nacional. Seu jornalismo é um patrimônio que transcende os interesses de acionistas e dirigentes. Preservá-lo é também uma questão de interesse público.

Um veículo de comunicação pode sobreviver sem qualquer um de seus executivos. Sem credibilidade, deixa de ser jornalismo.

Essa história foi construída por gerações de profissionais e conduzida por nomes que se tornaram referências da imprensa brasileira. Armando Nogueira, com sua inteligência e elegância; Evandro Carlos de Andrade, com o rigor e a autoridade de quem conhecia profundamente o ofício; e, mais recentemente, Carlos Henrique Schroder, que ajudou a consolidar uma estrutura jornalística de alcance nacional. Cada qual, a seu tempo, contribuiu para erguer uma organização cuja força repousa menos em seu poder econômico do que na confiança de milhões de brasileiros.

É evidente que a trajetória da Globo não é imune a erros, controvérsias e decisões editoriais que merecem reparos. Nenhuma instituição humana é. Mas uma coisa são os equívocos próprios do exercício do jornalismo, sujeitos à crítica e à correção; outra, muito diferente, é permitir que interesses particulares, conveniências empresariais ou relações pessoais lancem sombras sobre a independência editorial. Os acontecimentos recentes tornam especialmente oportuno recordar essa distinção. A credibilidade, afinal, não admite zonas de penumbra. E a proximidade com o poder, seja ele político ou econômico, jamais pode se converter em intimidade capaz de comprometer a liberdade de informar.

O Brasil precisa de empresas jornalísticas fortes, respeitadas e independentes. Precisa de repórteres, correspondentes e investigações. Nesse sentido, é inegável a extraordinária capacidade da Globo de levar informação aos quatro cantos do país. Em tempos de desinformação, radicalização e descrédito das instituições, seria um desserviço assistir ao enfraquecimento de uma estrutura dessa importância. Justamente por isso, quanto maior a influência de um veículo, maior deve ser seu compromisso com os princípios que exige dos demais: transparência, rigor, independência e responsabilidade.

Preservar o jornalismo da Globo não significa protegê-lo das críticas, mas das práticas que dão razão a elas. Significa manter a distância necessária entre os interesses do negócio e a liberdade da redação. Uma empresa pode conquistar mercados, ampliar receitas e multiplicar plataformas.

Mas há algo que não se compra, não se negocia e dificilmente se recupera depois de perdido: a confiança do público.

Ao se desvincular de um executivo com 29 anos de casa, a Globo demonstra compreender essa verdade elementar. A instituição é maior que seus dirigentes, e o trabalho de milhares de profissionais não pode ficar à mercê da conduta de alguns. Afinal, um veículo de comunicação pode sobreviver sem qualquer um de seus executivos. Sem credibilidade, deixa de ser jornalismo.

Comunicado divulgado pelo Grupo Globo sobre desligamento de seu diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio.

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Fonte: Congresso em Foco

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