EUA avaliam usar da ‘Mãe de Todas as Bombas’ contra o Irã
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O exército dos Estados Unidos desenvolveu novos planos de ataque que incluem o uso potencial da chamada “mãe de todas as bombas” para atingir a infraestrutura de energia e instalações nucleares do Irã, caso o presidente Donald Trump ordene a retomada das operações de combate antes ou depois das eleições de meio de mandato, informa a CNN.
O eventual uso da artefato GBU-43/B (Massive Ordnance Air Blast ou MOAB), a maior bomba não nuclear do arsenal norte-americano, marcaria uma escalada significativa no conflito. No entanto, persistem sérias dúvidas dentro do próprio governo sobre a capacidade real do armamento para alcançar os objetivos estratégicos de Washington ou alterar o equilíbrio do confronto.
Trump enfrenta forte pressão interna para encerrar a guerra, que se tornou amplamente impopular entre os eleitores. Com os republicanos temendo reveses nas urnas e sem sinais de progresso em negociações diplomáticas após mais de seis meses de bombardeios contínuos, assessores da Casa Branca vêm discutindo há meses opções que possam servir como um encerramento “definitivo” da intervenção, ao menos sob o ponto de vista de comunicação e propaganda.
Nos bastidores, contudo, oficiais do Pentágono questionam de forma privada se a Casa Branca possui de fato uma estratégia consistente capaz de integrar esses planos militares de forma a efetivamente encerrar as hostilidades. Embora integrantes do governo tentem classificar a guerra como praticamente vencida, Trump tem adotado um tom cauteloso, evitando declarar vitória e afirmando que o país ainda possui “assuntos pendentes” no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o presidente rejeitou conselhos de aliados externos para apenas retirar as tropas, argumentando que a medida transmitiria a imagem de uma derrota.
Fontes militares detalharam que os pacotes de ataque preparados a mando de Trump incluem diversas instalações do setor energético e citam explicitamente o emprego da MOAB contra o complexo de Pickaxe Mountain. O local é apontado pelas inteligências de Washington e Tel Aviv como abrigo de componentes do programa nuclear iraniano. Uma das fontes salientou que as operações vêm sendo desenhadas para ocorrer “antes da regressão dos EUA na área de responsabilidade do CENTCOM”, sinalizando que a administração poderia desferir ataques de grande impacto, declarar vitória e em seguida efetuar a retirada das forças.
Apesar do seu enorme poder destrutivo, especialista e autoridades alertam que a bomba guiada por GPS possui limites técnicos claros. Embora seja capaz de devastar uma área equivalente a nove quarteirões, a GBU-43/B detona antes de tocar o solo e não possui capacidade de penetração para alcançar bunkers perfurados em rocha sólida ou escondidos sob densas camadas de granito, como em Pickaxe Mountain.
“A MOAB é uma arma focada em operações de informação de grande impacto, excelente para limpeza de áreas extensas, mas nada além disso. Ela definitivamente não foi projetada como uma ogiva de penetração profunda”, afirmou uma autoridade familiarizada com as discussões operacionais do Pentágono.
Além da limitação contra alvos subterrâneos, o enorme raio de explosão do artefato gera forte preocupação em relação a baixas civis, sobretudo se aplicado contra infraestruturas energéticas próximas a áreas povoadas. Diante desse cenário, analistas apontam que a escolha da arma atenderia principalmente a uma função de choque psicológico para constranger o regime iraniano.
“O presidente infelizmente se colocou em uma situação em que se sente quase compelido a agir. Na ausência de munição adequada para perfurar esse nível de proteção, passa-se a avaliar os efeitos psicológicos, para os quais a MOAB é muito bem equipada”, acrescentou a fonte.
A avaliação dominante entre analistas e estrategistas do Pentágono é que uma vitória militar decisiva sobre o Irã exigiria uma invasão terrestre em grande escala, medida que acarretaria a perda de milhares de vidas norte-americanas e que não encontra defensores na atual administração. Por essa razão, a busca do governo tem se concentrado em saídas simbólicas. Outra fonte consultada descreveu algumas opções em elaboração como um verdadeiro “show de fogos de artifício”, concebido para oferecer uma saída honrosa a Trump, ainda que incapaz de cumprir as metas originais anunciadas para o conflito.
Procurada para comentar sobre o planejamento, a Casa Branca declarou que não comenta “planos militares sensíveis que possam ou não existir”, reforçando que “o presidente Trump mantém todas as opções sobre a mesa para garantir que o Irã jamais obtenha uma arma nuclear”. O Pentágono, por sua vez, afirmou que “planeja para uma ampla gama de cenários operacionais para executar as diretrizes presidenciais e do Secretário, garantindo o sucesso da missão em qualquer ambiente”.
Desenvolvida durante a Guerra do Iraque, a MOAB tem um peso aproximado de 9,8 toneladas. A única vez em que foi utilizada em combate ocorreu durante o primeiro mandato de Donald Trump, em 2017, quando forças norte-americanas atacaram uma rede de túneis do Estado Islâmico na província de Nangarhar, no Afeganistão.
Fonte: Brasil 247