Ciro Gomes pede cassação da chapa de Elmano de Freitas e novas eleições no Ceará
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A campanha de Ciro Gomes (PSDB) entrou com uma ação na Justiça Eleitoral, nesta quarta-feira (14), solicitando a cassação da chapa do governador reeleito do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e a realização de uma nova eleição estadual. A iniciativa ocorre após a vitória do petista ainda no primeiro turno, quando recebeu 53,19% dos votos válidos.
A equipe jurídica de Ciro sustenta que decisões judiciais tomadas durante a campanha podem ter interferido no equilíbrio da disputa pelo governo cearense. Os advogados apontam indícios de abuso de poder e questionam medidas relacionadas à propaganda eleitoral e ao exercício do direito de resposta.
A ação foi anunciada pelos advogados Hélio Parente e André Xerez, responsáveis pela representação jurídica da campanha do ex-governador. Entre os pontos levantados estão decisões atribuídas ao Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo direitos de resposta e inserções de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
“A ação pede basicamente a cassação da chapa adversária e a realização de novas eleições”, afirmou André Xerez, ao explicar o objetivo da iniciativa judicial.
A argumentação apresentada pela campanha tucana parte da avaliação de que determinadas decisões judiciais podem ter provocado desequilíbrio entre os candidatos. A equipe jurídica pretende, assim, contestar a regularidade da disputa que garantiu a permanência do PT no comando do Executivo estadual.
O pedido de cassação atinge a chapa formada por Elmano de Freitas e Gabriella Aguiar (PSD), que disputou a eleição como candidata a vice-governadora. Gabriella ocupava o cargo de vice-prefeita de Fortaleza antes de integrar a candidatura petista.
Elmano venceu a eleição no primeiro turno
Elmano de Freitas conquistou a reeleição com 2.875.573 votos, correspondentes a 53,19% dos votos válidos. O resultado assegurou sua permanência no Palácio da Abolição sem a necessidade de um segundo turno e representou uma derrota para a tentativa de Ciro Gomes de retornar ao governo cearense.
A apresentação da ação judicial abre uma nova frente de contestação ao resultado eleitoral. No entanto, o protocolo do pedido não implica a cassação automática da chapa vencedora nem a convocação imediata de outro pleito. Essas medidas dependem da análise da Justiça Eleitoral.
Até o momento, as informações divulgadas não detalham quais decisões específicas foram questionadas pelos advogados nem apresentam uma manifestação da defesa de Elmano sobre a iniciativa.
Disputa envolve antigos aliados políticos
A eleição de 2026 marcou o retorno de Ciro Gomes à disputa pelo governo do Ceará, estado que já administrou entre 1991 e 1994. Desta vez, o ex-governador concorreu pelo PSDB, enfrentando o candidato do PT que buscava renovar seu mandato.
Elmano assumiu o governo estadual em janeiro de 2023, inicialmente ao lado da vice-governadora Jade Romero. Na eleição deste ano, passou a compor chapa com Gabriella Aguiar, do PSD.
A vitória do petista também garantiu a continuidade de um grupo político que governa o Ceará desde 2007, quando Cid Gomes, irmão de Ciro, assumiu o Executivo estadual. A trajetória desse grupo atravessou diferentes composições partidárias e alianças políticas ao longo das últimas duas décadas.
Com a judicialização do resultado, a campanha de Ciro busca reverter a vitória obtida por Elmano nas urnas. Caberá à Justiça Eleitoral avaliar os argumentos apresentados, a existência de eventuais irregularidades e se há fundamentos jurídicos para a cassação da chapa e a realização de novas eleições no Ceará.
Fonte: Brasil 247