Inflação dispara nos EUA com alta da gasolina e amplia desgaste de Trump antes das eleições
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Os preços ao consumidor nos Estados Unidos registraram aceleração no mês de setembro, impulsionados por uma forte alta nos custos dos combustíveis, impondo um revés político ao presidente Donald Trump e ao Partido Republicano no período que antecede as eleições legislativas de meio de mandato, agendadas para 3 de novembro, segundo reportagem da Reuters. O cenário econômico adverso também recoloca na pauta a possibilidade de um novo reajuste na taxa de juros norte-americana ainda no decorrer deste mês.
De acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho dos EUA, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou um avanço de 0,6% no mês passado, acelerando em relação à taxa de 0,4% verificada no mês de agosto. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em setembro, o indicador atingiu a marca de 3,7%, superando o patamar de 3,4% registrado no período anterior.
O resultado mensal veio em linha com as projeções de economistas consultados pela agência de notícias, que previam um crescimento de 0,6% no mês. No entanto, a taxa anualizada de 3,7% superou ligeiramente as estimativas do mercado, que projetavam uma variação de 3,6%. O principal motor desse movimento foi o preço da gasolina, que sofreu um salto de 7,1% em setembro, conforme apontado pelos levantamentos da Administração de Informações sobre Energia dos EUA.
A divulgação dos índices de inflação ocorre em um momento crítico, somando-se a levantamentos recentes que demonstram a deterioração da confiança dos consumidores e uma queda expressiva nos índices de aprovação do presidente Donald Trump. A insatisfação popular reflete a crescente apreensão da sociedade com a elevação do custo de vida. Uma pesquisa conduzida pelo instituto Reuters/Ipsos apontou que aproximadamente 78% da população norte-americana responsabiliza as diretrizes econômicas da atual administração — incluindo a aplicação de tarifas sobre produtos importados e os conflitos envolvendo os EUA e Israel contra o Irã — pelo encarecimento de produtos e serviços, que avança em ritmo superior ao reajuste dos salários.
Ao isolar os componentes de maior volatilidade, como alimentos e energia, a inflação subjacente (ou núcleo do índice) apresentou uma alta de 0,3% em setembro, mantendo a mesma variação observada em agosto. Na métrica acumulada de 12 meses até setembro, o núcleo do indicador subiu para 2,6%, ante os 2,4% apurados no mês anterior.
Vale destacar que a autoridade monetária do país, o Banco Central dos EUA (Federal Reserve), utiliza como parâmetro oficial para a sua meta inflacionária de 2% o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE). Atualmente, o núcleo do IPC tem registrado desempenho inferior ao núcleo do PCE, que registrou alta de 3,0% em agosto, discrepância explicada pelas diferentes ponderações e pesos atribuídos aos itens que compõem cada uma das cestas de produtos e serviços.
No mês passado, o comitê de política monetária do Banco Central norte-americano promoveu um aumento de 25 pontos-base na taxa básica de juros overnight, elevando-a para a margem entre 3,75% e 4,00%. A medida marcou a primeira elevação do custo do dinheiro no país em três anos, ocasião em que os dirigentes sinalizaram a intenção de efetuar novas altas nos meses subsequentes.
Antes do anúncio dos dados inflacionários desta quarta-feira, os mercados financeiros projetavam uma probabilidade próxima de 22% para um novo encarecimento do crédito na reunião agendada para os dias 27 e 28 de outubro, de acordo com monitoramento da ferramenta de mercado mantida pelo Grupo CME. A perspectiva de uma alta imediata dos juros ainda neste mês havia perdido força após a divulgação de números decepcionantes sobre a criação de vagas de trabalho no mês de setembro, combinados a leituras do índice de inflação PCE abaixo do esperado nos meses de julho e agosto, o que levava a maioria dos analistas a prever um novo aperto monetário apenas para o mês de dezembro.
Fonte: Brasil 247