Conveniência eleitoral marca recuo de Flávio Bolsonaro sobre escala 6×1, escreve Bernardo Mello Franco
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que votará a favor do fim da escala 6×1, depois de criticar sistematicamente a proposta de redução da jornada de trabalho. Em coluna no jornal O Globo, Bernardo Mello Franco relaciona a mudança a outras alterações de discurso do parlamentar sobre políticas sociais, como o Bolsa Família e o Farmácia Popular.
Segundo o colunista, Flávio Bolsonaro havia classificado a proposta, em maio, como “inoportuna e eleitoreira”, afirmado que ela teria “grande carga de hipocrisia” e previsto “desemprego em massa”. Na semana anterior ao anúncio de apoio, o candidato ainda havia chamado a iniciativa de “oportunista”.
Ao comunicar sua nova posição, o senador justificou o voto pela preferência dos trabalhadores. “A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor”, declarou.
A proposta busca acabar com o regime em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho e dispõe de apenas um dia de descanso semanal. A coluna informa que sete em cada dez brasileiros apoiam a mudança e que, se aprovada, ela deverá beneficiar diretamente 15 milhões de trabalhadores.
Na avaliação de Mello Franco, o posicionamento anterior de Flávio reproduzia argumentos de entidades patronais contrárias à redução da jornada. O colunista contrapõe as advertências do senador sobre os efeitos econômicos da medida ao apoio popular à ampliação do descanso semanal.
A alteração de discurso também aparece no histórico do candidato em relação ao Bolsa Família. Conforme a coluna, Flávio já se referiu ao programa de transferência de renda como “bolsa farelo”. Agora, promete mantê-lo e ampliá-lo.
O jornalista aponta movimento semelhante em relação ao Farmácia Popular. Depois de classificar a iniciativa como “politicagem”, o senador passou a afirmar que não encerrará a distribuição de medicamentos. Mello Franco ressalta, porém, que o programa não aparece no plano de governo do presidenciável.
A coluna também confronta o novo apoio ao fim da escala 6×1 com as diretrizes trabalhistas apresentadas pelo candidato à Justiça Eleitoral. O documento propõe “dar mais liberdade a quem trabalha” e defende que “trabalhador e empresa combinem diretamente as condições de trabalho”.
Outro trecho do programa afirma que “o país precisa se posicionar contra a República Sindical”. Mello Franco associa a expressão ao discurso empregado décadas atrás por adversários do presidente João Goulart, situando a formulação no histórico de oposição à atuação sindical no Brasil.
Fonte: Brasil 247