Construindo o futuro sem perder nossa essência
Por Redação — Jornal Opção

Coronel Cláudia Lira – Vice-prefeita de Goiânia
Goiânia chega aos 93 anos celebrando sua história, suas conquistas e tudo aquilo que foi construído pelas gerações que nos antecederam. Mas aniversários também nos convidam a olhar para frente. E, quando pensamos no futuro de uma cidade, uma pergunta é inevitável: quem vai viver esse futuro? Serão as crianças e os jovens de hoje.
Essa constatação muda a maneira como precisamos pensar a cidade. Falar sobre a Goiânia do futuro não é apenas falar sobre obras, tecnologia, mobilidade, infraestrutura ou crescimento econômico. É falar sobre as pessoas que irão viver, trabalhar, empreender, criar suas famílias e tomar decisões sobre essa cidade nas próximas décadas.
Por isso, construir o futuro começa muito antes dele chegar. Começa na infância, nas primeiras relações com a escola, o bairro, os espaços públicos, a cultura, o esporte, a saúde e as oportunidades. Começa quando uma criança percebe que a cidade não é algo distante, administrado por outros, mas um espaço do qual ela também faz parte.
É nesse sentido que as políticas públicas precisam ir além da entrega de serviços. Elas também devem desenvolver autonomia, consciência, participação e responsabilidade compartilhada. Educação, saúde, segurança, cultura, meio ambiente e assistência social são fundamentais, mas ganham ainda mais força quando ajudam a formar cidadãos que compreendem que também têm um papel na construção do bem comum.
Uma cidade melhor não pode depender apenas de pessoas esperando que alguém resolva seus problemas. Precisamos formar cidadãos que se sintam parte da cidade e, justamente por isso, também responsáveis por ela. Isso significa olhar especialmente para os jovens, eles não podem ser apenas destinatários das decisões tomadas hoje. Precisam encontrar espaços para participar, propor, questionar e ajudar a construir as soluções que irão definir o futuro de Goiânia.
Porque a participação também se aprende. E o pertencimento é uma de suas primeiras sementes. Quem se sente parte cuida. Quem se sente ouvido participa. Quem reconhece uma cidade como sua passa a enxergar não apenas seus problemas, mas também suas possibilidades. Mas pensar no futuro também significa decidir o que queremos preservar enquanto avançamos.
Goiânia cresceu muito desde sua criação. Foi planejada, em seu projeto original, para uma população de 50 mil pessoas, e hoje abriga cerca de 1,5 milhão de moradores. Crescer exige planejamento, infraestrutura, mobilidade, tecnologia e novas soluções. Mas desenvolvimento não pode significar perder aquilo que nos torna quem somos.
Quando penso na Goiânia que gostaria de deixar para as próximas gerações, penso em uma cidade preparada para todos, com qualidade de vida e capaz de acompanhar as transformações do mundo, mas que não perca sua essência. Que preserve sua história, seu patrimônio Art Déco, sua hospitalidade e os valores que construíram sua identidade.
Uma cidade pode ser moderna sem ser fria. Pode incorporar tecnologia sem deixar de ser humana. Pode crescer sem se transformar em uma selva de pedra. Um dos grandes desafios de uma Goiânia que se aproxima dos 100 anos é: crescer sem deixar de se reconhecer.
O conceito do Festival Viva Goiânia, de uma cidade “feita pra toda vida e para todo mundo”, também nos convida a pensar sobre isso. Uma cidade para todos é aquela em que as pessoas encontram oportunidades, mas também se reconhecem como parte dela e participam de sua construção.
Daqui a algumas décadas, serão as crianças e os jovens de hoje que decidirão o que preservar, o que transformar e o que ainda precisará ser construído. Por isso, quando penso na Goiânia do futuro, penso também na Goiânia que um dia me recebeu.
Quero que as próximas gerações encontrem uma cidade evoluída, preparada, acessível e com qualidade de vida. Mas quero, sobretudo, que encontrem uma cidade que continue reconhecendo nas pessoas o seu maior patrimônio.
Que Goiânia avance, se transforme e se prepare para o futuro, sem perder a essência que fez dela a cidade que aprendemos a amar.
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Fonte: Jornal Opção