Padilha diz que Veja “tentou confundir a sociedade” em reportagem

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CASO MASTER

Congresso em Foco

9/10/2026 | Atualizado às 16:43

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou nesta sexta-feira (9) que solicitou à Advocacia-Geral da União (AGU) providências judiciais para obter direito de resposta à reportagem da revista Veja sobre supostos pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a integrantes do governo Lula. O ministro também pediu uma perícia para verificar a autenticidade de um áudio atribuído ao empresário, divulgado pela publicação.

Padilha contestou a versão apresentada pela revista, que o aponta como um dos envolvidos nas supostas negociações para facilitar o acesso do Banco Master a recursos de fundos de pensão de empresas estatais. “Em nenhuma hipótese e sob nenhum pretexto, jamais agi ou autorizei que outros agissem em defesa dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master”, declarou.

Padilha nega ter favorecido o Banco Master durante sua passagem pela Secretaria de Relações Institucionais.

O ministro argumentou que seus contatos com representantes do mercado financeiro e do setor produtivo faziam parte das atribuições do cargo de ministro das Relações Institucionais, ocupado por ele no início do atual governo. Segundo Padilha, essas interlocuções ocorreram dentro da legalidade e não envolveram favorecimento ao banqueiro.

Na nota, Padilha também acusou a revista de tentar interferir no segundo turno das eleições presidenciais em benefício de Flávio Bolsonaro (PL). “A peça representa uma tentativa tosca de confundir a sociedade, com o objetivo descarado de minimizar a gravidade do repasse de recursos para a família Bolsonaro, a pretexto de financiar o filme Dark Horse”, declarou.

O ministro ressaltou ainda que o diretor Oliver Stone, responsável pelo documentário sobre Lula mencionado na reportagem, já negou publicamente ter recebido recursos de Vorcaro.

Matéria da Veja sobre Vorcaro é “peça eleitoral”, diz campanha de Lula

Reportagem contestada

A reportagem da Veja atribuiu ao banqueiro o relato de pagamentos de aproximadamente R$ 30 milhões em espécie para financiar o documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a publicação, os recursos teriam sido exigidos pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto em troca de facilidades para o Banco Master negociar com fundos de previdência de empresas estatais.

A revista também mencionou a suposta participação de Padilha, de seu então secretário-executivo, Olavo Noleto, e de intermediários ligados ao governo nas negociações. O material divulgado inclui mensagens e um áudio atribuído a Vorcaro, além de informações sobre propostas de colaboração premiada apresentadas à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Nesta sexta-feira, a Polícia Federal informou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito na reportagem nem entregou à corporação documentos ou informações correspondentes. A instituição também esclareceu que rejeitou as propostas de colaboração apresentadas pela defesa do banqueiro por descumprimento dos requisitos legais.

A PGR confirmou que as negociações foram conduzidas pelos advogados do empresário, sem interlocução direta com ele. “Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa”, esclareceu o órgão.

A campanha de Lula também reagiu à publicação, que classificou como “peça eleitoral”, e anunciou providências judiciais contra as acusações e eventuais irregularidades na divulgação das informações.

Veja a íntegra da nota de Alexandre Padilha:

“Merece repúdio que um suposto depoimento e um áudio com indícios de fraude e manipulação de um criminoso confesso seja usado para tumultuar o processo eleitoral para que seu cúmplice, o candidato Flávio Bolsonaro, seja favorecido na falsa tentativa de legitimar R$ 65 milhões destinados supostamente ao filme em homenagem a um ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado e responsável por centenas de milhares de mortes na pandemia.

Em razão disso, pedi que a Advocacia-Geral da União (AGU) ingresse com as providências judiciais cabíveis para exigir direito de resposta às mentiras apresentadas. Também será solicitada perícia sobre a veracidade, autenticidade e integridade do áudio veiculado, uma vez que a Procuradoria-Geral da República já declarou, publicamente, que não foi realizado nem registrado depoimento oral de Vorcaro sobre esse tema justamente por conta da rejeição da delação por sua completa ausência de provas.

Em nenhuma hipótese e sob nenhum pretexto, jamais agi ou autorizei que outros agissem em defesa dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master. O depoimento mentiroso do banqueiro é tão desprovido de qualquer comprovação que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República atestaram que os relatos trazem apenas informações desencontradas, sem provas e sem confissão de crime. Além de mentiroso, o enredo contado sequer tem sentido cronológico. A peça representa uma tentativa tosca de confundir a sociedade, com o objetivo descarado de minimizar a gravidade do repasse de recursos para a família Bolsonaro, a pretexto de financiar o filme Dark Horse. Assim como tenta reproduzir para o Presidente Lula o esquema operado por Flávio Bolsonaro: o financiamento supostamente direcionado a um filme e a um instituto.

Enquanto fui ministro de Relações Institucionais, fazia parte de minhas atribuições institucionais fazer interlocução com todos os setores da sociedade, inclusive do mercado financeiro e do setor produtivo. E o fiz sempre em absoluto respeito à lei e em defesa do povo brasileiro, como é a orientação do Presidente Lula. Prova desse compromisso é que foi no nosso governo que Vorcaro foi preso e o Banco Master, liquidado. Essa postura de rigor faz cair por terra qualquer acusação falaciosa de que tenha havido envolvimento e repasses de recursos para beneficiar a mim, ao Instituto Lula e ao filme do diretor Oliver Stone, que já rechaçou publicamente ter recebido qualquer tipo de verba de Daniel Vorcaro.”

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Fonte: Congresso em Foco

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