‘Extrema direita atua com violência e tentativas de intimidação’, diz Correia após ameaças contra Ana Elisa

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O deputado Rogério Correia (PT-MG) informou nesta sexta-feira (9), pela rede social X, que decidiu acompanhar a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) à Polícia Federal, em Belo Horizonte (MG), para denunciar ameaças de morte, violência sexual e ataques racistas e misóginos. “É assim que age a extrema direita: com ódio, violência e tentativas de intimidação”, criticou o parlamentar. “O inquérito já foi aberto”.

A deputada eleita, de 21 anos, desativou sua conta na rede social X após receber ameaças durante a campanha e após integrar a mobilização digital pela reeleição do presidente Lula no segundo turno.

“Acompanhei a Ana Elisa à Polícia Federal, em Belo Horizonte, para denunciar as ameaças que ela vem sofrendo”, disse Correia. As medidas cabíveis estão sendo tomadas pelas autoridades responsáveis”, declarou.

“É inadmissível que uma deputada federal eleita democraticamente, a mais votada de Minas Gerais, seja alvo de ataques racistas e misóginos e tenha sua vida colocada em risco”, afirmou. 

Ana Elisa relata ameaças de morte e estupro

A deputada eleita afirmou em outra rede social que sua equipe desativou a conta no X diante da frequência das ameaças. Segundo ela, as mensagens incluíam ameaças de morte e de estupro.

“Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaças de morte por estar politicamente engajado e tentando defender o que acha melhor para o país. O debate político para mim, nunca foi sobre isso”, esclareceu. 

“A minha equipe desativou a minha conta no Twitter, porque nós estávamos recebendo ameaças de morte a cada dois minutos. A ameaça de morte e ameaça de estupro”, acrescentou. 

A petista disse ainda que se sente “totalmente vulnerável”, já que ainda não conta com escolta de segurança. Antes disso, Ana Elisa já havia publicado registros de um e-mail recebido em 5 de setembro, no qual o remetente se apresentava como integrante da Ku Klux Klan.

Segundo o relato, a mensagem continha ataques contra mulheres pretas em espaços de poder e descrevia ameaça de estupro contra a deputada eleita.

O deputado Rogério Correia afirmou que não aceitará a normalização de ameaças contra Ana Elisa. O deputado também prestou solidariedade à parlamentar eleita.

“Não toleraremos a violência política de gênero. Não vamos abaixar a cabeça. E os covardes que a ameaçam vão responder na Justiça. Ana Elisa, você não está sozinha! Conte comigo hoje e sempre. Estamos juntos nessa luta!”, afirmou.

Deputada mais jovem já eleita no país

Ana Elisa recebeu 524.219 votos para deputada federal em Minas Gerais nas eleições de 2026. O resultado fez dela a segunda candidata mais votada do estado para a Câmara dos Deputados, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL).

Com a votação, ela se tornou a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil.

Nascida em Divinópolis, no centro-oeste mineiro, Ana Elisa é estudante de Direito e trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais. Em vídeo, ela relatou que se aproximou da política ao frequentar um sindicato com a mãe.

Durante a campanha, ganhou projeção nas redes sociais com vídeos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação. Ela chegou a quase 2 milhões de seguidores no Instagram durante a disputa e agora supera 3 milhões.

Canais de denúncia

No fim de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento com denúncias de violência contra mulheres candidatas nas eleições de 2026.

Os relatos incluem violência física e verbal, ameaças de morte e ameaças de estupro. Dados do TSE apontam que a violência política de gênero cresceu 11 vezes entre 2022 e 2026.

Mulheres em situação de violência política, ou pessoas que tenham conhecimento de casos desse tipo, podem acionar canais institucionais como a Central de Atendimento à Mulher, pelo Ligue 180, a Polícia Federal, por meio do Comunica PF, o Ministério Público Eleitoral, a Justiça Eleitoral, o Conselho Nacional de Justiça e a Defensoria Pública da União. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Fonte: Brasil 247

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