Audiovisual movimentou R$ 81 bilhões em 2025 em meio a projeto que ameaça extinguir a Ancine
Por Cine NINJA — Mídia NINJA
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Estudo da ABDI e da UFF aponta que o setor representa 0,64% do PIB nacional, enquanto proposta na Câmara prevê transferir as funções da agência ao Ministério da Cultura
Por Helô Alves
O setor audiovisual movimentou R$ 81,1 bilhões na economia brasileira em 2025. O valor equivale a 0,64% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
O dado é de um estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e da Universidade Federal Fluminense (UFF). A pesquisa foi divulgada no momento em que a Câmara dos Deputados analisa um projeto que propõe acabar com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), principal órgão de fomento e regulação da área.
Segundo o levantamento, cada R$ 10 milhões investidos no audiovisual geram R$ 18,3 milhões para a economia. Isso acontece porque cada produção aciona uma longa cadeia de serviços, fornecedores e empregos diretos e indiretos em todo o país.
O PL 994/2026, do deputado federal Capitão Augusto (PL-SP), transfere as funções da Ancine para uma secretaria do Ministério da Cultura. A agência foi criada em 2001 para fomentar, regular e fiscalizar o mercado de cinema e audiovisual.
Os números confirmam o que outras pesquisas já apontavam. Um estudo da consultoria Oxford Economics para a Motion Picture Association (MPA), divulgado em outubro de 2025, calculou que o setor movimentou R$ 70,2 bilhões em 2024 e sustentou 608.970 empregos.
Segundo o mesmo relatório, o audiovisual emprega mais pessoas do que a indústria automobilística, responsável por cerca de 100 mil vagas diretas, indiretas ou induzidas. Os trabalhadores diretos do setor recebem, em média, R$ 6,8 mil, valor 84% acima da média nacional. Em impostos, foram arrecadados R$ 9,9 bilhões em 2024.
Boa parte desse mercado passa pela Ancine. A agência é a secretaria-executiva do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), principal fonte de financiamento público de filmes e séries no país. O plano de ação do fundo para 2026 prevê cerca de R$ 1,4 bilhão para a cadeia produtiva.
O dinheiro do FSA vem principalmente da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), cobrada das próprias empresas do mercado audiovisual.
A Ancine também fiscaliza a cota de tela, que obriga as salas de cinema a exibir filmes brasileiros. Além disso, acompanha as cotas de conteúdo nacional na TV por assinatura. O projeto de Capitão Augusto não diz quem passaria a cuidar dessas tarefas nem da arrecadação da Condecine.
A proposta chega em um bom momento para o cinema nacional. “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, venceu o Oscar de melhor filme internacional em 2025 e foi o terceiro filme mais visto no Brasil em 2024. De acordo com a plataforma Ingresso.com, a bilheteria de filmes brasileiros cresceu 197% entre maio de 2024 e maio de 2025.
Para o setor, os números pedem mais políticas públicas, não menos. “Os números do audiovisual no Brasil são maiores do que os da indústria automobilística e farmacêutica”, afirmou Walkiria Barbosa, então presidente da Federação das Indústrias Criativas e Audiovisuais (Fica), no lançamento do estudo da Oxford Economics.
Na abertura do RioMarket, braço de negócios do Festival do Rio, no último dia 1º, Walkiria disse que a meta do setor, construída com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), é triplicar a participação do audiovisual no PIB nos próximos três anos.
O PL 994/2026 aguarda tramitação na Câmara. A página do projeto no site da Casa tem uma enquete aberta, na qual qualquer pessoa pode registrar sua opinião. Saiba mais aqui.
Com informações de Metrópoles.
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Fonte: Mídia NINJA