Desmatamento registra queda de 30% no Cerrado

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – Os índices de desmatamento caíram no Cerrado e subiram na Amazônia no mês de setembro. A área sob alerta na Amazônia foi de 350 km² no mês passado, o que representa uma alta de 9% em relação aos 327 km² registrados no mesmo mês em 2025. Já no Cerrado, o índice do último mês foi de 253 km², uma queda de 30% na comparação com os 360 km² perdidos em setembro do ano passado.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (8) e pertencem ao sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Deter emite alertas de desmate com o objetivo de orientar ações de fiscalização. Já os números oficiais são apurados por outro sistema do instituto, o Prodes, que apresenta maior precisão e é divulgado anualmente.

A taxa registrada no último mês é a segunda mais baixa da série histórica do Deter, iniciada em 2018. Na Amazônia, mesmo com o aumento verificado, o índice é o segundo menor da década, perdendo apenas para setembro de 2025.

O crescimento na destruição da floresta amazônica foi puxado principalmente pelo estado do Pará, que respondeu por metade (177 km²) da área perdida. Em seguida, aparecem Mato Grosso (59 km²) e Amazonas (51 km²). No Cerrado, os estados que mais desmataram no último mês foram Maranhão (81 km²), Mato Grosso (58 km²) — que abriga ambos os biomas — e Tocantins (38 km²).

No acumulado dos primeiros nove meses do ano, a diminuição do desmatamento foi de 27% na Floresta Amazônica, caindo de 3.272 km² para 2.392 km², e de 9% no Cerrado, que recuou de 4.476 km² para 4.063 km².

O índice demonstra a tendência de redução na perda de vegetação nativa comandada pelo governo do presidente Lula (PT), principalmente na região Norte. Em 2022, último ano da gestão de Jair Bolsonaro (PL), 8.590 km² foram perdidos na Amazônia de janeiro a setembro — um patamar mais de três vezes superior ao nível atual.

Especialistas afirmam que a redução da destruição ambiental nos últimos quatro anos se deve à retomada de políticas públicas encabeçadas por Marina Silva (Rede) à frente do Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática. Entre as medidas de destaque estão os planos de controle do desmate, a recomposição de quadros e de orçamento dos órgãos de fiscalização e a aplicação de restrições financeiras a desmatadores.

Historicamente, os meses de julho, agosto e setembro concentram as maiores taxas de desmatamento na Amazônia por apresentarem o período mais seco na região, o que facilita a remoção da vegetação. O cenário no Cerrado é parecido, mas o período de seca costuma durar mais tempo e começa antes, ainda no mês de maio.

Somadas as áreas sob alerta de desmate em ambos os biomas em 2026, o total chega a 6.455 km², área equivalente a quatro vezes a extensão territorial da cidade de São Paulo (1.521 km²).

A perda de vegetação nos dois maiores biomas do país evidencia a dimensão do desafio para que o Brasil cumpra seus compromissos de enfrentamento à mudança climática assumidos junto à Organização das Nações Unidas (ONU), uma vez que o desmatamento representa a maior fonte de emissão de gases de efeito estufa no país.

Fonte: Brasil 247

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