Hugo Motta articula com centrão e PT reeleição à presidência da Câmara
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reuniu-se na manhã de quarta-feira (7) com parlamentares para discutir estratégias com o objetivo de garantir sua recondução ao comando da Casa a partir de fevereiro de 2027, em uma articulação motivada pelo aumento expressivo da bancada do PL neste ano, informa o jornal O Globo.
Motta contou com o apoio de quase todos os partidos quando foi eleito presidente pela primeira vez, em 2024. No entanto, ele se aproximou do presidente Lula (PT) nos últimos meses devido a interesses eleitorais na Paraíba, seu reduto político, o que acabou contrariando parlamentares da oposição.
Com o crescimento da bancada do PL, que elegeu 121 deputados — superando os 99 eleitos em 2022 —, aliados do presidente da Câmara afirmam ser necessário traçar estratégias para evitar uma candidatura adversária competitiva no campo da oposição ou impedir que os demais partidos deixem de apoiá-lo.
Para liderar esse processo, o presidente da Casa já havia designado um grupo pequeno de aliados próximos, entre os quais estão os líderes do PP, Dr. Luizinho (RJ), e do MDB, Isnaldo Bulhões Jr. (AL). Segundo relatos, a intenção agora é buscar amarrar o apoio das legendas enquanto intensifica o diálogo individual com os deputados, sobretudo com os que tomarão posse para seus primeiros mandatos no próximo ano.
Nas eleições do último domingo (4), foram eleitos 183 novos deputados — em um total de 513 assentos na Casa —, o que representa uma taxa de renovação de cerca de 35,6%.
A aproximação com os estreantes já vinha sendo afirmada por Motta a aliados desde o mês de agosto. A avaliação interna é de que é preciso utilizar as ferramentas disponíveis a um presidente da Câmara para se aproximar dos novatos, o que inclui a distribuição de relatorias de projetos estratégicos, cargos administrativos na Casa, divisão de gabinetes e até mesmo a fatia das emendas parlamentares.
A estratégia traçada é colocar esse plano em prática imediatamente. Procurado pelo O Globo, Motta não se manifestou.
Na quarta-feira, o parlamentar manteve reuniões com alguns dos novos eleitos, como Lucas Reis (PT-BA), ex-chefe de gabinete de Jaques Wagner (PT-BA), que alcançou 192 mil votos, e Ditinho Avivip (União Brasil-BA), que obteve 111 mil votos. Motta também esteve reunido com Dr. Luizinho, Isnaldo Bulhões Jr. e outros aliados, entre eles o líder do PSDB, Adolfo Viana (BA). O recém-eleito senador Guilherme Derrite (PP-SP), que exerce atualmente o mandato de deputado, também esteve na residência oficial da presidência da Câmara.
O entorno de Motta também discute a realização de novos encontros com deputados ao longo da próxima semana, além de viagens aos estados para buscar aproximação direta com os parlamentares. Vale lembrar que, durante sua primeira eleição à presidência, ele cumpriu agendas públicas em diversas cidades de diferentes estados.
Segundo a avaliação de um aliado, a recondução ao posto estaria mais bem encaminhada caso Lula seja reeleito presidente no próximo dia 25, diante da força da máquina federal atuando em favor do deputado. Contudo, mesmo diante de uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL), esse aliado acredita que o parlamentar já larga com uma base de 250 a 300 votos. Para se eleger presidente da Câmara, é necessário alcançar os votos de mais da metade dos 513 votantes, em votação secreta. O cenário atual indica que as siglas do chamado centrão tendem a apoiar Motta.
Nos bastidores, o grupo entende que Dr. Luizinho deverá ser o candidato apoiado por Motta em 2029, fator que amarra o PP desde já em torno de sua reeleição. Além disso, o presidente da Câmara guarda proximidade com Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Como o PP está em federação com o União Brasil, a expectativa é de que a sigla também declare apoio a Motta. O parlamentar conta ainda com sinalizações positivas vinda do PT e de partidos do campo da esquerda, como o PSB e o PDT.
Uma das incertezas recai sobre o PSD, que em 2023 lançou o líder da bancada, Antonio Brito (BA), para a disputa. Brito acabou desistindo do pleito após Motta conseguir o endosso oficial do PT e do PL.
Por sua vez, o PL tem manifestado abertamente o desejo de lançar uma candidatura própria, sendo o líder da sigla, Sóstenes Cavalcante (RJ), o nome mais cotado. Integrantes do partido avaliam que Motta perdeu as chances de obter o apoio dos deputados oposicionistas justamente após ter se aproximado de Lula.
Buscando o apoio do presidente da República para tentar eleger seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), a uma vaga no Senado, Motta declarou apoio público à reeleição de Lula, participou de atos favoráveis ao presidente na Paraíba e chegou a posar para fotos usando um boné vermelho com o nome de Lula e fazendo o sinal do “L” com as mãos, gesto diretamente associado aos apoiadores do governo. Apesar dessas movimentações, o pai do deputado não recebeu apoio formal de Lula na disputa e terminou o pleito em terceiro lugar.
Paralelamente, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), levou o apoio à recondução de Motta à mesa de negociação com o PL em troca do endosso da legenda à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Apesar desse aceno, interlocutores relatam que não há nenhuma garantia firmada e que essa discussão ainda será realizada.
Aliados de Motta minimizam as chances de o PL efetivamente consolidar um candidato próprio, mas reforçam que é necessário amarrar os apoios imediatamente para evitar o desidratamento de sua candidatura. Eles destacam que existem instrumentos da Presidência da Câmara capazes de impor dificuldades a essa articulação da oposição, como ameaçar a legenda com a perda de espaços na Casa e nas comissões temáticas. Além disso, há o entendimento de que a prioridade do PL é eleger o próximo presidente do Senado, o que abriria espaço para uma composição com os partidos do centrão visando a recondução de Motta na Câmara.
Fonte: Brasil 247