Edinho Silva propõe Alckmin na coordenação de campanha e anuncia mobilização nacional no segundo turno

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – O presidente nacional do PT, Edinho Silva, anunciou nesta terça-feira (6) uma reorganização da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno, com maior participação do vice-presidente Geraldo Alckmin na coordenação, mobilização nacional e confronto político direto com o senador Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia prevê ainda a incorporação de novas lideranças e a ampliação das conversas com partidos e setores da sociedade.

Edinho afirmou que não haverá substituição dos atuais coordenadores, mas uma ampliação da equipe responsável pela campanha. “Não, a questão não é troca de nomes. Ao contrário, nós queremos agregar novas lideranças à coordenação”, disse. Entre os nomes mencionados estão Alckmin e os senadores eleitos Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT).

O dirigente petista defendeu uma atuação mais próxima do vice-presidente durante a campanha. “Eu tenho defendido que o vice-presidente Geraldo Alckmin também venha participar de forma mais efetiva da coordenação”, afirmou. Segundo Edinho, a ampliação é necessária para distribuir as atividades pelo país durante o período restante até a votação.

Alckmin também deverá contribuir para ampliar o diálogo da candidatura com diferentes segmentos. Edinho afirmou que o vice pode ajudar a campanha a alcançar setores que exigem uma interlocução específica. Questionado sobre o empresariado, respondeu: “Também. Eu penso que o vice-presidente tem todas as condições de dialogar com o empresariado.”

Confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro

A mudança na organização acompanha uma alteração na estratégia política do PT para o segundo turno. Edinho disse que a campanha pretende estabelecer uma comparação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, algo que, segundo ele, era mais difícil durante uma disputa com vários candidatos.

“Ela não é agressiva, ela é uma campanha de confronto. No primeiro turno, esse tipo de confronto você não consegue fazer, porque são vários candidatos. No segundo turno, não. São dois candidatos, portanto, são dois projetos distintos de país e esse confronto tem que acontecer para o povo brasileiro poder fazer uma escolha”, afirmou.

Durante a entrevista coletiva, Edinho fez acusações contra Flávio Bolsonaro, associando o adversário às milícias e ao crime organizado do Rio de Janeiro. As declarações integram a linha de confronto que, segundo ele, será levada à propaganda eleitoral e às demais ações da campanha.

O presidente do PT também afirmou que a candidatura pretende explorar as posições políticas atribuídas a Flávio em temas como segurança pública e jornada de trabalho. Segundo Edinho, o candidato do PL “tem trabalhado incansavelmente pela não aprovação do fim da jornada 6×1”.

Ao estabelecer a comparação com o adversário, Edinho citou medidas adotadas durante os governos de Lula, como Bolsa Família, ProUni, Minha Casa Minha Vida e a transposição do Rio São Francisco. Também relacionou a disputa ao debate sobre salário mínimo, aposentadorias, Farmácia Popular e Sistema Único de Saúde (SUS).

Reforma do Judiciário entra na disputa

Outro tema que deverá aparecer com mais força no segundo turno é a reforma do Judiciário. Edinho afirmou que a proposta não foi incorporada ao discurso petista apenas depois do resultado das urnas.

“Nós aprovamos no oitavo congresso do PT, em abril, a necessidade da reforma do judiciário. Está lá nas nossas resoluções. Aprovadas em abril”, declarou.

Segundo o presidente do PT, Lula já havia defendido a apuração de denúncias envolvendo integrantes do Judiciário e a responsabilização daqueles que eventualmente tenham cometido crimes. Edinho afirmou que o partido pretende usar o segundo turno para confrontar as posições e o histórico dos candidatos sobre o tema.

PT prepara mobilização nacional

A Executiva Nacional também aprovou um calendário de mobilização para os estados. Um dos objetivos declarados é buscar eleitores que não participaram do primeiro turno.

“Muita mobilização. Aprovamos agora um calendário de mobilização, portanto nós vamos mobilizar todos os estados brasileiros, mobilizar o eleitor que não foi votar. Nós vamos vencer essas eleições”, disse Edinho.

A agenda inclui encontro com parlamentares atuais e eleitos em Brasília, plenária em São Paulo e ações no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. A campanha também começará a organizar uma nova programação de viagens de Lula pelo país.

Edinho disse que o encontro com parlamentares contará não apenas com integrantes do PT, mas também com representantes dos partidos aliados. A intenção é aproveitar ainda lideranças recém-eleitas que tiveram desempenho relevante nas redes sociais.

Conversas com PSD e outros partidos

A direção petista também intensificou as negociações com legendas e lideranças fora do núcleo da campanha. Edinho informou ter conversado com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, sobre a posição do partido no segundo turno.

“O Kassab disse a mim que o PSD ficará na neutralidade, mas que nós temos toda a liberdade de procurar as lideranças do PSD para dialogar. E é isso que nós vamos fazer”, afirmou.

Edinho também relatou conversa com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e disse que o partido ainda estava definindo sua posição. Segundo ele, a senadora eleita Teresa Surita (MDB) declarou apoio a Lula.

O dirigente afirmou ainda que mantém diálogo com André Fufuca, apesar da posição adotada pelo Progressistas, e citou conversas com integrantes do União Brasil e do Avante.

“Nós vamos dialogar com muitas lideranças, muitas lideranças políticas, independente da movimentação partidária. Hoje, eu mesmo fiz dezenas dessas conversas”, declarou.

Fonte: Brasil 247

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