É falso que pesquisa mostra Flávio com 61% das intenções de voto
Por Bianca Bortolon — Aos Fatos | Valorize o que é real
<p style=”margin-bottom:13px”>Não é verdade que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) tenha 61% das intenções de voto para presidente, como afirmam postagens nas redes sociais. Os números apresentados por peças desinformativas são do Polymarket, plataforma de apostas sobre acontecimentos futuros, e representam as probabilidades de vitória calculadas a partir das negociações dos usuários, não as preferências do eleitorado.</p>
<p>Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 2.000 visualizações no TikTok até a tarde deste domingo (4).</p>
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<blockquote data-stamp=”falso”>
<p>CHANCE DE VITÓRIA DE FLÁVIO DISPARA</p>
</blockquote>
<figure><picture data-type=”stamp” data-value=”falso”><img alt=”A imagem é uma montagem com fundo em tons de azul, vermelho e preto, mostrando Jair Bolsonaro à esquerda e Luiz Inácio Lula da Silva à direita, com o Congresso Nacional ao centro e a bandeira do Brasil ao fundo. No topo, há o texto ‘CHANCE DE VITÓRIA DE FLÁVIO DISPARA’. Abaixo das imagens dos políticos aparecem os nomes ‘FLÁVIO BOLSONARO’ e ‘LULA’, acompanhados dos percentuais ‘61%’ e ‘38%’, respectivamente. Mais abaixo, uma legenda informa: ‘Flávio Bolsonaro 60.7%; Luiz Inácio Lula da Silva 38%; Renan Santos <1%; Jair Bolsonaro <1%’. Na parte inferior, há um gráfico de linhas com diferentes curvas e os valores ‘60%’, ‘38%’ e ‘<1%’. Também aparece a indicação ‘Contém mídia gerada por IA’ e, na parte inferior, a fonte ‘Polymarket’.” class=”w-full” height=”765″ src=”https://static.aosfatos.org/media/cke_uploads/2026/10/04/4-10-2026-pesquisa.png” width=”513″ /></picture></figure>
<p>Publicações nas redes enganam ao apresentar um gráfico que atribui 61% de chances de vitória a Flávio Bolsonaro e 38% a Lula (PT) como se fosse o resultado de uma pesquisa eleitoral. Os números, no entanto, não representam intenções de voto, mas estimativas de probabilidade de vitória produzidas a partir de uma plataforma de apostas.</p>
<p>A própria imagem identifica o Polymarket como fonte, uma plataforma de mercado de previsões na qual os usuários negociam contratos relacionados a acontecimentos futuros, incluindo resultados eleitorais.</p>
<p>Diferentemente dos institutos de pesquisa, o Polymarket não entrevista eleitores nem utiliza amostras representativas da população para estimar as preferências do eleitorado. Os percentuais refletem os preços dos contratos negociados pelos usuários e, portanto, não podem ser interpretados como intenções de voto.</p>
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<a data-type=”read-more-title” href=”https://www.aosfatos.org/noticias/flavio-bolsonaro-e-aliados-divulgam-apostas-do-polymarket-como-pesquisa-eleitoral/?utm_source=site&utm_campaign=leiamais&utm_medium=leiamais” target=”_blank”>Flávio Bolsonaro e aliados divulgam apostas do Polymarket como pesquisa eleitoral</a></div>
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<p>As pesquisas eleitorais, por sua vez, utilizam entrevistas e procedimentos estatísticos para estimar as preferências dos eleitores. Os levantamentos divulgados durante o período eleitoral <a href=”https://www.tse.jus.br/eleicoes/pesquisas-eleitorais” target=”_blank”>devem ser registrados</a> na Justiça Eleitoral e apresentar informações como metodologia, tamanho da amostra, período de realização e margem de erro.</p>
<p>Os resultados de pesquisas divulgadas na véspera da eleição diferem dos percentuais apresentados nas peças enganosas. Neste sábado (3), o <a href=”https://datafolha.folha.uol.com.br/eleicoes/2026/10/na-vespera-da-eleicao-lula-tem-45-dos-validos-no-1o-turno-empatado-com-flavio-bolsonaro-42.shtml” target=”_blank”>Datafolha</a> registrou 45% dos votos válidos para Lula e 42% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Já o levantamento da <a href=”https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/10/03/lula-e-flavio-bolsonaro-na-pesquisa-cntmda-para-presidente-veja-numeros-do-1-turno.ghtm” target=”_blank”>CNT/MDA</a>, divulgado no mesmo dia, apontou 47,8% para o petista e 42,1% para o candidato do PL.</p>
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<a data-type=”read-more-title” href=”https://www.aosfatos.org/noticias/polymarket-apostas-eleicoes-brasileiras/?utm_source=site&utm_campaign=leiamais&utm_medium=leiamais” target=”_blank”>Apesar de proibição, Polymarket promove apostas sobre eleições brasileiras</a></div>
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<p><strong>Como funciona.</strong> No Polymarket, os usuários negociam contratos associados a possíveis resultados de acontecimentos futuros. Em uma disputa eleitoral, é possível comprar contratos vinculados à vitória de determinado candidato.</p>
<p>O preço varia de acordo com a oferta e a demanda, refletindo quanto os participantes estão dispostos a pagar por aquela previsão. As operações são realizadas com dinheiro ou criptomoedas, e os participantes podem obter lucro caso suas previsões se concretizem.</p>
<p>É a partir desses preços que a plataforma calcula as probabilidades exibidas em seu site. Além de não constituírem uma amostra representativa da população, os indicadores podem sofrer influência de fatores como o perfil dos apostadores, o volume de recursos investidos e a concentração das negociações em determinados eventos.</p>
<p>Pelo mesmo motivo, as probabilidades podem apresentar oscilações expressivas em períodos curtos. À medida que os participantes compram ou vendem contratos, os preços se alteram e, consequentemente, também os percentuais exibidos pela plataforma.</p>
<p>No início da tarde de domingo (4), por exemplo, o Polymarket chegou a apresentar <a href=”https://x.com/Polymarket/status/2106783707486921062″ target=”_blank”>Lula à frente de Flávio Bolsonaro</a> como favorito para vencer o primeiro turno:</p>
<p><strong>Restrições.</strong> Em maio deste ano, o mercado de previsões envolvendo acontecimentos políticos, eleitorais, sociais, culturais e de entretenimento passou a ser alvo de proibição no Brasil.</p>
<p>Em setembro, após a publicação de uma <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/polymarket-apostas-eleicoes-brasileiras/” target=”_blank”>reportagem</a> do <em>Núcleo</em> para o <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/iniciativas-jornalismo-coalizao-investigar-desinformacao-eleitoral/” target=”_blank”>LIE (Laboratório de Investigação Eleitoral)</a>, o Ministério da Fazenda solicitou à Meta o bloqueio de páginas não oficiais do Polymarket no Instagram. A empresa acatou o pedido e também bloqueou a conta oficial da plataforma no Brasil.</p>
<details><summary>O caminho da apuração</summary>
<p><strong>Aos Fatos </strong>analisou a publicação viral e verificou que se tratam de números do Polymarket, uma plataforma de apostas e previsões.<br />
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A reportagem também comparou os números com os resultados das pesquisas Datafolha e CNT/MDA divulgadas em 3 de outubro e consultou as regras do TSE para o registro de pesquisas eleitorais.</p>
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